O género Cyberpunk nasceu no início dos anos 80 e ainda hoje é um dos pratos fortes da ficção científica. A língua inglesa tem uma expressão simples que resume este género de filmes: “High tech, Low Life”.

“Matrix”, “Exterminador Implacável”, “Robocop” são alguns dos melhores exemplos deste género e, ao mesmo tempo, alguns de maior sucesso. O tema comum destes filmes é a existência de uma sociedade com tecnologia verdadeiramente futurística, mas ao mesmo tempo disfuncional com valores morais alterados.

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Como disse antes, ainda nos dias de hoje este é um estilo adorado por muitos cinéfilos. Influenciado pela estreia de “Ghost in the Shell – Agente do Futuro” nos cinemas portugueses, o Filme da Semana é um dos clássicos da ficção científica, Blade Runner.

Ridley Scott apresenta-nos uma mistura de Sci-Fi com Neo-Noir. Deckard, um ex-Blade Runner (Harrison Ford) é recrutado novamente e tem como missão matar quatro Replicantes que chegaram à Terra ilegalmente. Os Replicantes são uma espécie de escravos dos humanos.

Este é um dos meus filmes favoritos e um dos pioneiros deste género. Em 1982, quando estreou nos cinemas, teve pouco sucesso. Na minha opinião, há três razões principais para tal coisa.

Junho de 1982, a data da sua estreia, coincide com um dos melhores meses na história do cinema. O mesmo mês em que “E. T. – O Extraterrestre, O Enigma de Outro Mundo”, “Star Trek II: A Ira de Khan” e “Poltergeist” estrearam. Tudo clássicos, incluindo o próprio “Blade Runner”. No entanto, ao contrário dos outros, este não se tornou imediatamente num clássico.

Eis que surge a segunda razão para a falta de sucesso comercial e crítico: a versão que inicialmente esteve nos cinemas não foi a melhor.

Já se sabe que os estúdios gostam de fazer filmes que agradem ao maior número de pessoas para maximizarem as receitas. Tudo bem, mas quando isso implica perder a qualidade ou até a mensagem, então que se afastem e confiem na visão do realizador. Neste caso, além da qualidade, a própria receita foi afectada por estas alterações.

Por fim, temos a terceira razão: era um filme demasiado avançado para o seu tempo e, como tal, não foi compreendido. Carros voadores e memórias implantadas é inovador sem dúvida, mas onde deixa a sua marca é na forma de ver o futuro. Tem uma palete de cores escura, chuva constante e cenários que dão um aspecto de abandono. Uma visão suja e menos positiva do futuro, sendo isso o que distanciava Blade Runner dos outros filmes de ficção científica da altura. Ao mesmo tempo, representa um futuro cheio de falta de privacidade, e onde empresas privadas parecem definir as regras. Parece-vos semelhante?

No entanto, o tempo fez-lhe bem e tornou-se cada vez mais popular e adorado. Para isso contribuíram, e muito, as duas versões alternativas que Ridley Scott fez: o Director’s Cut e o Final Cut. A principal diferença em relação ao original é o fim que, na minha opinião, eleva o filme a um nível totalmente diferente. Depois há pequenos detalhes e algumas cenas acrescentadas que permitem compreender melhor o que se passa naquele mundo.

Se ainda não viram um dos melhores filmes de ficção científica feitos, vejam Blade Runner. Aliás, agora é a melhor altura. Passados 35 anos, chega finalmente a sequela, “Blade Runner 2049”, que vai estrear nos cinemas em Outubro. Conta com Ryan Gosling, Harrison Ford e vai ter na realização Denis Villeneuve. Ah, e Ridley Scott também vai fazer parte, mas desta vez como produtor. Portanto, tem tudo para ser um dos melhores filmes do ano.