Críticas de TelevisãoDestaquesTelevisãoManiac – um espetáculo de variedades (1ª temporada)

Protagonizado por Jonah Hill e Emma Stone, Maniac é uma minissérie brilhante. Com certeza, um dos melhores lançamentos originais da História da Netflix. Hollywood é um verdadeiro campo de batalha. Ao passo que os veteranos já têm os seus nomes marcados no Passeio da Fama, os recrutas lutam diariamente para fazerem de si um membro admitido pela indústria. É uma escalada brutal de auto-promoção. É um chamar de atenção, um jogo de resistência. Quem cai?...
Alex Vieira Alex VieiraSet 23, 201890/10010 min
Género
Comédia, Drama, Ficção Científica
Estreia
21 SET. 2018
Distribuidor
Netflix
Overall Score
Rating Overview
Realização
95%
Argumento
90%
Representação
90%
Montagem
90%
Fotografia
85%
Rating Summary
Maniac é uma minissérie brilhante e, com certeza, um dos melhores lançamentos originais da História da Netflix.

Protagonizado por Jonah Hill e Emma Stone, Maniac é uma minissérie brilhante. Com certeza, um dos melhores lançamentos originais da História da Netflix.

Hollywood é um verdadeiro campo de batalha. Ao passo que os veteranos já têm os seus nomes marcados no Passeio da Fama, os recrutas lutam diariamente para fazerem de si um membro admitido pela indústria. É uma escalada brutal de auto-promoção. É um chamar de atenção, um jogo de resistência. Quem cai? Quem não cai? Numa galáxia de letreiros vibrantes e promissores, há um que se destaca sem igual. Um nome inscrito em luzes de néon tão brilhantes, que até estremece os nossos espíritos…

 

Cary Joji Fukunaga é definitivamente um nome que promete muito e que não podemos esquecer. O cineasta realizou a excecional primeira temporada de True Detective. Agora, substituirá o assento anteriormente ocupado por Danny Boyle para comandar o vigésimo quinto filme de James Bond.

Mas enquanto esse momento não chega, Fukunaga brinda-nos com uma transcendente experiência distribuída diretamente pelo mais popular serviço de streaming do planeta. Maniac nada mais é que um avassalador pronunciamento artístico, um autêntico tour de force por parte do realizador norte-americano. Testemunhem!

Maniac

À primeira vista, esta nova minissérie da Netflix parece-nos mais uma criação dentro da vibeCharlie Kaufman”: Owen (Jonah Hill) é aparentemente esquizofrénico e Annie (Emma Stone) tem um passado negro que fere o seu presente. Ambos inscrevem-se num ensaio clínico experimental, que promete “resolver todos os seus problemas”. Bom, esta parece-nos uma típica ideia bem-vinda para um cerebral filme independente de ficção-científica de baixo orçamento. Mas verdadeiramente fascinante é o facto de que somos convidados para navegar nos sonhos da dupla de protagonistas.

Que viagem! Assim, passamos a presenciar diferentes situações na vida dos personagens, decorridas em diferentes épocas. Ao longo de 10 exuberantes episódios, somos transportados para uma tarantinesca aventura over the top decorrida nos anos 1980, uma bizarra trama noir durante a década de 40, uma excursão tolkieniana rumo à Era Medieval e até uma intriga política comicamente negra, reminiscente de Doutor Estranhoamor, de Kubrick.

E é durante esta colorida e movimentada jornada onírica com uma estética rainbow que Fukunaga demonstra ser um artista ímpar e incrivelmente versátil. Maniac é uma ampla tela em branco que dá a feliz oportunidade ao cineasta de expressar todo o seu talento. Ele injeta uma personalidade única para cada episódio, provando que sabe trabalhar em qualquer género: drama, comédia, ação, ficção-científica…

Ver também: Um Pequeno Favor: Uma boa combinação de atrizes num mistério intrigante

Maniac

Efetivamente, esta “ocasião favorável” para exibir diferentes facetas também se entende aos dois atores principais. Afirmando-se mais uma vez como um sólido ator dramático, Jonah Hill mal sorri ao longo da série, exceto especialmente no penúltimo episódio ao abraçar todas as suas competências cómicas para assim nos oferecer uma hilariante performance à la Peter Sellers. Entretanto, Emma Stone oferece um dos melhores, senão o melhor trabalho da sua carreira ao viver uma personagem profundamente complexa, ao mesmo tempo que (também no penúltimo episódio) evidencia ser uma vigorosa estrela de ação badass num plano-sequência que faz lembrar aquele que vimos em Atomic Blonde.

Maniac é, em suma, um complexo drama existencialista de ficção científica, uma comédia surrealista, um mega-episódio de Black Mirror, uma cativante caixa de surpresas.

Não sei se Roma, de Alfonso Cuarón, assumirá esta posição daqui a uns meses, mas Maniac é, sem sombra de dúvida, o melhor original da Netflix de 2018.

Alex Vieira

Alex Vieira

Um ser que pensa que percebe de cinema e da vida.