CinemaCríticas de CinemaDestaquesTVCine e SériesPaterno – o estudo de um homem

Com Al Pacino no papel principal, Paterno é um filme biográfico que oferece mais perguntas do que respostas. Em exibição nos canais TVCine.  Joe Paterno foi o treinador da equipa de futebol americano Penn State Nittany Lions desde 1966 a 2011, tendo conquistado, ao longo desse período, 409 vitórias, inúmeros prémios e a admiração de toda uma nação. Após se reformar como assistente técnico dessa mesma equipa em 1999, Jerry Sandusky, amigo de longa data...
Alex Vieira Alex VieiraJun 30, 20187 min

Com Al Pacino no papel principal, Paterno é um filme biográfico que oferece mais perguntas do que respostas. Em exibição nos canais TVCine

Joe Paterno foi o treinador da equipa de futebol americano Penn State Nittany Lions desde 1966 a 2011, tendo conquistado, ao longo desse período, 409 vitórias, inúmeros prémios e a admiração de toda uma nação.

Após se reformar como assistente técnico dessa mesma equipa em 1999, Jerry Sandusky, amigo de longa data de Paterno, dedicou grande parte do seu tempo à The Second Mile, uma organização não-governamental destinada a ajudar crianças e pais carentes do estado da Pensilvânia. Fundada em 1977 (pelo próprio Sandusky), a instituição foi imensamente elogiada por George Bush H. W. Bush e recebeu múltiplas honras e doações.

Em novembro de 2011, no entanto, Sandusky foi detido por ter abusado sexualmente de mais de 40 crianças.

Paterno

Este é um filme sobre a morte, sobre morrer, desaparecer. Paterno (Al Pacino, extraordinário) está à beira do seu fim. A imprensa questiona-se: “Será que ele sabia?” A investigação não pára. O passado.

São poucas as vezes que vemos Sandusky (Jim Johnson). E quando o vemos, está bem, sorridente, sem grandes problemas – é o passado. Nunca o vemos a sofrer, no presente. Vemos Paterno. Observamos o seu comportamento, as suas deambulações, pensa muito. Em quê? Não sabemos exatamente – mas imaginamos.

Na TV, passa um jogo de futebol da sua equipa, em direto. Pela primeira vez em muitos anos, está em casa, a observar os seus jogadores sem poder ajudá-los. Ao fim de um tempo, levanta-se do assento. Continuamos a ouvir o relato enquanto a câmara não o larga, captando a angústia, a prisão, o  sufoco, o cansaço que sente.

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Paterno

Realizador de obras excelentes, como Encontro de Irmãos e Manobras na Casa Branca, Barry Levinson, juntamente com a sua equipa, cria um ambiente frio, triste, sombrio, azulado, que oprime os personagens. A banda sonora do Evgueni e do Sacha Galperine emprega peso e um certo sentido de urgência às cenas, ao mesmo tempo que consegue retratar eficazmente a confusão do estado de espírito do protagonista. Por sua vez, a montagem do Ron Patane e do Brad Turner, embora por vezes abuse nos cortes, consegue dar uma agilidade à história (que o argumento, por si só, não consegue nalgumas ocasiões).

Contando ainda com um desempenho intrigante de Riley Keough, Paterno é, em suma, uma dramatização sólida sobre um dos escândalos mais comentados da década e um estudo complexo acerca de uma personalidade que dividiu (e ainda divide) muitas opiniões.

Alex Vieira

Alex Vieira

Um ser que pensa que percebe de cinema e da vida.