CinemaCríticas de CinemaDestaquesComo “Três Cartazes à Beira da Estrada” chamaram a atenção de todos

Se vos dissessem que o argumento de um  filme tinha como base três cartazes numa estrada em que “só os idiotas passam ou alguém que esteja perdido”, achavam que podia vir daí um forte candidato aos Óscares? Pois bem, este é o caso de “Três Cartazes à Beira da Estrada” que conquistou 4 Globos de Ouro no passado dia 7 de janeiro, um deles o de “Melhor Filme Drama” e que se apresenta agora como um forte...
Jan 12, 201818 min

Se vos dissessem que o argumento de um  filme tinha como base três cartazes numa estrada em que “só os idiotas passam ou alguém que esteja perdido”, achavam que podia vir daí um forte candidato aos Óscares?

Pois bem, este é o caso de “Três Cartazes à Beira da Estrada” que conquistou 4 Globos de Ouro no passado dia 7 de janeiro, um deles o de “Melhor Filme Drama” e que se apresenta agora como um forte candidato às nomeações da cerimónia mais importante do cinema.

Ver também: Os Vencedores dos Prémios Globos de Ouro de 2018 numa noite “marcada a negro”

Na pequena cidade de Ebbing, Missouri, Mildred Hayes, ao passar por uma estrada praticamente remota, repara em três outdoors que estão vazios e decide fazer algo descabido. O único senão desta ideia é que ela é mãe de Angela Hayes, a rapariga que foi “violada enquanto morria” naquela mesma estrada e, como tal, o que Mildred decide colocar nos  cartazes é nada mais, nada menos que o resumo do que aconteceu à filha, a constatação do facto de ainda não terem havido detenções e uma pergunta dirigida ao chefe da polícia  sobre o porquê de não terem conseguido encontrar o culpado.

Toda esta estratégia ousada da parte de Mildred para “incentivar” a polícia a procurar respostas, chama a atenção de todos, despoletando situações indesejadas por parte dos habitantes da cidade, especialmente do polícia racista e desmiolado, Dixon que insiste em causar os maiores estragos para defender o amigo e chefe, mesmo que isto signifique ir contra a lei.

É um filme sem dúvida maravilhoso e não admira que, muito provavelmente, vá estar na corrida aos Óscares. O argumento não se foca  na resolução do caso, mas na tensão familiar de todos os que foram afetados. Utiliza também humor negro de uma maneira que não cansa (tirando algumas cenas com o ex-marido de Mildred e a namorada de 19 anos). Apesar de não vermos o que aconteceu a Angela, sofremos com o  desespero de Mildred, criando  um sentimento de solidariedade para com ela.

Esta personagem tem uma  personalidade peculiar,  Mildred não parece preocupar-se com o que os outros pensam. Para além de ter sempre a resposta na ponta da língua como farpas que se atira a alguém. Esta interpretação  incrível  só podia vir da veterana Frances McDormand (vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz) que tem ao seu lado outros grandes nomes como Woody Harrelson e Sam Rockwell que surpreendeu todos com este papel, consagrando-se então o Melhor Ator Secundário nos Globos de Ouro. Lucas Hedge, conhecido por “Manchester by the Sea”, não desilude com o seu papel de filho de Mildred. Aliás, nem diria que estão a interpretar personagens porque em momento algum senti que havia alguém para representar.

Martin McDonagh (realizador e escritor do “Em Bruges”) recebeu de forma merecida o “Globo de Ouro de Melhor Argumento” por conseguir entregar aos espetadores um filme que nos deixa agarrados do início ao fim, com uma história que poderia deixar muito a desejar mas que foi trabalhada de uma maneira interessante e eficaz.

Quero deixar também uma menção à banda sonora por parte de Carter Burwell que ajudou a dar ainda mais vida e emoção a esta história.

 

Beatriz Silva

Beatriz Silva

Beatriz, 24 anos. Sou uma pessoa demasiado comunicativa, seriéfila, a treinar para ser uma verdadeira geek. Fundadora do site The Golden Take. Se alguma vez se cruzarem comigo e eu estiver a abanar a cabeça… Provavelmente estou a ouvir bandas sonoras de filmes!