CinemaCríticas de CinemaDestaquesVelvet Buzzsaw – A arte da dissonância

Depois da première no Festival de Sundance, Velvet Buzzsaw, com Jake Gyllenhaal e Rene Russo, chega agora à Netflix. Um funeral. Morf Vandewalt (Jake Gyllenhaal), um renomado crítico de arte, olha enojado para o caixão do falecido. Comenta arrogantemente a péssima escolha de cor, o aspeto barato da caixa comprida. A sua acompanhante, Josephina (Zawe Ashton), pede-lhe para falar mais baixo. Ele ignora-a… “A sério, imagina passar a eternidade ali.” Dias antes, Jacqueline havia encontrado um...
Alex Vieira Alex VieiraFev 3, 201932/1007 min
Duração
112 minutos
Género
Terror, Mistério, Thriller
Estreia
1 FEV. 2019
Distribuidora
Netflix
Overall Score
Rating Overview
Realização
30%
Argumento
15%
Representação
45%
Banda Sonora
30%
Fotografia
40%
Rating Summary
Em Velvet Buzzsaw, Gilroy mostra-se perdido, obrigando o seu elenco estelar a interpretar caricaturas enfadonhas, ao mesmo tempo que cria uma experiência de terror patética.

Depois da première no Festival de Sundance, Velvet Buzzsaw, com Jake Gyllenhaal e Rene Russo, chega agora à Netflix.

Um funeral. Morf Vandewalt (Jake Gyllenhaal), um renomado crítico de arte, olha enojado para o caixão do falecido. Comenta arrogantemente a péssima escolha de cor, o aspeto barato da caixa comprida. A sua acompanhante, Josephina (Zawe Ashton), pede-lhe para falar mais baixo. Ele ignora-a… “A sério, imagina passar a eternidade ali.”

Dias antes, Jacqueline havia encontrado um homem morto no seu prédio. Ele era um misterioso artista e o seu apartamento está repleto de obras-primas. Rhodora (Rene Russo), chefe de Jacqueline, vê neles uma mina de ouro. Arte e morte são os temas principais de Velvet Buzzsaw.

Velvet Buzzsaw
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Na verdade, há dois filmes aqui. O primeiro é um retrato caricato e superficial do universo da arte contemporânea, um autêntico oceano de sangue navegado por vampiros. Tal como uma obra de Altman, é um drama sem personagens principais, povoado, neste caso, por seres excêntricos, pretensiosos e desinteressantes. É, enfim, uma versão de quinta categoria do excelente O Quadrado, de Ruben Östlund.

O segundo é um slasher sobrenatural, se é que isso existe. Ao bom estilo da saga O Último Destino, as mortes são hilariantemente inventivas, mas a experiência torna-se repetitiva e cansativa ao fim de um certo tempo.  

Ora, será possível juntar estes dois filmes em um só? Claro que sim, mas Velvet Buzzsaw não nos oferece a prova. O original da Netflix é escrito e realizado pelo Dan Gilroy. Os seus trabalhos anteriores, Nightcrawler – Repórter da Noite e Roman J. Israel, Esq., são ótimos estudos de personagem, escritos com inteligência e sabedoria, e que nos brindaram com performances brilhantes.

Velvet Buzzsaw

Já em Velvet Buzzsaw, Gilroy mostra-se perdido, obrigando o seu elenco estelar a interpretar caricaturas enfadonhas, ao mesmo tempo que cria uma patética experiência de terror que nos tenta assustar com vulgaridades como o piscar de uma lâmpada.

Esta obra grita talento, tanto à frente como atrás das câmaras. O que diabos aconteceu? Que mensagem Gilroy tentou passar-nos aqui? Que a ganância é… má? Que a arte pode ser… “perigosa”? Era suposto eu ter interpretado esta barafunda como uma paródia, uma comédia negra?

Raios, que importa? Paródia ou não, não teve graça.

Alex Vieira

Alex Vieira

Um ser que pensa que percebe de cinema e da vida.