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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026Powered by Cinema Planet
Cinema

“Alita: Anjo de Combate” – Bonito mas robótico

“Alita: Anjo de Combate” – Bonito mas robótico

Depois da adaptação de “Ghost in the Shell”, em 2017, com Scarlett Johansson, Hollywood decidiu então dar uma outra tentativa em adaptar material japonês para o entretenimento do grande público. Desta vez, vindo de um desejo de James Cameron, deitaram as mãos à manga “Alita: Anjo de Combate”.

Num mundo totalmente alterado e dividido devido a uma grande guerra, a sociedade está divida em dois setores: o mundo terrestre, totalmente corrupto e destruído, e o mundo superior, onde a sociedade vive rodeada de luxos numa cidade flutuante.

Alita

É neste mundo que seguimos a história de Alita (Rosa Salazar), uma ciborgue descoberta na sucata por Dr. Dyson Ido (Christoph Waltz), que a reconstrói. A sofrer de amnésia, Alita terá de conseguir integrar-se na sociedade, descobrir de onde veio e compreender o seu propósito neste mundo.

Comecemos por falar aquilo que mais se destaca, de modo positivo, neste “Alita” – os efeitos visuais. Tendo por trás a equipa de James Cameron, que já conseguiram provar que têm um condão especial para materializar mundos imaginários e torná-los tangíveis. Todos os segmentos de acção são exilerantes e muito é devido aos estarmos pasmados com o mundo que nos é apresentado.

Rosa Salazar oferece uma boa performance com a sua Alita feroz mas inocente, com os seus olhos digitalmente aumentados, que consegue derreter corações ao primeiro impacto. A sua relação com a personagem de Christoph Waltz é a chama que mantém o filme aceso, sendo que têm uma química de pai-filha palpável e que detém a carga emocional.

Alita

Todos os outros atores, infelizmente, são postos de parte e não preenchem o potencial que poderiam ter. Tanto Mahershala Ali como Jennifer Connelly aparecem apenas por momentos e, apesar do seu magnetismo e forte presença, não conseguem deixar uma grande marca no espectador. Contudo, o pior caso recai sobre Keean Johnson com a sua personagem “Hugo”, o interesse amoroso de Alita, que não têm qualquer química juntos nem qualquer punho emocional em qualquer momento do filme.

Todavia, a grande fraqueza de “Alita: Anjo de Combate” reside no seu argumento. Grande parte do guião é uma grande parcela de exposição narrativa, que não serve nenhum propósito senão o de ensinar a audiência sobre o mundo e as personagens, que se tornam unidimensionais devido a isto. Muito tempo de filme é gasto em exposição e em estabelecer as ameaças e as confrontos, sendo que não chega, portanto, a existir um real desenlace na história.

Alita

“Alita: Anjo de Combate” é um bom exercício de efeitos visuais que demonstra na perfeição o alto nível a que já chegamos neste campo. No entanto, não passa de um mero episódio piloto mal construído que dá início a uma saga sem injetar o desejo no espectador de ver o resto.

João Borrega

João Borrega

João, 23 anos. Comunicador nato, com um apetite feroz para cinema e música. Quotes de cinema fazem parte do meu vocabulário diário e grande parte das minhas 24h é a pensar em filmes e cultura

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