CinemaDestaquesTelevisãoDeath Note | As diferentes versões da manga criada por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata

A 1 de dezembro de 2003 os mangakas Tsugumi Ohba e Takeshi Obata lançaram o primeiro capítulo de um manga sobre um jovem aparentemente normal que do nada adquire um misterioso caderno preto que lhe iria mudar completamente a vida. Death Note conta a história de Light Yagami, um estudante do secundário e um génio, que se sente aborrecido com a sua vida monótona. Um dia, encontra por acaso um estranho caderno preto, caído do...
Ago 26, 201722 min

A 1 de dezembro de 2003 os mangakas Tsugumi Ohba e Takeshi Obata lançaram o primeiro capítulo de um manga sobre um jovem aparentemente normal que do nada adquire um misterioso caderno preto que lhe iria mudar completamente a vida.

Death Note conta a história de Light Yagami, um estudante do secundário e um génio, que se sente aborrecido com a sua vida monótona. Um dia, encontra por acaso um estranho caderno preto, caído do céu, com um bizarro nome na sua capa: Death Note. Curioso, leva-o para casa e começa a folheá-lo, encontrando uma lista de regras sobre como o utilizar. A primeira regra então ficar-lhe-ia marcada na mente para o resto da vida.

“O humano cujo nome for escrito neste caderno morrerá.”

Rapidamente, a vida de Light muda instantaneamente assim que começa a experimentar o poder do caderno. Depois de comprovar o poder tenebroso do caderno, o jovem decide usá-lo para eliminar todo o mal do mundo, matando criminosos e porporcionando um paraíso para aqueles que acha dignos de viver. A ele junta-se Ryuk, um shinigami, ou Deus da Morte, e o responsável por ter largado o caderno no mundo humano, que o acompanha na demanda do jovem para se tornar no “deus do novo mundo”.

A partir daqui, a vida de Light torna-se numa sucessão de acontecimentos que põem à prova as suas capacidades intelectuais. L, o maior detetive do mundo, investiga as inúmeras mortes que acontecem no mundo inteiro, enquanto mede forças com Light numa batalha em que ambos tentam descobrir a identidade do outro.

Com uma premissa tão forte como esta, não é de admirar que Death Note tenha alcançado um enorme sucesso durante a sua publicação. Desde então, até aos dias de hoje, diversas adaptações foram lançadas, desde filmes, séries, videojogos e até mesmo um musical. Neste artigo, no entanto, serão apresentadas apenas as diversas adaptações que tiveram lugar no pequeno e grande ecrãs. Por isso, o manga, musical e videojogos não serão abordados.

Death Note – Anime

Uma excelente adaptação do manga, esta versão mostra-nos Light Yagami como um genial aluno de secundário que encontra um caderno de capa preta chamado Death Note. Intrigado, ele decide começar a experimentar o poder do caderno, ficando cada vez mais inebriado com a habilidade de matar qualquer pessoa apenas com nome e rosto. Rapidamente, decide iniciar uma utopia, na qual eliminaria todos os criminosos do mundo.

Esta é a premissa original de Death Note. Com uma excelente animação e uma história cheia de intrigas, os trinta e sete episódios adaptam muito fielmente a história original, com muito bons atores de voz e um enredo que prende o espectador do início ao fim.

Death Note – Live Action

Adaptação lançada a 17 de junho de 2006, um mês depois do término do manga, Death Note apresenta Tatsuya Fujiwara e Kenichi Matsuyama como Light e L, respetivamente. Sendo a primeira de duas partes, o filme adapta de uma forma consideravelmente fiel os primeiros volumes do manga, desde o momento em que Light adquire o caderno até à apresentação de L ao jovem.

À primeira vista, as diferenças mais notórias não estão particularmente nas personagens. Light é na mesma um jovem génio que quer seguir as pisadas do pai e L é um detetive excêntrico, de comportamentos peculiares e amante de doces. Matsuyama faz um excelente trabalho na sua representação de L, desde o seu aspeto físico até à sua personalidade. Por sua vez, Fujiwara mostra o seu grande talento como ator ao interpretar muito fielmente a personagem de Light, embora o seu aspeto em muito falha em captar a essência da personagem original.

Em termos de história, como já referido, não há muita diferença, tirando o momento em que a história de Naomi Misora é expandida durante a investigação do assassinato do seu noivo Raye Iwamatsu. O filme também apresenta a personagem Shiori Akino, namorada de Light, que acaba por ter um papel crucial perto do fim.

Death Note: The Last Name

Continuando a história da primeira parte, “The Last Name” coloca Light e L lado a lado na investigação para encontrar Kira. Enquanto isso, Misa Amane, adoradora de Kira e possuidora de um Death Note e dos Olhos do Shinigami, que lhe permitem ver o nome de qualquer pessoa, faz os possíveis para encontrar o seu salvador e juntar-se a ele na criação do novo mundo.

Embora ainda houvesse imenso para cobrir em termos de história original, esta segunda parte é uma conclusão da história, adaptando a parte em que o segundo Kira é revelado e o momento em que Kiyomi Takada se apodera do caderno, ignorando o arco da Yotsuba presente na história original.

Pessoalmente, considero este segundo filme como uma versão mais fraca que o anterior. Para quem nunca leu o manga ou viu o anime, ambas as partes poderão ter um bom pacing, mas para quem acompanhou o original, a partir do momento em que Takada é capturada, o resto da história torna-se demasiado apressada, e como tal, nunca chegamos a ver uma versão live action das personagens Near e Mello, sucessores de L na história original. No entanto, é uma adaptação aceitável, fiel aos elementos originais e com uma boa história.

L Change the World

Era necessário um terceiro filme para criar uma trilogia, e Matsuyama teve uma prestação tão memorável como L que em 2008 um filme inteiramente dedicado ao detetive foi lançado. “L Change the World” passa-se durante os 23 dias restantes da vida de L, durante os quais decidiram ensanduichar uma história sobre uma organização terrorista que deseja largar um perigoso vírus no mundo e dizimar a maior parte da humanidade. Então, L vê-se numa corrida contra o tempo enquanto tenta manter a salvo Maki Nikaido, uma jovem filha de um cientista, e um rapaz com grandes capacidades matemáticas e o único sobrevivente de um surto do vírus numa aldeia tailandesa.

Pessoalmente, acho este filme desnecessário. Nada tem a ver com Death Note, apesar de várias cenas que se passam durante o segundo filme e de um cameo de Ryuk, e apenas serviu para tentar expandir um pouco mais a personagem de L. No entanto, nada mais sabemos sobre a personagem. A interação com ambas as crianças acaba por ser aborrecida na maior parte das vezes, e apesar de o vermos fazer coisas inéditas, como correr ou andar de bicicleta, isso em nada nos ajuda a compreendê-lo melhor.

Mesmo assim, para quem é fã, este filme não é uma má opção.

Death Note – TV Drama

Tendo sido lançado em 2015, este TV Drama de onze episódios recontam a história original de uma forma diferente, enquanto vai adaptando o conceito original e tomando algumas liberdades.

Nesta versão, Light não é o génio que a versão original passa, nem mesmo é um estudante aborrecido com a vida. Em vez disso, é sorridente, com um bom grupo de amigos, um emprego em part-time e fã da Misa Amane. Logo nestes primeiros momentos já reparamos na enorme discrepância entre este Light e o do manga. Este deixa-se levar mais facilmente pelas emoções, acaba por deitar a perder muitas oportunidades e só mesmo pela sorte é salvo.

No entanto, Masataka Kubota demonstra ser um excelente Light no que toca à sua aparência e à forma demoníaca como mostra certas expressões faciais. Por sua vez, Kento Yamazaki apresenta-se como um L diferente, tanto física como psicologicamente. A personalidade excêntrica e capacidade de dedução continuam presentes, mas este L aparenta ser mais frontal, mais expressivo, mais sociável. Claramente uma variação também ela interessante da personagem.

Interessante é também a abordagem que a série fez de Near e Mello, os dois sucessores de L. Ao contrário do que acontece originalmente, ao invés de dois detetives, a série apresenta um Near com dupla personalidade, com Mello representado por um boneco de ventríloquo.

É na verdade uma série que aproveita os seus longos episódios para expandir a história e as suas personagens com tempo, adaptando calmamente cada um dos pontos mais importantes da história e tomando as suas liberdades. Pode não ser o favorito dos fãs, mas vale certamente a pena uma vista de olhos.

Death Note: Light Up the New World

E um ano depois do TV Drama, eis que uma nova produção de Death Note chega ao grande ecrã. “Light Up the New World” é uma história inteiramente original, passada dez anos depois dos primeiros três filmes, e que expande mais o universo live action.

A história começa quando seis Death Note são lançados no mundo humano, e não tarda para que os humanos que os possuem comecem a usá-los à sua maneira. No entanto, um dos possuidores começa a matar os restantes e a reunir os seis Death Note aos poucos. Então, de forma a tentar localizar o novo Kira, uma equipa policial reune-se juntamente com Ryuzaki, o sucessor do falecido L, numa luta contra o tempo para encontrarem o culpado e apreenderem os seis cadernos.

Pessoalmente, considero que este filme tem uma premissa interessante e uma história bem contada. Algumas personagens dos filmes anteriores, como Matsuda, Misa e Ryuk, regressam, mas as suas presenças não têm muito peso na história. As novas personagens, no entanto, falham em entregar prestações memoráveis, e são facilmente esquecidas. Os twists no enredo dão um pouco mais de vida ao filme, e a personagem de Ryuzaki é sem dúvida a melhor do filme. Aconselho a dar uma vista de olhos, pois acaba por ser um muito interessante take na história do live action.

Tiago Costa

Tiago Costa

Estudante de Mestrado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e redator no Cinema Pla'net desde outubro de 2015. Amante de cinema, séries, animes e videojogos, procura sempre uma oportunidade para conciliar estas quatro paixões e aumentar um pouco mais os seus conhecimentos sobre ficção.