Um mockbuster é um filme que tem como objetivo lucrar com o sucesso ou fama de uma produção muito maior, ou seja, um blockbuster.

Este tipo de filmes caracteriza-se como muito similares à sua contraparte, com uma capa de DVD muito parecida, nomes quase idênticos e história que faz lembrar o original. Normalmente, os mockbusters são feitos com um orçamento incrivelmente reduzido e lançados automaticamente para DVD pela mesma altura que os originais vão para o cinema.

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Apesar de os mockbusters já existirem há mais tempo do que se julga, hoje em dia têm ganho alguma notoriedade graças à facilidade com que se conseguem divulgar os diversos títulos. Produtoras como The AsylumVídeo Brinquedo e a GoodTimes Entertainment começaram a ser bastante conhecidas pelas suas produções de baixa qualidade, tentando ganhar algum com as suas “adaptações”. É com o objetivo de divulgar e explorar os mockbusters que existem que o “Blockbuster Vs Mockbuster” surgiu.

Semanalmente traremos uma seleção de quatro filmes que tiveram direito a uma contraparte visivelmente inferior e que serviram claramente para lucrar com o sucesso dos seus mais bem produzidos irmãos de Hollywood.

Thor

O filme da Marvel introduz pela primeira vez no cinema o lendário deus nórdico, interpretado por Chris Hemsworth. Brandindo o seu poderoso Mjolnir, o herói titular luta para conseguir recuperar o lugar que é seu por direito e impedir que Loki se apodere do trono de Odin. Este filme teve opiniões diversas, algumas boas, outras menos boas, mas teve uma estreia sólida o suficiente para poder garantir mais duas continuações.

Almighty Thor

 

É mais que certo que esta rubrica vai abordar uma tonelada de filmes da The Asylum, uma produtora independente que tem conseguido bastante notoriedade nos últimos anos com os seus mockbusters. E Almighty Thor não é para menos. Nesta versão, Cody Deal é o deus do trovão, e o seu trabalho neste filme é impedir que Loki consiga conquistar Asgard permanentemente. Parece muito parecido com o enredo da sua contraparte, mas a verdade é que esta versão mostra-se ser bastante mais simples. Thor é um jovem inexperiente que precisa de ser treinado por uma Valquíria chamada Járnsaxa (Patricia Velásquez) para poder forjar um novo Martelo da Invencibilidade e derrotar Loki, só isso. O filme é pouco desenvolvido, com elementos que são introduzidos apenas para fazer tempo, cenários vazios e efeitos muito pouco convincentes.

 

Snakes on a Plane

Quem ainda se lembra da mítica frase de Samuel L. Jackson neste filme quando, já perto do clímax, berra “I have had it with these motherfucking snakes on this motherfucking plane“? Para mim, foi um dos poucos momentos que salvou o filme. Contudo, Snakes on a Plane apresentou um conceito até interessante e de certa forma assustador: o que aconteceria se serpentes perigosas fossem libertadas num avião? O filme é tenso e com boas cenas de ação, fazendo os possíveis para não aborrecer a audiência.

 

Snakes on a Train

Ao contrário desta vergonha, também ela realizada pela The Asylum. O mais triste é todo o poster prometer um filme muito mais intenso que a contraparte e nos levar completamente ao engano. É dito no poster que cem passageiros estão presos no comboio e o mesmo encontra-se bastante vazio, ao ponto de não vermos nem metade dessa centena de pessoas. É dito também que existem 3000 serpentes venenosas. Outra mentira, não chegamos a ver mais de cinquenta ao longo de todo o filme. E a cobra gigante a engolir o comboio, embora aconteça, apenas ocupa os últimos minutos do filme, antes de a própria criatura ser derrotada com um Deus Ex Machina que não convenceu ninguém. Apesar de a história se divergir da sua contraparte, este filme não é bom nem para fazer rir.

 

Paranormal Activity

Antes mesmo de a franquia se ter tornado na anedota que é hoje, Paranormal Activity era um muito interessante filme que elevava o conceito de found footage e criava um ambiente tenso e assustador. No filme, um casal decide registar em vídeo os estranhos acontecimentos que vão havendo na nova casa para onde se mudaram. A atividade paranormal aparente na casa vai piorando até culminar num final que chocou muita gente.

 

Paranormal Entity

Não vou estar a escamotear demasiado este filme: Paranormal Entity é uma cópia da sua contraparte, sem tirar nem pôr. Estranhos acontecimentos paranormais perturbam uma família, câmaras são instaladas, coisas assustadoras vão acontecendo e tudo termina em tragédia. A história é ligeiramente diferente de Paranormal Activity, mas este tem ainda menos substância, é aborrecido do princípio ao fim e as personagens não têm qualquer pingo de emoção na performance. A evitar completamente.

 

Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull

As magníficas aventuras do arqueólogo Indiana Jones continuam neste quarto filme daquela que durante muito tempo foi considerada uma trilogia. Nesta produção, Indy tenta impedir que os russos se apoderem da lendária Caveira de Cristal, enquanto reencontra um antigo amor e descobre que tem um filho rebelde. Adorado por uns, odiado por outros, este filme tem certamente  o seu q.b. de momentos que o tornam inesquecível, tanto para o bem como para o mal.

Allan Quatermain and the Temple of Skulls

O poster deste filme mostra claramente como a presunção da The Asylum pode ter dimensões astronómicas. Allan Quatermain and the Temple os Skulls é claramente baseado no livro “As Minas de Salomão“, de Henry Rider Haggard. Contudo, não é isso que o poster mostra. A imagem de um aventureiro de chicote e chapéu já estava a abusar, mas quando acima é dito que o filme veio da história que inspirou Indiana Jones, então claramente temos um problema de ego. Na verdade, enquanto Indiana Jones era um tributo aos filmes e séries de aventuras dos anos 50, conseguindo uma das melhores séries de filmes de sempre, este mockbuster é apenas uma aventura vazia em que o herói tem de encontrar um tesouro lendário e escapar dos seus rivais.