Contos de fadas e histórias fantásticas existem há centenas de anos, ajudando a povoar a imaginação de milhões de pessoas e levando-as a mundos mágicos onde tudo é possível.

Hoje em dia, a fantasia está ao nosso redor, com toneladas de romances, filmes, séries e videojogos povoados dos mais belos seres e tenebrosas criaturas, aventuras de capa e espada e magias mirabolantes. Todas estas histórias mostram o quão viva pode ser a imaginação humana, ao ponto de nos transportar para tais realidades e nos fazer sentir os heróis que salvam o dia.

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No que toca ao cinema, há espaço para tudo, e sempre que um grande filme de fantasia dá os seus primeiros passos nas salas de cinema, é quase certo uma produtora independente avançar com a sua versão adaptada. O Blockbuster Vs Mockbuster desta semana mostra mais quatro filmes que mostram que até as produtoras independentes podem aplicar os seus minúsculos orçamentos em histórias fantásticas com princesas, gigantes e até mesmo dragões.

Maleficent

https://www.youtube.com/watch?v=90L0ORLMimE

O filme de 2014 protagonizado por Angelina Jolie é uma versão ligeiramente diferente do clássico animado da Disney de 1959. Nesta versão, acompanhamos toda a história sob ponto de vista de Maleficent, a (suposta) Rainha de Todo o Mal, enquanto assiste ao crescimento da jovem Aurora e acaba por criar uma boa relação com a menina que havia amaldiçoado em bebé. O filme causou muitas reações mistas, com pessoas a adorá-lo e a odiá-lo. A ideia de pegar numa das vilãs mais temidas e amadas do universo Disney e transformá-la numa personagem redimível foi uma jogada ousada mas que, infelizmente, não foi suficiente para causar boa impressão entre os críticos.

Sleeping Beauty

Com uma gigantesca produção a caminho, não era de estranhar que a The Asylum tentasse marcar território com a sua própria adaptação. E, pessoalmente, “Sleeping Beauty” é francamente superior a “Maleficent“. Não distorce uma ideia previamente estabelecida e ainda reconta uma história clássica de uma forma original. Neste filme, um príncipe e o seu grupo partem numa aventura para encontrarem e resgatarem uma princesa que dizem estar sob uma maldição que a deixou num sono profundo. Para isso, enfrentam muitos perigos, desde estranhas criaturas a mortos-vivos e uma rainha malévola. Simples, previsível e com um esforço muito mais pequeno, mas ao mesmo tempo uma lufada de ar fresco para todas as variações da mesma história.

Jack The Giant Slayer

Um outro filme que reconta uma história infantil, este, contudo, não tenta ser uma versão diferente de outra já estabelecida pela mesma produtora. Este é um filme que expande a história de “João e o Pé de Feijão“, tornando-a numa versão mais séria e com mais ação. Jack, um jovem agricultor, junta-se a um grupo de voluntários vassalos do Rei e parte para um reino governado por gigantes, no topo de um enorme pé de feijão, para resgatar uma princesa. Enquanto isso, Jack acaba por desvendar uma conspiração que poderá levar a uma invasão dos gigantes no reino. Também um filme com opiniões mistas, mas sem dúvida uma aceitável adaptação da história clássica.

Jack The Giant Killer

Mais uma vez a The Asylum continua a querer deixar a sua marca com mais uma versão da tão bem conhecida história. Contudo, ao contrário de “Sleeping Beauty“, este tem muito pouca imaginação para se conseguir desprender da sua contraparte, apesar das diferenças. A história do filme passa-se nos dias de hoje e acompanha um jovem chamado Jack que, depois de ter trepado por um pé de feijão acima e descoberto um reino povoado por criaturas gigantescas que não perdem tempo a marchar para a terra. Os efeitos dos monstros estão ainda mais falsos do que o costume para a The Asylum, mesmo para 2013, e a performance dos atores não convence o o suficiente para agradar nem ao mais sereno dos espetadores.

The Hobbit: An Unexpected Journey

https://www.youtube.com/watch?v=T90Holdcrps

Depois de muitos anos de espera, a história que deu à luz o universo da Terra Média de J. R. R. Tolkien teve finalmente a sua estreia em 2012. As aventuras de Bilbo Baggins encantaram muita gente ao longo dos três filmes, mas foi com este primeiro que ficámos a saber como um simples e caseiro hobbit ganhou o gosto pela aventura e conseguiu o Anel que se tornaria no objeto amaldiçoado em “The Lord of the Rings“. Apesar de um filme com muito detalhe e demasiados aspetos que podiam muito bem ter ficado de fora, não deixou de ser uma aventura emocionante e o primeiro capítulo de um épico que, apesar de não ter estado à altura da trilogia anterior, soube empolgar os fãs e deixá-los com vontade de acompanhar as aventuras de Bilbo, Gandalf e os treze anões até ao fim.

Clash of the Empires

Também conhecido como “Age of the Hobbits” (título que levou a produtora a receber um processo judicial pela Warner Bros.) e também “Lord of the Elves“, este filme pode tentar afastar-se o mais possível da sua contraparte, mas a existência de um povo de hobbits no filme, e a memória fresca da produção de Peter Jackson ainda na mente das pessoas fez com que este filme não fosse dos menos bem vistos de toda a produtora. O filme aborda a luta entre uma comunidade de hobbits e os Java, os seus opressores. Para poderem livrar o seu povo de tal tirania, um hobbit aventureiro pede ajuda aos humanos para que o auxiliem a voltar a ter paz. Uma premissa interessante, mas fracamente aplicada.

Eragon

A história de um rapaz orfão que recebe um estranho objeto enviado por uma princesa e que descobre a história de um grupo de guerreiros que outrora lutaram pela justiça, levando-o a tornar-se num deles, já é bem conhecida no mundo. Contudo, não é de “Star Wars” que estou a falar, mas sim de “Eragon“, cuja premissa é, francamente, similar. E o filme tratou-se de evidenciar isso ao máximo. A história original só por si é fraca e o filme contém alguns dos piores momentos num filme de fantasia, ignorando pontos importantes do livro e falhando em reproduzir certos elementos tal como haviam sido descritos originalmente. O livro pode ter fãs dedicados, mas a adaptação cinematográfica é simplesmente intragável.

Dragon

Então eis que chega “Dragon“, como se não houvesse nomes menos originais para filmes (ou como se um nome como “Eragon” não mostrasse suficiente falta de imaginação). Não há para falar sobre este filme: é passado numa floresta, onde uma princesa e um grupo de guerreiros tentam encontrar um perigoso dragão e matá-lo. Enquanto isso, tentam lidar com a iminente guerra contra elfos negros. Toda a história parece mais saída da imaginação de um jogador de “Dungeons & Dragons“, com humanos, elfos, necromantes e dragões. Surpreendentemente, a crítica a este filme foi razoavelmente positiva, havendo quem gostasse dos efeitos especiais e mesmo classificando o filme como um bom entretenimento familiar.