Nas últimas edições doBlockbuster Vs Mockbuster eu tenho abordado filmes que pertencem praticamente à mesma companhia independente de filmes, o que até é compreensível, tendo em conta a enorme quantidade de produções que a The Asylum tem feito ao longo dos anos.

Contudo, apesar de ainda não ter abordado um décimo dos filmes que essa produtora já lançou, há que ter em conta que esta não é a única companhia independente que se dá ao luxo de fazer as suas próprias adaptações low cost. Outras empresas aproveitam o sucesso de produções maiores para lançar o seu isco e esperar que pessoas menos informadas o venham morder, pensando tratar-se de algo com qualidade. E uma das empresas que tem também dado que falar no mercado da animação em CGI é precisamente a Vídeo Brinquedo.

Fundada em 1994, esta companhia de São Paulo, Brasil, a Vídeo Brinquedo é uma produtora independente que durante os seus primeiros anos vivia apenas da distribuição de desenhos animados no mercado brasileiro. Depressa começaram a lançar as suas próprias produções em 2D, adaptando histórias infantis como “Pinocchio” e “Os Três Porquinhos“. Não tardou para que evoluísse para o caminho do 3D, e foi a partir desse momento que as coisas descambaram, surgindo mockbuster atrás de mockbuster, tentando lucrar com produções de estúdios como a Pixar e a DreamWorks. E serão quatro dessas produções que irei abordar esta semana.

1. Cars

Esta produção animada da Pixar introduz a personagem Lightning McQueen, um jovem carro de corrida que quer ser o melhor e ganhar o próximo grande campeonato. Ao encontrar-se com algumas personagens peculiares como Sally, um Porsche, e Doc Hudson, um camião de reboque, o nosso protagonista aprende que a vida não é só fama e galardões. Uma aposta certamente ousada da Pixar, mas que teve suficiente sucesso para trazer uma continuação em 2011.

2. Os Carrinhos em: A Grande Corrida

Esta abominação da animação foi uma das primeiras produções em CGI da Vídeo Brinquedo, despoletando uma franquia de mais quatro filmes e uma série de outros mockbusters. Em “Os Carrinhos“, o protagonista, Tonny Tunado (a sério), é um entregador que sonha em ser um carro de corrida. Então, com o seu amigo Konbo, ele vê-se em várias aventuras que o colocarão à prova antes da tão esperada corrida. Com pouco mais de meia hora de duração, este filme é horrendo a cada minuto que passa, e os carros têm tão pouca personalidade e uma expressão tão desprovida de alma que o mais certo é provocar pesadelos nos mais novos à noite.

3. Bee Movie

À primeira vista, “Bee Movie” não parece ter uma premissa assim tão má: uma abelha procura algo mais do que aquilo que o seu destino lhe reserva, por isso decide aventurar-se para fora da sua colmeia e conhecer o mundo que a rodeia. Acaba por encontrar-se com uma mulher e após revelar a sua capacidade de se comunicar com ela, ambos desenvolvem uma amizade invulgar. Quando o protagonista descobre que os humanos compram e consomem mel, toda a história torna-se numa demanda para processar os humanos pelo roubo de tão preciosa substância. Apesar de tão ousado como o filme anterior, “Bee Movie” teve críticas mistas, conseguindo que a voz do comediante Jerry Seinfeld não tornasse o filme num fracasso total e conseguindo quase 300 milhões de dólares em bilheteira.

4. Abelhinhas

É tão, mas tão difícil saber do que se trata este filme somente por ver o trailer, por isso vou apenas contar o que percebi pela pouca informação que me foi passada. Pelos vistos, numa colmeia há um soldado que prefere fazer mel em vez de treinar para a guerra e há uma abelha fazedora de mel que gosta de lutar. Para além disso, parece haver um cozinheiro na colmeia que prepara um tipo de mel que os humanos não gostam e por causa disso há uma guerra entre humanos e abelhas. Basicamente, é uma história de revolta e de autodescoberta, no sentido em que as abelhinhas pretendem lutar contra o seu destino e descobrir o que querem ser. E eu creio que este filme tenha tido muitas dificuldades em descobrir o seu próprio rumo.

5.  Ratatouille

Um filme muito famoso e aclamado, “Ratatouille” conta a história de um ratinho chamado Remy que tem o desejo de se tornar num chef, apesar de a sua condição dificultar em muito as coisas. A sua vida dá uma volta de 360º quando num dos mais conceituados restaurantes de Paris, conhece o jovem Linguini, um lixeiro, e rapidamente desenvolvem uma aliança que faz com que toda a cidade fique maravilhada com os dotes culinários de ambos. “Ratatouille” é uma excelente história de amizade, família e escolha que encanta tanto miúdos como graúdos.

6. Ratatoing

E claro que tinha de haver uma contraparte vergonhosa. Marcell Toing é um rato chef que possui um restaurante no Rio de Janeiro, juntamente com os seus assistentes Carol e Greg. Para conseguir ter ingredientes para continuar a servir os seus clientes, Toing e os amigos fazem buscar semanais às cozinhas dos humanos. Contudo, cozinheiros rivais estão dispostos a tudo para descobrir o segredo do talentoso rato e… é só isto. Não há um enredo sólido, um desenvolvimento de personagens, nada. E apesar de a premissa parecer interessante, não o é, e rapidamente fica gasta, fazendo deste filme de 45 minutos uma autêntica perda de tempo.

7. Kung Fu Panda

A história do panda desajeitado que se torna num grande lutador de Kung Fu deve ser uma das melhores animações alguma vez produzidas pela DreamWorks e bastante aclamada, com o terceiro título da franquia já nos cinemas e prometendo mais uma excelente história. Po trabalha na loja de noodles da família, enquanto pela noite este sonha em ser um grande mestre de artes marciais. Até que um dia, uma antiga profecia fá-lo aperceber-se que é o único que poderá salvar o seu povo da destruição. “Kung Fu Panda” é uma obra-prima da animação em CGI, misturando bom humor com boa ação e ainda uma boa mensagem.

8. Ursinho da Pesada

Também conhecido no estrangeiro por “The Little Panda Fighter“, esta é outra abominação vinda das mãos da Vídeo Brinquedo. A história deste filme é tão atroz que quase não encaixa com o título dado. Pancada é um panda que trabalha num clube de boxe e gosta de dançar balé mas que a dada altura terá de entrar num ringue e lutar. A razão? Apenas um caso de troca de identidades, só isso. Não há desenvolvimento de personagens, não há consistência no enredo, não há nada sólido que possa salvar esta peça de mediocridade cinematográfica. Uma continuação estava agendada para 2015, mas felizmente tal nunca foi para a frente. E ao ver o que “Um Ursinho da Pesada” se tornou, foi pelo melhor.