Parece que se voltou à estaca zero. Depois de Tobey Maguire e de Andrew Garfield, chega-nos a terceira tentativa da Sony para tentar fazer algo de bom com a personagem, desta vez interpretada por Tom Holland.

Mas agora a Sony não está sozinha, agora tem a ajuda de Kevin Feige e a sua equipa por detrás da MCU (Marvel Cinematic Universe) que não tencionam desapontar nem os críticos nem os fãs da personagem, algo que nos foi demonstrado na sua entrada no filme “Capitão América: Guerra Civil”.
Um ano depois, o filme a solo a cargo do realizador Jon Watts mostrava alguma promessa para os fãs do aranhiço, mas o marketing apresentado do filme estava a ser horrível: os trailers mostravam basicamente o filme todo e os pósteres do filme foram considerados, por muitos, uns dos piores pósteres feitos nos últimos tempos.

Queria isto dizer que a Sony estava a fazer das suas de novo, a cometer o mesmo erro que cometeu com “O Fantástico Homem-Aranha 2: O Poder de Electro”?

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Posso dizer com mil certezas que não precisam de ter medo da Sony (pelo menos por enquanto), porque este é certamente o melhor filme do Homem-Aranha desde 2004.
Este filme capta perfeitamente a essência do Peter Parker e do Homem-Aranha, e o Tom Holland mostra ser o casting perfeito para encarnar ambas as personagens, conseguindo mostrar muito bem os dois lados da mesma moeda, o lado geek esperto da escola e o lado heróico e carismático do Homem-Aranha.
Algo que este filme também teve a inteligência de fazer, foi não voltar a mostrar, pela terceira vez, as origens de Peter e as suas motivações para ser o Homem-Aranha. Tanto uma como a outra já foram coisas exploradas várias vezes tanto em filmes como na banda desenhada e nas séries de TV. Hoje em dia, toda a gente conhece as origens da personagem, por isso o filme decidiu não perder tempo com essas coisas e seguiu logo em frente, com os acontecimentos posteriores aos da “Guerra Civil”. O filme apenas tem a intenção de nos mostrar que Peter Parker quer ser um Vingador e está disposto a deixar de resolver os pequenos crimes da cidade de Queens e passar para a grande escala para impressionar Tony Stark com as suas capacidades e finalmente juntar-se à equipa. E ainda, o filme ao mostrar menos do que já sabemos da personagem, mostra mais daquilo que nunca nos foi apresentado nas representações anteriores da personagem.

E o vilão gente, o vilão! A Marvel finalmente conseguiu trazer um vilão decente para o ecrã, algo que estava em falta desde Loki! Michael Keaton mostra os seus dotes ao interpretar mais uma personagem que gosta de voar (se é que me entendem) e ele está no ponto. Há muito tempo que não via um vilão num filme de super-heróis onde o vilão de deixasse arrepiado. Sempre que ele aparece para confrontar alguém, não com o fato de Volture, ele mostra uma certa intensidade que lhe assenta muito bem.

Tenho a certeza que este vilão será dos mais memoráveis do universo cinematográfico da Marvel, e até dos filmes do Homem-Aranha em geral.

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A nível de personagens secundárias, cada uma faz o que lhe deve. Pode-se destacar o Tony Stark, a Tia May, que já são personagens que conhecemos, e o melhor amigo de Peter, que é quase como um sidekick para o Homem-Aranha.  Para além disso, não há nada demais a acrescentar. Não é que elas não existam e não façam nada, porque é exatamente o contrário, mas como não quero entrar em spoilers, mais vale não dizer nada.

E a banda sonora do Michael Giacchino Fiquei sem palavras quando me apercebi que uma banda sonora original (repito, banda sonora original, não compilação de vários artistas ao estilo de “Guardiões da Galáxia”) estava finalmente a ter um grande desempenho num filme da MCU, porque têm sido todas relativamente fraquinhas. Esta sonora está mesmo brilhante, é certamente uma BSO que valha a pena comprar e ouvir vezes sem conta. Não, o tema pode não ser tão memorável como o de Danny Elfman, as certamente será um dos temas mais memoráveis da MCU, até porque nenhum dos outros heróis tem o seu próprio tema… Exceto talvez o Homem de Ferro, mas isso não passa de uma música dos Black Sabbath.

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Tal como mencionei em cima, adorei as decisões que Jon Watts tomou em relação ao filme ao não mostrar aquilo que já vimos antes e a mostrar-nos algo novo. Invés de levar o filme na mesma direção que as outras duas origens cinematográficas, que têm basicamente o mesmo first act, o filme apenas começa como se nós já o conhecemos, o que é verdade. Quem vai ver o Homem-Aranha, de certeza que já conhece a sua personagem, nem que seja a nível básico. Por isso, para quê ver o mesmo pela terceira vez?
Invés de nos dar isso, decidiu mostrar-nos o desenvolvimento de Peter como Homem-Aranha, a tornar-se mais maduro, fazendo com que ele se aperceba se precisa do fato ou não para mostrar quem realmente é.
O filme contém ainda cenas de ação muito bem realizadas, com ótimos efeitos especiais, mas não são nada por ai além. Não terão o mesmo impacto que a luta do comboio do Homem-Aranha 2, mas são certamente melhores que muitas outras que já vimos.

Posso muito bem dizer, concluindo, que este é o filme que os fãs do Homem-Aranha estavam à espera. Quando foi com o Tobey Maguire, disseram que foi uma boa interpretação do Peter Parker, mas não do Homem-Aranha. Quando foi a vez do Andrew Garfield, queixara-se do Peter, mas reconheceram as suas capacidades como Homem-Aranha. Mas com Tom Holland? O Tom Holland consegue ser ambos na perfeição, sendo o cómico Homem-Aranha e o inocente Peter Parker que se conhece da banda desenhada. Sem esquecer os habituais ótimos efeitos especiais, temos, finalmente, um ótimo vilão para o universo da Marvel, que ficará certamente ao lado de Loki como um dos mais memoráveis, e, também, uma excelente banda sonora composta por Giacchino, onde o tema do Homem-Aranha certamente ficará na cabeça por algum tempo.
Sim, podem já ter visto o resumo do filme graças ao incrível marketing que a Sony teve com o filme, mas podem ter a certeza que não se irão arrepender de ver este filme no grande ecrã.