O filme “A Cidade Perdida de Z” estreou esta semana em Portugal e parece estar a ser muito bem-recebida pelo público nacional. O filme conta a história de Percy Fawcett, um arqueólogo que desapareceu em 1925 enquanto tentava encontrar e provar a existência de uma civilização perdida.

Por ter uma história de vida tão interessante e aventureira, há quem lhe chame o Indiana Jones da vida real.

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O que muitos não sabem é que Fawcett foi, de facto, uma fonte de inspiração para Spielberg e George Lucas, “os pais de Indy”. Por esta e outras razões, o nosso Filme da Semana é “Indiana Jones e Os Salteadores da Arca Perdida”, de Steven Spielberg.

Foi o primeiro de quatro filmes deste franchise e, na minha opinião, também o melhor. Comecemos pelo enredo: Indiana Jones (Harrison Ford), um arqueólogo com um grande espírito de aventura, é recrutado por Brody (Denholm Elliott) para encontrar a Arca da Aliança. No entanto, terá de competir com os Nazis, já que Hitler acredita que esta é a chave para a invencibilidade do seu exército. Pelo meio, terá a ajuda de Marion (Karen Allen) uma paixão do passado.

Diria que a primeira coisa que nos vem à cabeça quando pensamos em Indiana Jones é a música. Aquele tema principal (The Raider’s March) é facilmente distinguível e são poucos os que não se deixam contagiar assim que começa a tocar. Acontece que toda a banda sonora de John Williams é brilhante e bem utilizada ao longo do filme.

Depois temos a cinematografia de Douglas Slocombe, outro grande pilar para o sucesso de “Os Salteadores da Arca Perdida”. Não é preciso ser um especialista para perceber que os filmes de Indiana Jones têm um estilo visual característico. É conseguido através da maneira como Slocombe utiliza a luz (ou a falta dela). Muitas sombras, silhuetas e ênfase nos olhos, é assim que se resumem os três primeiros filmes. O quarto já não contou com Slocombe e, apesar de Kaminski (o cinematógrafo em “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”) se ter inspirado no trabalho do seu antecessor, nota-se que é um filme mais “claro”, perdendo alguma da sua magia.

E por falar em magia, é precisamente isso que Steven Spielberg tem o hábito de fazer. Neste caso teve a ajuda de George Lucas. Ambos estavam de férias no mesmo sítio e na mesma altura, e calhou Spielberg comentar que gostaria de realizar um James Bond. Lucas, com algumas mentiras pelo meio, conseguiu convencê-lo de que Indiana Smith (o seu primeiro nome) seria uma personagem mais interessante e, portanto, levou-o a realizar a trilogia.

Com Spielberg a bordo, e com a ajuda de Philip Kaufman e Lawrence Kasdan, desenharam uma série de aventuras e construíram o Indy que conhecemos hoje. Criaram um enredo sem momentos aborrecidos, cheio de aventura e acção, tudo de grande qualidade. O facto de Lucas e Spielberg discordarem no tipo de personagem que Indiana Jones seria, foi mais um factor que enriqueceu a sua história.

Resta dizer que Indiana Jones e Os Salteadores da Arca Perdida foi um enorme sucesso em todos os sentidos, e acabou por ser nomeado para vários prémios, nomeadamente na categoria de Melhor Filme nos Óscares de 1981.

Por todas estas razões e mais algumas, Indiana Jones e Os Salteadores da Arca Perdida tem uma identidade própria e que salta à vista, daí ser considerado um clássico que todos deveriam ver pelo menos uma vez na vida.