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Do pior para o melhor: A filmografia de Paul Thomas Anderson

  • Junho 26, 2018
  • 8 min read
Do pior para o melhor: A filmografia de Paul Thomas Anderson

A filmografia de um esplêndido realizador, que tem como mais valias a construção das histórias que quer contar, bem como uma realização ímpar magnânima.

Paul Thomas Anderson nasceu no estado da Califórnia, nos Estados Unidos da América há precisamente 48 anos. A carreira de realizador começou em 1988 com uma curta-metragem. No entanto, só passados oito anos fez a sua primeira longa-metragem. Entre 1996 e 2017 Paul Thomas Anderson realizou oito filmes, tendo obtido todos um grande sucesso.

Ver também: Do pior para o melhor: A filmografia de David Fincher

Paul Thomas Anderson

O realizador não deixa a história e a produção dos seus filmes por mãos alheias. Thomas Anderson escreveu todos os argumentos que sustentam os seus filmes e apenas não participou na produção da sua primeira longa-metragem.

Em todos os seus filmes há momentos de pura magia. São inúmeros os planos de cortar a respiração e é bem evidente a beleza da fotografia que compõem as suas obras. Conseguindo com todos os seus filmes alcançar um grande êxito, o realizador californiano reuniu até então oito nomeações aos Óscares: quatro para melhor argumento, em que metade são originais; dois para melhor realizador; e dois para melhor filme.

Passado Sangrento (1996)

Sinopse: Um veterano nos jogos de casino, ensina um jovem jogador todos os truques e técnicas de modo a tornar-se um excelente jogador. Pelo caminho, este apaixona-se por uma bela empregada de mesa e ocasional prostituta de casino.

Os primeiros passos na carreira de Paul Thomas Anderson são dados num filme com baixo orçamento. Ainda que o filme tenha custado por volta de três milhões de dólares, consegue potenciar o melhor que tem: os seus atores.

Apesar de ser o seu primeiro filme, o realizador norte-americano conseguiu reunir um elenco cheio de talento. Philip Baker Hall, John C. Reilly, Gwyneth Paltrow, Samuel L. Jackson e Philip Seymour Hoffman são os nomes mais sonantes.

Paul Thomas Anderson

Vício Intrínseco (2014)

Sinopse: No final dos anos 60, um detetive particular da cidade de Los Angeles é procurado pela sua ex-mulher que pretende que este investigue o paradeiro do seu novo namorado, um milionário supostamente raptado pela sua mulher dele e o amante da mesma.

Apreciado por alguns e considerado relativamente fraco por outros, o sétimo filme da filmografia de Thomas Anderson, revela-se, embora de forma intencional, por ter o argumento mais confuso de todos.

De forma algo diferente, “Vício Intrínseco” faz lembrar o ambiente dos filmes de David Lynch. Muito pelo enorme peso que a banda sonora tem na construção do filme, é conseguido enlear quem vê. É como se se estivesse dentro daquele mundo, ficando quase como as personagens do filme, solitárias, vivendo numa realidade à parte.

O filme recebeu duas nomeações para os Óscares nas categorias de argumento adaptado e guarda-roupa.

Paul Thomas Anderson

Linha Fantasma (2017)

Sinopse: Um conceituado estilista, habituado a criar roupas para alguns membros da elite e realeza britânica, vê-se questionado pelos seus sentimentos quando conhece uma jovem empregada de balcão que se torna sua amante e principal fonte de inspiração.

A última longa-metragem de Paul Thomas Anderson vem coroar todo o seu excelente trabalho realizado até então. Com alguns planos extraordinários, só ao nível dos melhores, a realização de “Linha Fantasma” é magistral.

A prestação dos atores ajuda bastante para a qualidade do filme. Um dos melhores atores atualmente, Daniel Day-Lewis, consegue mais uma vez uma atuação sublime. Porém, não é apenas o inglês que consegue uma boa prestação. As atrizes Vicky Krieps e Lesley Manville também conseguem brilhar, adquirindo prestações extremamente bem conseguidas.

O filme obteve seis nomeações para os Óscares, conseguindo arrecar apenas um, o de melhor guarda-roupa.

Paul Thomas Anderson

Boogie Nights – Jogos de Prazer (1997)

Sinopse: Um jovem que se aventura na indústria da pornografia na Califórnia entre o final da década de 70 e o início da década de 80.

O segundo filme da filmografia de Thomas Anderson consegue tratar bem o argumento que o sustenta, fornecendo seriedade ao tema. Tal acontece devido às grandes interpretações de Burt Reynolds, Julianne Moore, Mark Wahlberg e John C. Reilly, entre outros. Com isto, surgem personagens carismáticas como Rollergirl, interpretada por Heather Graham.

“Boogie Nights – Jogos de Prazer” arrecadou três nomeações para o prémio máximo de cinema, nas categorias de argumento original e ator e atriz secundários.

Paul Thomas Anderson

Punch-Drunk Love – Embriagado de Amor (2002)

Sinopse: Um pequeno empresário, criado pelas suas sete irmãs que o manipularam durante toda a vida, tornando-o simplesmente incapaz de amar. No entanto, a sua vida começa a mudar depois de conhecer uma mulher misteriosa por quem se apaixona.

O filme mais pequeno de toda a sua filmografia, com apenas 1 hora e 35 minutos, é também, a par de “Passado Sangrento”, o filme mais ligeiro de Paul Thomas Anderson. Embora sem a carga dramática que tanto caracteriza as obras do realizador, “Punch-Drunk Loce – Embriagado de Amor” cumpre, revelando uma realização extremamente competente.

Sem acrescentar muito ao filme, as performances dos atores não comprometem, embora fiquem aquém das conseguidas pelos seus pares noutras obras do realizador.

Paul Thomas Anderson

O Mentor (2012)

Sinopse: Um veterano da Marinha que volta a casa algo instável e incerto do seu futuro, após ter participado numa guerra. Mais tarde é convencido por um líder de um movimento filosófico a seguir esse mesmo movimento conhecido como “A Causa”.

Não sendo na sua essência uma comédia, é quase impossível não o considerar uma comédia negra. Com uma carga emocional muito grande, é nos momentos mais insólitos e excêntricos que se realçam as prestações dos atores principais.

A dupla Joaquin Phoenix/Philip Seymour Hoffman funciona extraordinariamente bem. A estes dois junta-se uma outra atriz de renome, Amy Adams, que consegue, a par destes, uma excelente performance. Para além disto, o filme tem uma fotografia bela que é bem notória quando Paul Thomas Anderson inova nos planos, indo mais além e surpreendendo quem vê.

“O Mentor” arrecadou três nomeações para os Óscares, todos nas categorias de representação, nomeadamente para melhor ator principal melhores ator e atriz secundários.

Paul Thomas Anderson

Magnolia (1999)

Sinopse: A interligação de nove vidas na procura do amor e do perdão.

A terceira longa-metragem do realizador deve ser vista como um mosaico épico. A forma como é feita a montagem de todas as peças que o compõem é magistral. O mérito aqui é todo de Paul Thomas Anderson. Contudo, o filme funciona tão bem devido aos atores que compõem o elenco e às suas interpretações. Tom Cruise, Philip Baker Hall, William H. Macy, Jason Robards, Julianne Moore e John C. Reilly são apenas alguns nomes que elevam o filme a um nível superior.

“Magnolia” é, de todos os que compõem a filmogradia  do realizador, aquele com a maior carga emocional. Tenso do início ao fim, a flor que era devorada pelos Lambeosaurus noutros tempos que dá nome ao filme mais longo de Thomas Anderson revela-se íntima, visceral e, sobretudo, bela.

“Magnolia” adquiriu três nomeações para o prémio máximo do cinema nas categorias de ator principal, argumento original e música original.

Paul Thomas Anderson

Haverá Sangue (2007)

Sinopse: Um prospetor de prata que decide mudar-se para uma pequena cidade da Califórnia com o seu filho, quando sabe da existência de uma grande quantidade de petróleo, no qual pretende investir.

O filme acompanha Daniel Plainview desde os seus primeiros passos na procura de melhorar a sua vida até à loucura. Mais que um filme que mostra como foram nascendo as cidades, e por isso um filme sobre História, revela-se por ser uma outra história de família, religião e ódio.

O filme mais pesado de Paul Thomas Anderson tem pano de fundo Little Boston, uma cidade degradada onde a comunidade, extremamente religiosa, é uma fervorosa adepta dos sermões do padre local, Eli Sunday, interpretado de forma estonteante por Paul Dano. Além disso, junta-se a brilhante performance de Daniel Day-Lewis, que se consegue superar, dando vida a uma personagem memorável que ficará para sempre na história do cinema como uma das melhores interpretações de sempre.

“Haverá Sangue” é a obra de Thomas Anderson com mais nomeações para os Óscares, oito, tendo alcançado duas estatuetas douradas nas categorias de ator principal e fotografia.

Paul Thomas Anderson

About Author

Rúben Fonseca

Rúben Fonseca, 23 anos, licenciado em Educação Social na Escola Superior de Educação do Porto. Sou de Valongo, Porto. Os meus interesses passam pelo cinema, futebol e política. Considero-me uma pessoa extremamente auto-crítica e perfecionista.

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