Chegou a terceira temporada da série de culto “House of Cards”. O episódio inicial tenta dar conclusão a algumas pontas soltas que ficaram pendentes no final da temporada anterior. Frank Underwood é agora Presidente dos E.U.A. e os seus métodos enquanto governante não agradam a todos, como é óbvio. Douglas Stamper, conselheiro e “menino dos recados” do atual presidente, foi deixado quase sem vida no meio de um mato por Rachel e Claire Underwood tenta usufruir do trato que fez com o seu marido para iniciar a sua carreira profissional na Casa Branca.

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O fator político em House of Cards não é tão importante quanto isso, ainda que as abordagens dos problemas ligados com a política norte-americana sejam relevantes. O fator humano, aqui, desempenha um papel fulcral. O público já conhece Frank e Claire e sabe de que ambos lutaram sujamente para obterem os estatutos que têm; também sabe que o seu elo como marido e mulher vive mais pelo matrimónio de interesses, do que propriamente por amor. Todas as restantes personagens desempenham os seus papéis diários, não sendo mais do que simples alvos para a dupla de protagonistas derrubar com o tempo. O único que se destaca na narrativa é Doug, que foi sempre fiel aos princípios do casal.

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O episódio inicial começa com uma triunfante chegada de Frank Underwood e da comitiva presidencial ao cemitério onde Frank visita a campa do seu pai. Dá-se início a uma típica conversação com a câmara em que o magnata reflete o seu desagrado pela figura paternal e que resgata o espírito e a base com que se rege a equipa por detrás desta magnífica série. Mas os holofotes são apontados para Doug e a sua recuperação.

Doug Stamper é obsessivamente apaixonado por Rachel, uma prostituta contratada para seduzir um antigo congressista sob os interesses de Underwood. Na segunda temporada, Doug não seguiu as ordens que lhe foram dadas, que consistiam na eliminação da presença da prostituta que se poderia tornar numa ameaça à subida de Frank no poder. Deixando-se levar pela sua obsessiva paixão platónica pela mesma e torná-la invisível, Doug apercebe-se que a jovem precisa de ter uma vida e, quanto mais a tentava persuadir para se manter longe de atenções, mais ela tinha vontade de ser uma pessoa normal. Tudo isto terminou com Doug a caminho do hospital, gravemente ferido.

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A recuperação física e psicológica da personagem foi retratada neste capítulo com muito carinho e dedicação. Trata-se de uma pessoa muito reservada, que está divido entre duas paixões. Ele sabe que o facto de se ter apaixonado pela prostituta pode por em causa a sua ligação com Frank. Mas Doug foi sempre um homem capaz, um homem em que nada o conseguia impedir de ser útil até esta situação. Ele está desamparado, a combater a depressão de se sentir inútil e de ter fracassado na tarefa que lhe foi atribuída.

A primeira hora de regresso reflete uma poderosa continuação e vamos estando atentos aos capítulos seguintes porque com Frank Underwood na Casa Branca é tudo imprevisível. House of Cards lança um novo baralho e, uma a uma, as cartas vão sendo postas na mesa, algo que todos nós estamos impacientes para ver.