© The CW
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Baseada nas bandas-desenhadas da Vertigo (pertencente à DC Comics) chega-nos a adaptação de iZombie, um thriller leve e com toques de humor da jovem Olivia Moore que é transformada inexplicavelmente num zombie numa festa num barco e que decide ser assistente numa morgue, comendo os cérebros dos defuntos e resolvendo o mistério dos seus assassinatos. Com a ajuda de Ravi, seu companheiro e patrão, e o detetive Babineaux, Liv ganha estranhas visões que derivam do consumo dos cérebros humanos que a leva a encontrar os verdadeiros criminosos, enquanto que o seu ex-namorado Major Lilywhite começa a descobrir que os zombies, afinal, existem.

Quando se pensa numa mistura de zombies com Veronica Mars espera-se por uma série leve e interessante, com um toque de criatividade e temática de fácil compreensão. iZombie adequa-se perfeitamente para quem vê televisão pelo fator entretenimento e relaxamento, saboreando as aventuras de Liv e na procura de respostas para o recente surto de zombies que decorre nas ruas americanas. Assim que Liv se apercebe que não foi a única a sobreviver ao massacre do barco, começa a descobrir que nem todos os zombies que ainda respiram partilham da sua conduta de proteger os humanos. Blaine, um charlatão que cria um negócio para todos os comedores de cérebros com base na captura e carnificina de humanos esquecidos pela sociedade, mostra-se ser um vilão à altura, que nos remonta para a figura de Spike de Buffy, A Caçadora de Vampiros e a sua personalidade irreverente e altruísta. O próprio conceito da série, que tenta aproximar-se a nível visual das bandas-desenhadas, é jovem e funciona como uma brisa de ar fresco num tema que, por si só, estava já estagnado.

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O elenco que traz estas divertidas personagens também é competente e acaba por agarrar um pouco o espectador para os momentos mais icónicos da temporada. O problema é que as qualidades de iZombie também são os seus próprios defeitos. Isto significa que a série é medíocre e o visual teenager acaba por não dar a credibilidade que merece. A equipa nada pode fazer para alterar este facto e, embora não sendo uma atrocidade, não consegue subir de qualidade nem tem força suficiente para inovar as linhas de história. O espectador sente, portanto, que a temática da série é a tipicamente cliché da The CW que se foca demasiado no público adolescente e que, em vez de enriquecer a narrativa com temáticas mais maduras e pertinentes, permanece com o seu registo agradável e sem grandes surpresas.

Rosie McIver é carismática o suficiente para conduzir o enredo e o elenco secundário está igualmente bem nos seus triviais papéis. O toque mágico de Rob Thomas, criador de iZombie e de Veronica Mars, acaba por captar a essência dos comics mas fá-lo com plena consciência de que esta poderá ter o mesmo destino da sua primeira criação, sendo cancelada prematuramente por faltar de ideias e de novas histórias que alimentem uma narrativa demasiado infantilizada. Mesmo não conquistando, iZombie é um exercício de televisão que assenta que nem uma luva para emitir aos Domingos quando já não há mais lixo para colocar na televisão.

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