Knightfall é a primeira série a mergulhar profundamente no santuário do mundo clandestino da lendária irmandade dos monges guerreiros, conhecidos para todo o mundo como Templários.

Em Knightfall assistimos às suas batalhas na Terra Santa, ao seu confronto com o rei da França e à eventual traição que resultaria na dissolução da ordem. Todos estes são pontos importantes da narrativa, cujo o foco é a busca pelo Santo Graal. Uma história trágica que nunca foi contada com o devido tempo e detalhe até agora. Mas ao invés de vivermos as aventuras mais lendárias e as longas viagens, a maioria da primeira temporada passa-se em Paris e desenvolve bastante bem a corte do Rei. E também, em boa medida, o Papa. O sumo pontífice visita os protagonistas para saber informações sobre a missão dos guerreiros na sua busca pelo Graal.

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Knightfall

O nosso personagem principal é Landry (Tom Cullen), um guerreiro veterano cuja fé se encontra vacilada após ter perdido o cobiçado cálice 15 anos antes. Devido a isto, Landry cria uma relação amorosa com uma amante, o que complica a sua amizade com o rei. No entanto, essa relação é renunciada dado que surgem notícias do Graal e a busca pelo mesmo volta ao activo. Na espera por mais pistas, as quais por vezes estão convenientemente próximas e à mão, Landry ajuda na protecção do Rei Philip IV de França (Ed Stoppard), a sua esposa Joan (Olivia Ross) e a sua filha Isabella (Sabrina Bartlett).

Há muita intriga em activo na corte, principalmente no que toca à decisão da princesa em aceitar um marido da Catalunha ou de Inglaterra, e esta intriga é orquestrada pelo conselheiro do Rei, que nos faz lembrar o traiçoeiro Mindinho da série Game of Thrones, William (Julian Ovenden). Com tanta narrativa dispersada, surge uma questão: Isto é uma série sobre os Templários na sua busca pelo Graal, ou acerca de poder político na monarquia? A resposta é: Um pouco de ambos.

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O tempo no qual a narrativa desenvolve corresponde na verdade aos últimos dias dos Templários. Mas isto é apenas a primeira temporada, logo, ainda não vimos tudo o que há para ver. Ainda há recrutamento de novos membros, e a ordem ainda está nas boas graças do povo de França.

Knightfall é uma série de tom pesado e cheia de violência. Contém cenas de acção prolíferas que não ficam nada aquém de séries como Game of Thrones, Spartacus, ou Vikings. Todas estas foram séries que levaram o que é “fazer televisão” a todo um outro nível. Mas estas batalhas épicas nunca deixam de importar para narrativa, que muitas vezes nos desvenda reviravoltas extremamente interessantes e que nos fazem olhar para os eventos que já vimos de forma diferente. O que pensamos ao chegar ao fim da temporada sobre Landry, o Papa, a pureza da ordem e dos seus membros, da corte, é certamente diferente daquilo que pensamos ao começar a maratona de 10 episódios.

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Mas é devido à narrativa tão carregada e desenvolvida que a série facilmente falha noutros aspectos. Mais notavelmente, no desenvolvimento dos personagens. Até chegarmos a meio da temporada, os episódios iniciais arrastam os personagens pela narrativa, que é certamente profunda, mas deixa-nos sem ninguém em particular por quem torcer. Encontramo-nos interessados devido à intriga da história, mas sem necessariamente nos importarmos com as pessoas em si. Exceto talvez Landry e a Rainha Joan. Todavia, numa série coberta do que poderiam ser personagens incríveis, dois são muito pouco para aquilo que se deseja.

E embora a série seja sobre os cavaleiros, esse é o lado deles que é mais focado, de forma desequilibrada até, pois estes eram também monges. Sabemos isso devido à história da Europa e da Igreja, mas a série não leva muito em consideração a teologia. Os Templários também não se mostram particularmente “santos”, exageradamente até. A série nunca pára durante tempo o suficiente para mostrar relevância em questões mais profundas.

No entanto, esta história é envolta em mistério, com muitas coisas que não sabemos até hoje. Tal permite à série inventar algo aqui e ali, sem ter que seguir um guião que poderá ser contradito por algum professor de história, no entanto também não toma riscos suficientes dado que tem essa oportunidade, e devido a isso embora tenha bom aspecto no geral, não nos dá nada que nunca tenhamos visto antes.

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É um bom drama, que arrasta em certos aspectos mas apenas porque desenvolve e aprofunda outros tão bem. Não tem uma narrativa complicada nem sem desenvolvimento, mas não há nenhuma ligação profunda que consigamos fazer a qualquer personagem.

Mas Knightfall é uma série que certamente tem o seu charme. Particularmente nos enredos secundários que envolvem outros Templários que não o líder. Demora um pouco a manter um avanço constante após tropeçar um pouco no começo, mas constrói bem as suas reviravoltas. Não é o sucesso certo e sem falhas que outras séries parecidas foram antes, mas à superfície: Se gostam de lutas de espadas e intriga política, é o que a série promete e nisto certamente cumpre.