Let’s Talk #16: Lennie James (Especial Comic Con Portugal 2016)

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(tens de ter a aplicação do Spotify instalada no teu computador, para poderes ouvir.)

Famoso pela personagem que interpreta na série de zombies mais vista de sempre, Lennie James foi entrevistado pelo Cinema Pla’net durante a Comic Con Portugal 2016, que nos recebeu muito bem no seu camarim.

Morgan na série “The Walking Dead”, Lennie James esteve na Comic Con Portugal e conversou com o Cinema Pla’net sobre a direção que está a tomar a série, o seu envolvimento em “Blade Runner 2049” e outros filmes de destaque ao longo da sua carreira.

Em “The Walking Dead” a personagem que interpreta tem uma maneira interessante de ver o mundo e de interagir com outras personagens. O que tem para dizer sobre isso?

Penso que o Morgan está na linha da frente de um diálogo que está a decorrer na série, no sentido em que já estamos na sétima temporada. Portanto, todas as pessoas que conhecemos agora, todos os novos grupos, são pessoas que arranjaram uma maneira de sobreviver. Já não estamos numa situação em que ainda há quem não saiba como sobreviver. Não sei bem, mas penso que em termos de história tenham passado à volta de dois anos [desde o início do vírus], mas são pessoas que sabem sobreviver. E quando se chega a esse ponto temos de pensar sobre como viver, porque temos uma relação com os mortos, mas é também necessário estabelecer uma relação com os vivos. E o nosso grupo, o do Rick, conheceu outros grupos que na sua maioria são inimigos, logo, tiveram de os matar antes de falar com eles e o Morgan diz:

“Talvez devêssemos falar com eles primeiro.”, “Talvez devêssemos falar sobre as coisas em comum antes de olharmos para o que não temos em comum.”

Penso que é um diálogo interessante na nossa história e naquilo que vai moldar o nosso futuro. Estamos a entrar numa nova fase, posterior à sobrevivência, uma fase onde podemos contemplar o futuro e uma das perguntas que temos de fazer a nós próprios é “O que pensamos sobre a vida?” e é isso que o Morgan está a perguntar.

heres-not-hereConsidera que existem semelhanças entre si e o Morgan?

Tenho, sim. Não sei se seria tão corajoso, eu, Lennie, para fazer algumas das façanhas que o Morgan fez e manter-me próximo disso. Particularmente o facto de ele ser desafiado diversas vezes e ser um homem que passou um bom tempo por conta própria. Depois de perder o filho e partir à procura de uma normalidade, ensinada pelo Eastman [interpretado por John Carrol Lynch no episódio “Here’s Not Here”], uma das razões pela qual ele procura o Rick é o facto de ele ser a única pessoa viva no planeta que sabe quem é o Morgan. E quando finalmente o encontra, entra em conflito com a única pessoa que conhecia, mas mantendo a sua força interior e o que acredita e penso que isso é um ato de coragem. Fazer jus aos seus princípios, mesmo quando todos os outros à sua volta argumentam de forma eloquente algo totalmente diferente. O Morgan vê provas do que os outros defendem, mas continua a acreditar em si e isso é corajoso. Eu gostava de ser tão corajoso mas não tenho a certeza de o ser.

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Créditos: Bruno Marques Fotografia

Há alguma história especial que gostaria de partilhar sobre a série?

Hum… não sei. Apanharam-me com esta! Penso que… (risos) Uma das coisas que gosto no “The Walking Dead”, e isto posso contar, depois de ter feito o primeiro episódio não voltei durante uns dois anos. E quando regressei na temporada 3, era fácil de ver que o Morgan tinha enlouquecido e o Rick encontra-o naquela vila. Nessa altura houve tentativas de me trazerem de volta à série regularmente, de forma a eu estar presente o tempo todo e uma das coisas que me fez querer voltar a tempo inteiro foi a nossa equipa, o grupo de pessoas que fazem o “The Walking Dead”. O episódio em que regressei foi um grande desafio para mim relativamente aos lugares que tinha de visitar enquanto ator. As cenas eram complicadas de interpretar, exigiam um certo cuidado e o diretor de fotografia, Mike Satrazemis, que filma e às vezes realiza alguns dos episódios, o trabalho que ele teve em fazer um episódio em que eu e o Andy [Lincoln] tivéssemos espaço para interpretar as personagens como quiséssemos… e a consideração que a equipa teve, a forma como cuidaram de nós ao mesmo tempo que faziam o trabalho deles, essa foi uma das razões que me fez querer voltar e trabalhar com aquelas pessoas.

blade-runner-2049“Blade Runner 2049” é o seu próximo filme. O que nos pode dizer sobre a sua personagem?

Genuinamente, não tenho permissão para isso. Só posso dizer que estou no filme, tal como o Ryan Gosling, tal como o Harrison Ford, tal como a Robin Wright e que é realizado pelo Denis [Villeneuve] e isto é basicamente o máximo que me é permitido relatar.

Como foi trabalhar com Denis Villeneuve?

Já tinha visto a maioria do seu trabalho antes de o novo Blade Runner se tornar uma realidade para mim e gostei muito. Adorei “Sicario”, achei que estava fantástico. Adorei “Prisioneiros” e tinha visto o seu primeiro filme [“Incendies – A Mulher Que Canta”]. Era alguém que estava no meu radar, que fazia parte da lista de pessoas com quem gostaria de trabalhar e após ter trabalhado com o Denis, eu andaria sobre vidros partidos e ajoelhar-me-ia para trabalhar de novo com ele. Acho que até agora é um dos melhores realizadores com quem trabalhei e alguém com quem eu gostava desesperadamente de voltar a trabalhar.

24-hour-party-peopleRegressando um pouco ao passado, quão diferente foi trabalhar com outros realizadores como Guy Ritchie em “Snatch – Porcos e Diamantes” e Michael Winterbottom em “24 Hour Party People”?

Tem tudo a haver com a forma como se trabalha, o Michael por exemplo em “24 Hour Party People” é um homem muito calmo e não fala a não ser que tenha algo a dizer e quando tem algo a dizer é muito conciso e pessoal. Na maioria das vezes era apenas um pedido para repetir o que fizemos. Portanto, era um realizador muito diferente. Enquanto que o Guy, penso que em parte por ter um tipo de dislexia, se alguma coisa mudava ele tinha de tirar apontamento disso, tinha de escrever no guião. Relativamente à “viagem” que fiz com o Denis [Villeneuve] no “Blade Runner 2049”, de certo modo, aquilo que estava escrito no papel mudou quando começámos a trabalhar juntos e num grande filme é preciso um realizador ter tomates para decidir mudar coisas e torná-las ligeiramente diferentes e eu tive uma grande mudança na minha personagem num curto espaço de tempo e ele pegou nessas mudanças e incorporou-as totalmente.

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Créditos: Bruno Marques Fotografia

Disse na conferência de imprensa que se sentia o polícia que perseguia as pessoas mas que agora num mundo pós-apocalíptico sente-se a pessoa que é perseguida e tem de correr…

Há uns anos houve uma altura em que fiz três filmes seguidos em que perseguia a Zoe Saldana [“Colombiana”] ou o Russel Crowe [“72 Horas”] ou o Guy Pearce [“Lockout – Máxima Segurança”] e agora é bem diferente, tudo é pós-apocalíptico e somos nós a correr. É diferente!

Muito obrigado Lennie, por esta fantástica entrevista!

Queremos também agradecer à organização da Comic Con Portugal por nos dar a possibilidade de fazer esta entrevista com Lennie James.

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Blade Runner 2049,Cinema Pla'net,Comic Con Portugal,Lennie James,Let's Talk,Morgan,Walking Dead
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