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    ‘Midsommar’ – Uma união entre o macabro e o encanto

    “Midsommar” chegou esta quinta-feira às salas de cinema portuguesas. Porém, foi numa sexta-feira 13 em pleno MOTELX que assistimos à obra na presença do realizador. Com um ritmo lento e planos cuidados, embarcamos numa viagem fantástica e desconfortável a uma comunidade sueca que celebra anualmente o Solstício de Verão.

    À partida a premissa desta história não me disse muito e até a considerei bastante diferente de Hereditário (2018), a obra de estreia do realizador. Não estava enganada quanto a isso, pois o tom é completamente diferente, mas há vários elementos autorais neste filme que mostram que Ari Aster não teve sorte de principiante. Tem realmente algo para dar ao género de terror.

    Dani (Florence Pugh) enfrenta uma grande perda familiar ao mesmo tempo que a sua relação com Christian (Jack Reynor) está por um triz. Este decide viajar com os amigos (Vilhelm Blomgren, William Jackson Harper, Will Poulter) para a comunidade natural de um deles. Com pena de deixar Dani, numa altura em que ela não deve estar sozinha, convida-a.

    Ver Também: MOTELX’19 | The Quake – Uma sequela Vibrante sem pressas

    midsommar 1

    Os jovens viajam, então, para uma comunidade sueca. O espetador rapidamente percebe que não se trata de uma viagem inocente; a jornada traz à tona a relação tóxica entre Dani e Christian ao mesmo tempo que mostra como o ser humano pode ser um crente radical.

    O filme pretende exatamente, em certa medida, ironizar a diferença, sendo que o público ri desta cultura que desconhece, mas se fosse essa mesma cultura a olhar de volta, também iria achar piada à nossa cultura. Ari Aster brinca com a ideia de espelho do próprio ser humano – vemos isso, por exemplo, numa cena em que Dani está a chorar e várias mulheres da comunidade a imitam, fazendo-a sentir-se desconfortável por ver a sua dor nas faces de outrem.

    midsommar 3

    Vale referir que é Florence Pugh quem carrega o filme todo com a sua representação. A duração do filme não é a mais adequada – é uma obra que deve ser revista, mas só de pensar em voltar a vê-la é provável que o público já fique cansado. Também alguns momentos cómicos, trazidos por diálogos da personagem de Will Poulter, não caiem bem com o horror que é mostrado e parecem demasiado forçados.

    “Midsommar” destaca-se ao fugir dos Clichés de Terror…

    Apesar de uma cinematografia brutal e de um rigor autoral imenso,Midsommar é bom, mas podia ser melhor. A sensação com que fiquei é que, é por vezes, vazio e puramente repetitivo. Também o próprio realizador admitiu considerar este break up movie “redundante”.

    Ainda assim, “Midsommar” destaca-se ao fugir dos clichés do terror. Além de não usar os jumpscares como bengala, também não recorre à escuridão. O medo, traduz-se na verdade, num desconforto constante.

    Rafaela Teixeira
    Rafaela Teixeira
    Licenciada em Ciências da Comunicação na FCSH-UNL e atualmente a tirar mestrado de jornalismo. Redatora no Espalha-Factos na secção de TV & Media. Aspirante a jornalista que sempre foi apaixonada pela comunicação, cultura e pela prática de informar. A esta grande paixão juntou uma outra, a sétima arte. Colaboradora do Cinema Pla'net desde Fevereiro de 2019. https://letterboxd.com/rafaelastex/ https://letterboxd.com/rafaelastex/

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