A Netflix confirmou que o novo filme Martin Scorsese, “O Irlandês” (“The Irishman”) terá estreia a 1 de novembro nos cinemas, cerca de um mês antes de ser lançado na plataforma de streaming a 27 de novembro.

A passagem do filme pelo cinema não terá, contudo, distribuição ampla como acontece com a maioria dos títulos, mas sim em salas de cinemas selecionados. Esse mesmo modelo acabou por resultar muito bem com “Roma”, que levou para casa 3 Óscares, apesar da inúmera contestação e, acima de tudo, do bloqueio da indústria dos estúdios e das distribuidoras, que voltaram à carga com “O Irlandês”.

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Alegadamente, Scorsese expressou o seu desejo de uma distribuição tradicional, mas este tipo de lançamento está muito mais alinhado com o estilo Netflix, com projeções limitadas como aconteceu com “Roma”, de Alfonso Cuaron, em 2018.

Não está ainda claro em quantos cinemas “O Irlandês” estará presente, uma vez que as grandes cadeias de cinema norte-americanas, como a AMC e a Regal, não entrarão em acordo com a Netflix para projeções de tão curta duração.

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A maioria dos grandes filmes de estúdio aguardam cerca de 90 dias entre a estreia no grande ecrã e a passagem para os lares dos espetadores e os exibidores receiam que um prazo tão curto vá encurtar também o negócio e suas receitas, para além de dar um sinal de cedência aos novos formatos. Para já, crê-se que o filme venha a ter o mesmo tipo de projeção que “Roma”, que esteve presente em cerca de 250 cinemas nos Estados Unidos e 1600 salas além fronteiras.

“O Irlandês” conta a história de um atirador da Máfia, Frank Sheeran (Robert De Niro), cuja vida se complica com a ascensão e queda do líder sindicalista Jimmy Hoffa (Al Pacino) e é desde logo um forte concorrente aos Óscares de 2020. O elenco inclui ainda nomes como  Joe Pesci, Harvey Keitel, Ray Romano, Bobby Cannavale e Anna Paquin.

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Vai estar em exibição em Los Angeles e Nova Iorque a 1 de novembro, com datas adicionais nos Estados Unidos e no Reino Unido a partir de 8 de novembro. Nas duas semanas subsequentes, atingirá cidades um pouco por todo o mundo e espera-se que continue a passar em mais salas de cinema mesmo depois de ser lançado em streaming, como aconteceu, aliás, com “Roma”.

Antes destas datas, “O Irlandês” terá a sua estreia mundial na edição deste ano do Festival de Cinema de Nova Iorque, que terá lugar a 27 de setembro, onde será ainda o filme de abertura do festival. Independentemente do formato e das datas anunciadas, um filme de Scorsese é sempre um acontecimento e uma estreia sua já não acontece desde “Silêncio”, em 2016.

O novo título constitui um enorme investimento por parte da Netflix, com um orçamento de 175 milhões de dólares, razão pela qual a produção não foi parar a um estúdio tradicional. A Paramount, por exemplo, rejeitou a produção, cuja inclusão de tecnologia de rejuvenescimento dos personagens a tornou incrivelmente cara.

Apesar de muitos dos pormenores terem sido mantidos em segredo, sabe-se que esteve envolvido o argumentista de “A Lista de Schindler”, Steven Zaillian, que escreveu o argumento para “O Irlandês” baseado no romance de Charles Brandt, “I Heard You Paint Houses”.

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Esta é a terceira vez que De Niro e Pacino partilham o ecrã, depois de “Heat – Cidade Sob Pressão”, de 1995, e “A Dupla Face da Lei”, de 2008. Apareceram ambos em “O Padrinho: Parte II”, de 1974, embora não simultaneamente. É ainda a nona vez que De Niro trabalha com Scorsese e a primeira para Pacino.

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