Galardoado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza, filme chega no final de Janeiro aos cinemas portugueses.

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Nomadland – Sobreviver na América é um dos candidatos ao Óscar.

E se alguma vez tivessem de sair de casa, porque a empresa fechou, e toda a comunidade é forçada a mudar de sítio? E se não tivessem para onde ir, nem o que fazer? Esta é a principal história de Nomadland, realizado por Chloé Zhao, inspirado no livro de Jessica Bruder.

Fern (Frances McDormand) viaja por toda a América, na sua auto-caravana (que intitula de Vanguarda). Sem rumo certo, faz várias paragens na sua longa viagem, e vai arranjando um emprego part-time aqui e ali para conseguir comer e sustentar a sua “casa”.

Desde os armazéns da Amazon, até um parque de campismo, ou uma cadeia de fast-food, Fern vai conhecendo, ao longo do caminho, outras pessoas como ela. Pessoas que “pegaram” na sua casa e foram, uns forçados, outros por desejo de viver livremente.

Profundamente simples e eficaz, o que este filme tem de melhor são as pessoas e as suas relações.

A beleza do filme é esta, o conhecer e conviver com pessoas que escolheram o mesmo estilo de vida. Maior parte do elenco faz o papel deles próprios, ou seja, são nómadas.

É um filme que homenageia as pessoas que por qualquer razão tiveram de abandonar a sua casa, imóvel, comunidade, e foram, sem destino definido.

Há relações e solidões, há troca de histórias de vida, há aflições, doença, morte, há o desejo de conhecer o deserto ou o frio do Alaska.

A já galardoada Frances McDormand (vê também O Melhor de 2018) faz, novamente, uma excelente performance, desta vez, com um papel mais reservado mas muito forte.

Os toques musicais de Ludovico Einaudi preenchem muito bem as cenas solitárias da personagem principal.

David Strathairn (Dave) desempenha um bom papel, protagonizando uma bonita história de alguém que estaria perdido na vida, e conseguiu encontrar-se.

Há performances brilhantes de pessoas que fazem o seu primeiro papel no grande ecrã. A história e a vontade de Swankie, a vivacidade e a alegria de Linda May, o testemunho e a inspiração de Bob Wells, são pormenores que enriquecem a história e, de certeza, a forma como o filme foi feito e conseguiu ter um toque mais real.

Em suma, Nomadland é um filme bonito, quer pela fotografia como pela banda-sonora que a descreve e preenche. As performances são a melhor parte, porque o filme assim o obriga. É uma mensagem forte, que contempla temas atuais e fraturantes.

Assim sendo, estes aspetos fazem de Nomadland – Sobreviver na América um forte candidato ao Óscar de Melhor Filme.