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10 das razões mais estranhas para banir um filme

  • Março 11, 2018
  • 5 min read
10 das razões mais estranhas para banir um filme

Engane-se que acha que banir uma obra é coisa exclusiva de regimes ditatoriais ou de época de guerra. As razões recentes são mais bizarras, multiplicando as controvérsias sobre filmes “banidos”, tornando-os, frequentemente, “filmes de culto”.

Ao longo da História do cinema, governos, instituições nacionais ou grupos locais retiraram ou impediram a chegada à sala de cinema de centenas de filmes no Mundo inteiro. Pode parecer uma violação da liberdade de expressão do realizador, dos artistas e uma injustiça.  Mas, em alguns casos, foram a justiça ou os próprios realizadores que impediram a divulgação do filme ou limitou o acesso ao público.

Casos Recentes

banirSó no último ano, 2017, vários filmes foram banidos dos mercados no Mundo inteiro. O filme Mulher Maravilha, protagonizado pela actriz Gal Gadot, que completou o seu serviço militar obrigatório em Israel, foi retirado de distribuição no Líbano, no Qatar e na Tunísia, assim como outros países da Liga Árabe, aplicando-se uma lei com décadas de boicote de qualquer produto israelita. Porém, o filme estará disponível em DVD.

banirO live-action da Disney, A Bela e o Monstro, foi banido no Kuwait e na Malásia por sugerir conteúdos homossexuais. A personagem LeFou foi descrita como sendo homossexual pela Disney, o que gerou alguma controvérsia pouco antes da sua estreia.

banirO enorme sucesso de bilheteira, a trilogia Cinquenta Sombras, foi totalmente banida no Cambodja, na Indonésia, no Quénia, na Malásia, nos Emirados Árabes Unidos e no Zimbábue, por retratar “o uso insano e doentio de violência durante relações sexuais”.

“Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick

banirA obra-prima de Stanley KubrickLaranja Mecânica, retrata uma violação, brutalidade, e extrema violência num Reino Unido futurista. Este filme segue Alex DeLarge, um psicopata, o seu caminho criminoso e terapia. Saiu no Reino Unido em 1971, quando rebentou a controvérsia sobre a inútil violência retratada.

Rapidamente, a imprensa britânica começou a relatar notícias de “cópias reais” de crimes inspirados no filme. O próprio Kubrick limitou os visionamentos. Porém, em 1973, uma rapariga holandesa foi violada por um homem cantarolando “Singin’ in the Rain” tal como DeLarge. Tal obrigou Kubrick a cortar 30 segundos do filme para ser requalificado como violento. O filme foi banido do mercado da África do Sul por treze anos, do Reino Unido e Irlanda por 27 anos, por 30 anos em Singapura e Coreia do Norte.

“O Exorcista” de William Friedkin

banirPor outras razões, mas na mesma altura, no Reino Unido foi banida outra obra cinematográfica de referência. Em 1973, estreou nos cinemas o clássico dos filmes de terror, O ExorcistaFoi banido por 11 anos dos cinemas britânicos devido à sua natureza perturbadora.

Apesar de ter sido catalogado com o equivalente à “bolinha vermelha” e tivesse chegado aos cinemas, foi retirado e não passou para VHS por potencialmente poder ser visto por jovens para os quais foi considerado inapropriado. Em 2010, a versão em DVD foi comercializada por se entender que os mais jovens percebiam agora o que eram efeitos especiais, não sendo afetados pelo filme da mesma forma.

“E.T. – O Extra Terrestre” de Steven Spielberg

banirE.T. – O Extraterrestre (sim, esse mesmo!) foi um enorme sucesso de bilheteira em todo o Mundo. Porém, foi limitada a idade de visionamento na Noruega, Finlândia e Suécia. As autoridades responsáveis consideraram que o filme retratava os adultos como o inimigo das crianças. A idade limite na Finlândia era de oito anos, e de 12 na Noruega e na Suécia.

“Hillary: O Filme” de Alan Peterson

Em 2008, Hillary: O Filme foi produzido pela Citizens United, uma organização não-governamental conservadora com uma perspectiva crítica quanto à candidata às eleições presidenciais de 2008, Hillary Rodham Clinton. O filme retrata Hillary Clinton usando vídeos de arquivo conjuntamente com dezenas de entrevistas, artigos e relatos da sua vida até 2008.

A Comissão Federal de Eleições (FEC) baniu o filme até ao final das eleições, fundamentando que o filme quebrou as regras de financiamento de campanhas eleitorais, considerando que iria servir para recolher fundos de campanha para candidatos republicanos. A questão foi levada até ao Supremo Tribunal, onde foi levantada a questão da liberdade de expressão. Em 2010, foi dado razão à Citizens United.

“Uma Entrevista de Loucos” de Seth Rogan e Evan Goldberg 

banirO filme cómico The Interview, com Seth Rogan e James Franco, segue a visita satírica deles à Coreia do Norte. Apesar de pretender fazer o público rir, retrata a contratação destas duas personagens para assassinar Kim Jong Un, líder da Coreia do Norte. Este país, previsivelmente, não achou graça. Considerou que promovia violência contra o seu país, banindo-o do seu mercado.

A reação do resto do Mundo foi mais surpreendente, apesar de não ter chegado a muitos cinemas acabou por ser “pedido” pela produtora Sony que fosse retirado do mercado por receio de “incomodar” a Coreia do Norte, limitando-se à Internet. Nos Estados Unidos foi rapidamente limitado à Internet, sendo que muitos cinemas cancelaram o lançamento com receio de represálias.

Entretanto por Portugal

Em Portugal, temos apenas a relatar dois filmes banidos oficialmente. Em 1970, Artigo 22 foi banido pelo governo de Marcelo Caetano por, oficialmente, uma cena retratar um homem sentado nu numa árvore. Porém, o facto do filme ridicularizar os militares também deve ter tido o seu impacto.

E, em 1972, O Último Tango em Paris, foi censurado pelo seu forte conteúdo sexual. Foi retirado oficialmente da censura em 1974.

About Author

Margarete Couto

Jurista linguista, mãe de dois filhos, uma apaixonada pela leitura e pelo ensino, adora séries de todo o tipo, viagens com os miúdos e aprender coisas novas todos os dias. Pronta para novas aventuras e desafios!

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