Quentin Tarantino acaba de completar 55 anos de vida, levando já mais de 30 como diretor, produtor e argumentista.

Qualquer artista destemido e irreverente está destinado a ter um elevado número de detratores. É certamente o caso de Quentin Tarantino, mas foi também esta crença inabalável na sua própria visão que lhe providenciou o seu estatuto. Tarantino é essencialmente um rebelde que nunca se conformou com as ”regras” do cinema, e orgulha-se em carregar essa bandeira.

Há géneros cinematográficos, e depois há o género Tarantino. Trata-se dum realizador capaz de pegar num género e torná-lo seu. Django Unchained é um Spaghetti Western, mas mais do que isso é um Tarantino Western. O mesmo vale para as suas versões dos géneros blaxploitation (Jackie Brown) ou máfia (Reservoir Dogs). Em Kill Bill, que é discutivelmente um dos seus melhores trabalhos, chega a juntar 3 ou 4 géneros que acabam por se fundir com uma eficácia só passível de ser atingida por alguém como Tarantino, que é tudo menos subtil nos seus métodos.

TarantinoNão é de estranhar, portanto, que os filmes de Tarantino possuam uma série de caraterísticas que já são consideradas imagens de marca suas. Mesmo em filmes que escreveu mas não realizou, como Natural Born Killers, True Romance ou From Dusk Till Dawn, é fácil encontrar marcas e toques de Tarantino. Após uma análise reflexiva do seu catálogo, a conclusão foi de que há 8 grandes trademarks na sua cinematografia. Abaixo encontram-se 7 destes trademarks, sendo que o outro, as longas cenas de diálogo, contam já com um artigo exclusivamente a si dedicado. Podem lê-lo neste link.

1. Narrativas não lineares

Durante um tempo, todos os filmes realizados por Tarantino possuiam narrativas não lineares. A tradição quebrou-se com o lançamento de Death Proof, sendo que também Inglourious Basterds e Django Unchained foram contados de forma relativamente linear, salvo um ou outro flashback. No seu mais recente filme, The Hateful Eight, o realizador acabou por voltar às origens.

O que está no centro dos filmes de Tarantino são as personagens. Não a história, não as ações, não o espaço nem o tempo, mas as personagens. É delas que parte para o resto, e tudo delas deriva. A narrativa não linear permite criar na audiência um sentimento de excitação e frenezim, e também de atenção constante. Requer que o espectador esteja entusiasmado o suficiente para ligar os pontos, mas sem ao mesmo tempo deixar de o motivar para tal. Tarantino tem tanto conhecimento da audiência como tem do próprio cinema, e um dom de transmitir adrenalina como ninguém.