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Numa tentativa de se iniciar no mundo cinematográfico de filmes com base em banda desenhada, Sony traz-nos “Venom”. Um anti-herói bastante mortífero interpretado por Tom Hardy.

Enquanto o Aranhiço está ao serviço do Mundo Cinematográfico da Marvel, a Sony (que detém os direitos de Homem-Aranha) decidiu iniciar-se novamente nas andanças do grande ecrã, desta vez com um filme em que o protagonista é um dos vilões mais famosos da banda desenhada – Venom.

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Neste filme seguimos os passos de Eddie Brock (Tom Hardy), um repórter que é despedido e vê a sua relação com Anne Weying (Michelle Williams) terminar devido ao facto de ter ido demasiado longe numa entrevista ao magnata Dr. Carlton Drake (Riz Ahmed). Meses mais tarde, numa tentativa de desmascarar as atrocidades que Carlton pratica na sua empresa, Brock vê-se infectado por uma entidade alienígena, intitulada de Venom, que lhe dará capacidades extra-humanas. A partir deste momento, será uma corrida contra o tempo. Brock é perseguido pelos capangas de Carlton, que quer Venom de volta, enquanto tenta descobrir qual o propósito desta entidade no planeta Terra.

Em “Venom”, Tom Hardy distancia-se dos papéis mais sóbrios e de poucas palavras a que estamos acostumados a vê-lo. Oferece-nos um Eddie Brock com o qual criamos empatia, com um sentido de humor sarcástico, uma presença fantástica e magnética. Ele é a “alma” do filme e sem o seu  constante improviso “Venom” perderia o seu ponto mais forte. Para além disso, consegue transmitir uma excelente química entre Brock e o próprio Venom (ao qual Tom Hardy empresta a voz), seja nos momentos de acção seja nos momentos em que estão a dialogar telepaticamente um com o outro.

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Por falar em Venom, considero que o seu design no filme está incrível e hipnotizante. Com ótimos efeitos especiais e um bom sentido estético da criatura, o ser extraterrestre transfigura-se à nossa frente com um aspecto viscoso, numa mistura de lodo com o Flubber – a criatura do filme de 1997 com Robin Williams – conferindo-lhe um ar asqueroso mas mortífero. Contudo, a realidade é que quase todos os grandes momentos de Venom no filme já foram vistos em trailers ou spots publicitários.

Venom

O argumento tem uma tremenda dificuldade em conseguir emparelhar a história pessoal de Eddie Brock com a sensacional de Venom. Arrasta-se demasiado durante o segundo ato, fazendo-nos questionar quando iremos ver Venom no seu total esplendor. Até lá, somos apenas acompanhados nesta viagem por personagens pouco aprofundadas e caricaturas daquilo que pretendem ser. Como no caso do vilão em Riz Ahmed, que tem convicções como as de Thanos mas não tão cativante; Ou da personagem de Michelle Williams, que não tem um grande propósito de existência neste enredo.

A audiência já assiste a filmes com base em banda desenhada há quase 20 anos. Ocorreu muita evolução neste género, desde que saiu “X-Men” no ano 2000. No entretanto já presenciamos excelentes títulos que são vistos como brilhantes filmes no geral, como “Cavaleiro das Trevas” ou “Logan”. Porém, Sony e o realizador Ruben Fleischer fizeram este filme como se se tratasse somente de mais um filme de super-heróis – ou, neste caso, anti-herói -, utilizando o mesmo argumento formulaico que seria utilizado há 15 anos para filmes desta categoria, não lhe conferindo qualquer peso conceptual ou até emocional à história. As expectativas do público evoluíram ao longo do tempo. No entanto, dá a sensação que “Venom” ficou parado numa altura em que as pessoas se satisfaziam por apenas ver as suas personagens preferidas no grande ecrã.

Venom

No fundo, “Venom” é uma confusão de filme. Não tem nada que surpreenda o espectador. Tudo gira em torno de uma história básica e pouco cativante sobre uma personagem que teria muito para oferecer. Com um final anti-climático e uma narrativa pouco eficaz, o filme oferece-se assim como apenas mais uma entrada no género. Não acrescentando, portanto, nada ao mesmo. Tanto Tom Hardy como o Venom são pontos altos que poderão entreter o público, mas tudo o resto é esquecível. Para início de um novo universo cinematográfico, e como filme isolado sobre uma personagem tão interessante, “Venom” não chega a ser mais do que uma desilusão.