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Este é o lema de conclusão da terceira temporada dos guerreiros nórdicos que decidiram passar a meia-noite em Paris. Ragnar Lothbrok não está na sua melhor forma, uma vez que a sua pequena colónia em Wessex foi aniquilada, a sua mulher envolve-se com um estranho e é derrotado assim que tenta invadir a capital francesa. O rei também perdeu um amigo, um elemento que tinha grande influência no seu comportamento e nas suas decisões.

“Vikings” é uma série que sobrevive do carisma dos seus atores, da sua equipa técnica e da abordagem religiosa do povo que retrata. Não é uma “Guerra dos Tronos”, nem está lá perto, mas é uma produção televisiva que consegue tirar proveito do toque místico que compõe a sua narrativa. Na terceira temporada, como já referimos, as coisas não estão fáceis para o rei Ragnar, quer em Kattegat onde a sua mulher, a princesa Aslaug, é seduzida por um estranho, quer em Wessex onde o rei Ecbert tenta manipulá-lo para conquistar a Grã-Bretanha. Ragnar pede a Athelstan que lhe fale de Paris e das muralhas altas que a rodeiam, dos tesouros e das mulheres, ou seja do “requinte” típico da capital; o fascínio de Ragnar leva-o a querer conquistar a cidade, usando os artífices de guerra criados por Floki, ao mesmo tempo que este se debate com os seus demónios após ter assassinado o braço direito do seu rei.

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A decisão da morte de Athelstan não foi a melhor, diga-se. A personagem era fulcral na história e a sua partida não fez jus à sua importância. E, embora tenha tido momentos fantásticos de batalhas sangrentas e twists imprevisíveis, “Vikings” parece estar a afogar-se nos seus próprios pretensiosismos. Até então a série não tinha aniquilado nenhuma das suas personagens e Michael Hirst decidiu que à terceira é de vez. O problema é que a sua escrita não cria qualquer emoção ou empatia, é vazia e oca. Prefere ir direto ao assunto, aproveitando-se do misticismo da sua narrativa, e falha redondamente ao encaminhar o espectador para o acontecimento. Athelstan não é só a única “baixa” da série, Siggy também partiu. E, embora não partilhe do mesmo grau relevância com o seu colega, foi igualmente tratada como insignificante. Michael Hirst, que continua a escrever a epopeia por terras nórdicas, é bom a criar cenários e personagens mas, diga-se, não é realmente uma pessoa que lide bem com despedidas.

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O auge de “Vikings” surge no final, na batalha por Paris que está filmada de forma genial, as palavras e os diálogos são substituídos por setas e espadas, machados e estratégias, sangue e morte. Um episódio que é, ele todo, um autêntico frenesim de violência que fornece ao público tudo aquilo que ele ansiava. Em “The Dead”, o episódio final, temos um exercício interessante de estratégia que consegue iludir os espectadores e responder a questões que foram deixadas no ar desde o início. Hirst fixa-se nas fraquezas e virtudes do seu protagonista, construindo ainda melhor a personalidade do mesmo, levando-nos para o centro dos conflitos internos de Ragnar. Apesar de “Vikings” estar a tentar ser superior às suas limitações ao tornar-se numa série que é passada de boca em boca porque morre este e aquele, não deixa de ser uma série cativante no que toca a proporcionar um bom serão de entretenimento.

Esperemos que na 4ª temporada as coisas fiquem mais sorridentes para Ragnar e que os “Vikings” nos dêem muitas mais destas batalhas e estratagemas que são a sua melhor característica.

 

Texto escrito por: Jorge Lestre // CineAddiction

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