Remakes nem sempre são bem vistos. Ora falham em captar a essência do original, ora são inferiores em todos os aspetos, o que é certo é que para que eles aconteçam é necessário haver um cuidado especial para que não manchem a reputação dos seus predecessores.

Praticamente todos os géneros cinematográficos tiveram direito aos seus remakes, mas é o terror que parece ser dos mais requisitados. Talvez pela forma como as histórias antigamente eram contadas, ou mesmo pelo facto de tentar recriar a tensão das pérolas de antigamente, o que é certo é que há anos que se vem recriando alguns dos maiores filmes de terror da história, com o objetivo que se tornem novos marcos do terror.

Contudo, nem sempre tal acontece, o que se vê a maior parte das vezes são meras sombras do que os seus antecessores foram, acabando muitas vezes por manchar a reputação dos mesmos. Felizmente, nem sempre é assim, e de vez em quando surge um realizador que pega no material original e consegue recriar uma boa história, boas personagens, bons efeitos e bom terror. Neste Halloween, abordaremos sete remakes de filmes de terror cujas produções são tão boas ou até melhores que os originais que as inspiraram.

7. The Last House on the Left

Foi em 1972 que Wes Craven lançou um filme de orçamento reduzido mas imensamente controverso, no qual duas mulheres são torturadas e mortas numa floresta por um grupo de psicopatas, em cenas muito gráficas para a altura. As coisas para o grupo acabam por piorar quando são recebidos pelos pais de uma das mulheres, que, quando sabem o que aconteceu à sua filha e amiga, fazem por se vingar dos psicopatas da forma mais sangrenta possível.

Apesar de a versão de 2009 ser considerada mais controlada que a original, possui a mesma premissa controversa que fez com que o seu original tenha sido um sucesso de bilheteiras. É certo que este remake pode ser mais sangrento e visualmente mais explícito que o seu antecessor, mas a versão de Wes Craven ainda hoje é considerada como um dos filmes de terror mais icónicos e desconfortáveis de ver.

6. Night of the Living Dead

George Romero é considerado o pai dos filmes de zombies atuais, e o seu legado espalhou-se como o vírus que transforma os seres humanos em mortos-vivos, dando origem a um sem número de filmes do género. Em 1968, o filme Night of the Living Dead apresentou ao mundo uma nova dimensão de terror, provando que um filme de baixo orçamento, quando bem organizado, tem tudo para se tornar um ícone no futuro.

Tendo uma premissa simples (que envolve um grupo de sobreviventes refugiar-se numa casa e passar a noite a tentar sobreviver ao apocalipse de mortos-vivos), é fácil tentar recriar um dos maiores filmes de zombies de todos os tempos. Por isso, em 1990, Romero colocou a produção do remake nas mãos de Tom Savini, que apesar de não ter sido muito bem recebido na altura, hoje em dia provou ser uma muito bem vinda adição na coleção de filmes de zombies.

5. The Thing

The Thing From Another World foi lançado em 1951 e conta a história de uma equipa composta pela Força Aérea dos Estados Unidos e cientistas que encontram um disco voador e um corpo congelado no Ártico, que levam para um laboratório de pesquisas. Contudo, assim que o estranho corpo é acidentalmente reanimado, a criatura alienígena ataca cada um dos habitantes das instalações, levando-os a lutar pela sobrevivência.

A nova versão de John Carpenter é hoje considerada uma melhoria tão significativa que acaba por custar a acreditar que The Thing tivesse sido lançado em 1982. O filme pode não ter sido um sucesso de bilheteiras na altura (talvez devido ao sucesso de E.T. the Extra-Terrestrial), mas com o tempo, os fãs de terror começaram a ver este remake como uma versão superior, desde o seu ambiente mais negro aos efeitos práticos, que ainda hoje são bastante impressionantes.

4. The Fly

O filme de 1958 tinha uma premissa bastante simples: um cientista acidentalmente cruza o seu ADN com o de uma mosca durante uma experiência e tal resulta no mesmo ser transformado numa criatura que tem literalmente a cabeça de uma mosca num corpo humanoide. Apesar de se recorrer a máscaras de borracha e a efeitos simples, o filme conseguiu passar a sua mensagem com sucesso, sendo bastante bem recebido entre críticos.

Por sua vez, a versão de 1986 melhorou nos aspetos visuais, graças à direção de David Cronenberg, que colocou o ator Jeff Goldblum no papel de um cientista que mistura os seus genes com os de uma mosca, iniciando uma cadeia de mutações horrorosas que o irão transformar num ser repugnante e viscoso. Este remake de The Fly é considerado por muitos como superior ao seu antecessor, por ter elevado a tensão do enredo e criado bons efeitos que, tal como The Thing ainda hoje são impressionantes.

3. The Ring

O filme Ringu é uma das muitas provas da grande capacidade do Japão de criar boas e envolventes histórias de terror. A ideia de uma cassete amaldiçoada que mata quem a vê sete dias depois é uma premissa apaixonante para os amantes de lendas urbanas, e a história de Sadako tem tanto de triste como de aterrorizante.

Por isso, não é de estranhar que os Estados Unidos tenham interesse em reproduzir as suas próprias versões. Normalmente, os remakes americanos dos filmes de terror asiáticos falham em captar a verdadeira essência do filme e a atmosfera típica que tanto aterroriza os fãs deste género cinematográfico. Contudo, The Ring consegue ser um bom concorrente à fama do original, com uma história envolvente, atmosfera aterrorizante e efeitos surpreendentes.

2. Dawn of the Dead

Mais uma vez, um dos clássicos mais aclamados de George Romero teve direito a uma adaptação mais recente que soube fazer jus à qualidade do original. Em 1978, Dawn of the Dead havia chegado aos cinemas, contando a história de um pequeno grupo de sobreviventes do apocalipse que se refugiam num shopping e tentam sobreviver naquele novo ambiente.

Aproveitando o tema do filme, a ideia de Romero era meramente a de uma crítica social sobre o estado do consumismo, colocando os zombies que se dirigem constantemente ao shopping com o mesmo comportamento dos milhares de pessoas que todos os dias se deslocam sem qualquer propósito nos centros comerciais. Zack Snyder, no seu remake de 2004 decidiu abandonar completamente tal crítica, focando-se mais em zombies rápidos e num elenco de personagens mais vasto, variado e interessante.

1. Evil Dead

Foi em 1981 que o primeiro filme de uma das trilogias mais aterradoras de sempre deu à luz. Evil Dead conta a história de um grupo de universitários que decidem ir passar férias numa casa no meio de uma floresta e acabam por libertar uma legião de demónios e espíritos que os possuem. Com a participação lendária de Bruce Campbell, a trilogia tornou-se não só num marco do terror, mas também catapultou a personagem de Ash Williams como ícone de culto.

Por isso a necessidade de, em 2013 surgir o respetivo remake. Apesar de não entregar propriamente a “experiência mais aterradora de sempre” que prometia, este Evil Dead conseguiu estar a par do seu antecessor, conseguindo focar-se mais na partes de terror e ignorando a comédia por que tão bem conhecida era em Evil Dead IIArmy of Darkness. Sangue e vísceras não faltam nesta adaptação, e apesar de Ash não se encontrar presente, este filme não deixou de ser um grande triunfo para os fãs do género.