CinemaCríticas de CinemaDestaques“Cashpoint” – Uma curta-metragem cheia de classe

“Cashpoint” é uma curta-metragem realizada por Monique Needham que é também a argumentista. O filme esteve no mês passado em competição na secção de curtas do London Independent Film Festival e conta a história de uma mulher, Camille, que aceita um encontro com um homem que conheceu numa aplicação de namoros. Com duração que não chega aos 10 minutos, é, contudo, um pedaço de filme surpreendente já que só mesmo no final o espectador tem...
Cátia Santos Cátia SantosMai 2, 201967/1008 min
Duração
9 min
Género
Comédia, Drama
Overall Score
Rating Overview
Realização
70%
Elenco
70%
Argumento
60%
Fotografia
70%
Montagem
70%
Banda-Sonora
60%
Som
70%
Rating Summary
A estreia de Monique Needham no cinema é uma curta-metragem de classe, com bons atores, boa fotografia, boa história, tudo no sítio certo e ainda um delicioso twist no final, embrulhado num olhar entre o doce e o amargo.

“Cashpoint” é uma curta-metragem realizada por Monique Needham que é também a argumentista. O filme esteve no mês passado em competição na secção de curtas do London Independent Film Festival e conta a história de uma mulher, Camille, que aceita um encontro com um homem que conheceu numa aplicação de namoros.

Com duração que não chega aos 10 minutos, é, contudo, um pedaço de filme surpreendente já que só mesmo no final o espectador tem direito a saber o que realmente se passou nos bastidores de um encontro que parecia em tudo estar a ser perfeito.

A história é simples e muito direta ao assunto e, por isso, a beleza desta curta-metragem reside na imensa expressividade dos seus atores, a que a fotografia, de tons quentes e próximos, dão o empurrão decisivo.

Em tão pouco tempo, as armas para fazer uma boa curta têm de ser muito concisas e “Cashpoint” é um excelente exemplo de como concentrar o melhor de si e conseguir o interesse de quem vê.

É igualmente um grande exemplo de como transformar um argumento relativamente simples em algo mais do que uma história de relacionamentos perfeitos e romance à antiga. Demonstra um pouco das preocupações modernas de como as palavras podem não passar decisivamente de palavras  e encontrar ligações no meio da selva de cimento é um jogo de aparências.

Apesar de encarar estes elementos com humor e estar muito longe de ter um sentido pesaroso no espírito, deixa a sua marca depois de ser vista e pode ser surpreendente que seja lembrada, bem como a sua mensagem, mais tarde, possivelmente em momentos inesperados.

Monique Needham é realizadora e argumentista e começou a trabalhar em produção para televisão, em programas como “Big Brother” ou “Come Dine With Me”, na televisão britânica. Depois de muitos anos na indústria da publicidade, voltou à sua verdadeira paixão: a realização.

Em 2013, escreveu e realizou uma série produzida diretamente para o meio digital, “Housemates” que acabou por ser destacada em revistas como a Teen Vogue ou a Essence Magazine.

“Cashpoint” é, assim, a sua estreia na realização de filmes e é o passo decisivo para fazer a passagem entre concretizar séries para a internet e ter uma equipa completa de produção, algo que assustou inicialmente a realizadora mas que a prepara para aquilo que deseja de verdade no seu futuro que é a realização de longas-metragens, como, aliás, já admitiu.

No que diz respeito ao elenco de “Cashpoint”, a atriz Ani Nelson, que interpreta o papel de Camille, estudou na Academy of Live and Recorded Arts (ALRA) e teve participações na série “Roadkill” (Channel 4), bem como na longa-metragem “Casa Torta” (“Crooked House), da Brilliant Films.

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Kadeem Pearse especializou-se na Royal Central School of Speech&Drama, teve papel de destaque no filme aclamado pela crítica, de Kevin Aduaka, “Elvis Pelvis”, e, mais recentemente, na série vencedora de BAFTA “Pastilha Elástica” (“Chewing Gum”).

A edição de “Cashpoint” esteve a cargo de Emma McCleave, a produção de Nana Opoku, a fotografia é da responsabilidade de Bradley Stern e a talentosa e criativa colorista Rebecca Goodeye. A música foi composta por Reon Vangèr.

Cátia Santos

Cátia Santos

Sou apaixonada pelo cinema e pela escrita mas a minha primeira paixão foi a História. Em cada uma destas paixões estou como quando respiro e quero continuar a respirar assim.