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Critica | “A Paixão de Van Gogh”, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman

  • Outubro 23, 2017
  • 4 min read

Oito anos de produção, 125 pintores, 65000 quadros pintados a óleo, um filme inteiramente pintado à mão. É esta “A Paixão de Van Gogh” que nos deixa completamente apaixonados pelo filme.

Desde que em 2016 vi o filme ‘Anomalisa‘, filmado em stop-motion, que não via um filme de animação que me deixasse deslumbrado e a pensar no que mais se poderá fazer no cinema. Mas eis que nos surge este maravilhoso filme que nos deixa com um sorriso na cara do principio ao fim e nos arrebata por completo o coração durante os seus apenas 90minutos.

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História: Armand Roulin (voz de Douglas Booth) a pedido do seu pai – o carteiro que sempre entregou a correspondência de Vincent Van Gogh (voz de Robert Gulaczyk) ao seu irmão Theo Van Gogh (voz de Cezary Lukaszewicz)– tem a missão de entregar uma última carta destinada a Theo e tentar perceber se ele de facto se tinha suicidado ou se tinha sido assassinado. A partir daqui, entramos numa viagem pela estadia de Van Gogh pela aldeia onde terminou os seus dias, tanto na casa do médico Gachet (voz de Jerome Flynn) como pela estalagem onde faleceu. Ficamos a conhecer quem o ajudou e quem o atormentou nas últimas semanas da sua vida. Ficamos a saber que enquanto alguns o viam como um louco bêbado, outros o viam como alguém atormentado pelo passado numa busca quase impossível por reconhecimento. Um guião, que mais do que se focar na vida do génio Vincent Van Gogh, foca-se na sua morte e no porquê de se ter suicidado e que nos faz sentir as suas alegrias e as suas dores.

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A banda sonora de Clint Mansell – também conhecido por ‘Black Swan‘, ‘Requiem for a Dream‘ e o super aclamado episódio ‘San Junipero‘, da série ‘Black Mirror‘ – está soberba e encaixa perfeitamente em todos os momentos de ação do filme. Num filme que só por si já é fantástico, ter uma banda sonora que nos mergulha em todo o ambiente vivido, torna-o verdadeiramente incrível.

Já disse que o filme demorou 8 anos a ser produzido e convém explicar o porquê. Quando Dorota Kobiela decidiu realizar mais uma curta, quis que fosse sobre a vida/morte de Van Gogh e usar a sua técnica de pintura. Mas quando o projeto cresceu para longa e ficou conhecido, vários foram os artistas que quiseram participar, num total de cerca de 5000 candidatos onde só 125 foram escolhidos. Após o filme ter sido gravado com pessoas reais e com excelentes interpretações, chegou a hora da verdadeira obra de arte: pintar os 65000 fotogramas à mão, a óleo, usando a técnica de Van Gogh e em tela! A realização e a fotografia deste filme é algo nunca antes visto e que, muito possivelmente, não se repetirá nos próximos tempos. O filme é de uma qualidade tátil, quase tridimensional, e o brilho das cores realmente evoca o trabalho do pintor. Segundo Dorota, para que os espectadores pudessem descansar os olhos de tanto brilho e cor, as partes em retrospctiva – que mostram a visão das pessoas com quem Vincent conviveu – foram pintadas a preto e branco, remetendo-nos para uma história diferente vivida através das memórias de cada um.

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Em suma, é um filme notável, novo, refrescante (principalmente no que há animação diz respeito) e que, mais do que merecer, deve ser visto por todos! Na minha opinião, estamos perante o próximo Óscar para filme de animação.

Loving Vincent

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