Uma expedição composta por cientistas, exploradores e soldados descobre uma ilha misteriosa no Oceano Pacífico, ignorantes ao facto de ser a residência de inúmeros monstros, entre eles Kong.

Antes de começar a crítica, uma pequena história:

Era uma vez, no ano de 2014, num escritório em Los Angeles, numa realidade microscopicamente diferente da nossa…

Engravatado 1– Agora que já fizemos o “Godzilla” porque é que não criamos um Monstro-Verso onde eles possam todos lutar uns contra os outros? Como aqueles filmes de kaijus que os japoneses brilhantemente fazem?

Engravatado 2– Boa ideia. Isso é mesmo original. E sabes que mais? O próximo filme é com o King Kong.

Engravatado 1– Mas isso já foi feito pelo Peter Jackson…

Engravatado 2– O nosso vai ser melhor. O Kong dele é um anão comparado ao nosso… E vamos passar a história para os anos 70. Para o final da guerra do Vietname.

Engravatado 1– Boa!

Engravatado 2– Já sei! Vamos fazer o “Apocalypse Now” com monstros e sem as partes chatas!

E foi assim, hipoteticamente, num universo não tão alternativo ao nosso, que “Kong: Ilha da Caveira” teve a sua génese.

“Kong: Ilha da Caveira” é um filme com uma premissa tão simples que fico espantado como é que conseguiram falhar tão redondamente.

Dizer que o filme é composto por personagens cliché é ser mais previsível que a previsibilidade. Nenhuma personagem tem peso dramático, nenhuma história de vida, nada. Se esse intuito existia, então foi perdido entre a criação do argumento e a altura de filmagens.

Brie Larson faz uma foto-jornalista que passa o tempo todo a tirar fotografias. Mais nada. Esse é o seu propósito e contributo para a história. Tirar fotografias. Se o filme fosse passado nos nossos tempos seriam selfies com direito a posts no Instagram.


Samuel L. Jackson
é um óptimo actor que por vezes faz escolhas criativas que me fazem questionar a sua verdadeira motivação:

O cachet ou o cachet? Decisões…

Neste filme, faz uma amálgama do Coronel Kurtz de Marlon Brando em “Apocalypse Now” com o seu Jules Winnfield de “Pulp Fiction” e o resultado não é positivo. A certa altura tem um discurso ao género de “Ezequiel 25:17” mas sobre a lenda de Ícaro. O timing desse discurso só pode ser caracterizado como um wtf moment”.

Tom Hiddleston parece estar o tempo todo a perguntar-se o que está ali a fazer. O seu talento é desperdiçado num protagonista que só serve para levar a história de uma sequência de acção para outra.

O único actor que parece estar a tentar entreter é John C. Reilly e a sua participação acaba por ser a melhor razão para ver este filme. Os créditos finais são hilariantes. Cliché mas hilariantes.

Também temos personagens comic-relief que tentam ser o Riggs/Murtaugh deste filme, mas ficam mais perto do Beavis & Butthead; uma personagem com o sotaque sulista mais manhoso à face da Terra (vai-se tornar um futuro meme ou gif) e uma cientista asiática com quatro frases durante todo filme, uma delas para preparar a próxima sequela.

Então e o Kong?

O Kong aqui ainda não é King. Suponho que deva estar à espera dos resultados às análises do seu sangue azul… Além de ser do tamanho da Ponte sobre o Tejo é o gorila mais direito que eu já vi. Conheço pessoas que andam mais encurvadas que ele. Nas sequências de luta, o seu estilo é puro gorila MMA. O seu “ground and pound” é excelente. Quando não resulta, um tronco de árvore como taco de basebol ou lança resolve o truque. Também ajuda os outros monstros serem tão genéricos que nunca chegam a criar um verdadeiro perigo iminente.

Os efeitos especiais são excelentes e isso nota-se em IMAX. A banda sonora também é de louvar. Bandas como Jefferson Airplane, Black Sabbath, Creedance Clearwater Revival e The Stooges ajudam-nos  a entrar no vibe dos anos 70 e isso torna o filme, no mínimo, tolerável.

Em suma, o filme entretém?

Sim… Especialmente com muitas pipocas e bebidas a acompanhar. Coisas que eu não tinha. Não criem altas expectativas. É um filme de rápido consumo e fácil esquecimento.

Talvez o próximo seja melhor…