Privado do seu direito de berço e sem qualquer ideia de quem realmente é, Artur acaba por crescer da maneira mais dura nas ruas e vielas da cidade.

Mas no momento que retira com sucesso a mítica espada da pedra, a sua vida sofre uma reviravolta e vê-se forçado a honrar o seu legado… quer ele queira, quer não.

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Pensam que sabem o que esperar de um filme sobre o Rei Artur? Um filme com cavaleiros nobres, feiticeiros sábios e donzelas românticas com chapéus pontiagudos, não é? Talvez tenha sido assim no passado, mas não em 2017 e muito menos quando é realizado por Guy Ritchie.

Porque neste filme, as lendas Arturianas são usadas, abusadas e descartadas conforme a história assim o exige. Uther Pendragon (Eric Bana) o pai de Artur, é o rei de Camelot (quando as lendas apontam para Artur como o fundador desse mítico reino). Mordred (o filho de Artur com a sua meia-irmã Morgana) é apenas um feiticeiro vilão cuja cabeça é separada do seu corpo nos primeiros 5 minutos de filme. Nem tem direito a falar. E a sequência inicial do filme, por muito espectacular que seja, parece saída do universo do “Senhor dos Anéis”. Até olifantes têm.

E isto tudo antes dos créditos iniciais… Que são uma montagem estilo videoclip inspirada nos créditos iniciais de “Conan, O Bárbaro” e que servem apenas para rapidamente vermos Artur a crescer nas ruas perigosas de Londinium.

Artur é um misto entre lutador de MMA e rockstar. Estamos a falar de 8% de massa gorda e um six-pack de fazer inveja ao CR7. O seu discurso é eloquente e o seu raciocínio é moderno. Se nos nossos dias isso seria normal e aceitável, naquela era irreal é simplesmente bizarro. E para acrescentar, Artur é proxeneta. Sim, leram bem. Artur é um mack-daddy… Ou trabalha como chefe de segurança num “estabelecimento de má reputação”. Um dos dois. Não consegui perceber. Mas de certeza que recebe uma percentagem dos lucros da casa. Aliás, isso aparece no filme.

A sério, pessoal. Eu não conseguiria inventar isto nem que tentasse.

Artur tem um gang composto por personagens descartáveis e sem grande importância para lá de forçarem o “Rei prometido” a cumprir o seu destino. Um deles nem nome tem. O seu propósito é fazer-nos acreditar num possível romance com Artur. Sim, é uma mulher. E é feiticeira.

Por falar em feiticeiros, não se percebe para onde foram, de onde a sua magia origina, ou com que propósito Merlin criou a espada do poder, Excalibur. E Merlin não aparece no filme.

Como já disse acima, as lendas Arturianas só são usadas quando é conveniente preencher certas lacunas existentes no argumento. Ou para criar situações que obriguem o nosso herói a aceitar o seu destino. E isto acontece três vezes seguidas em cinco minutos.

Até uma trip psicadélica este filme tem.

– E os efeitos especiais, Luis? De certeza que são bons…

Sim…E não!

Na maior parte do filme, os efeitos especiais conseguem servir a história e criar aquele mundo fantástico de forma bastante imperceptível. No entanto, existem três grandes sequências de acção onde o CGI é tão fraco que parece que estamos a ver um filme do início de 2000. Ou a jogar um beta version do “God of War”.

Este filme tem tudo para ser bom. E no entanto é apenas razoável.

Eu nem quero falar dos actores porque tanto Charlie Hunnam (“Sons of Anarchy”) como Jude Law (“Sherlock Holmes” e “The Young Pope”) estão empenhados nos seus papéis. São bons actores. O realizador, Guy Ritchie, um dos meus realizadores favoritos (“Lock, Stock and Two Smoking Barrels”, “Snatch” e “Rockenrolla”), já deu mais que provas das suas capacidades para comandar projectos desta envergadura. Afinal de contas o seu próximo filme vai ser “Alladin”.

O problema está unicamente num argumento fraco e mal estruturado, que acaba por criar uma história sem coesão e bastante monótona.

É lamentável, porque o potencial para algo muito melhor estava lá, mas não foi aproveitado.

O filme diverte mas não muito.