“Vingadores: Endgame” é o filme por que todos os fãs ansiavam, superando as expectativas e proporcionando uma cadência de momentos incríveis ao longo das suas 3 horas de duração.

Antes de mais, “Vingadores: Endgame” é um filme que merece ser visto sem saber o que vai acontecer. O impacto é muito maior a cada plot-twist, fazendo lembrar uma altura em que as pessoas iam ao cinema sem saber o filme de uma ponta à outra. Nos últimos tempos não faltam exemplos de trailers que revelam muito mais do que deviam, como quem vai morrer em “X-Men: Fénix Negra” ou uma diferença crucial no remake de “Samitério de Animais”. No entanto, no caso de “Endgame”, os responsáveis pelos trailers fizeram um excelente trabalho em vender o filme sem mostrar muito conteúdo, cingindo-se praticamente aos primeiros 20 minutos, restando 2 horas e 40 minutos de puro terreno desconhecido para o espectador que evitar os spoilers nas redes sociais.

Por outro lado, há um elemento muito importante que distingue “Infinity War” de “Endgame”. Se no primeiro era possível apreciar a aventura só conhecendo vagamente os heróis, neste novo capítulo torna-se imprescindível a visualização de quase todos os que o precederam, para um bom aproveitamento e compreensão da história e do que esta significa para a continuidade do MCU.

 

Mas passando agora ao filme propriamente dito, “Vingadores: Endgame” é verdadeiramente a meta de uma maratona com mais de uma década… e quão gloriosa é essa meta! A cargo de quatro dos filmes mais relevantes do MCU (Winter Soldier, Civil War, Infinity War e Endgame), os irmãos Anthony e Joe Russo concretizaram a tarefa hercúlea de juntar heróis e vilões num combate final forte e emotivo, que demorará muitos anos até a Marvel conseguir construir uma narrativa cujo culminar tenha o mesmo impacto.

Sem revelar spoilers, o filme é facilmente dividido em 5 partes, cada uma com um ritmo diferente, que nunca é apressado para dar mais tempo ao que vem a seguir. Certas partes servem para mostrar o lado mais humano e outras o lado mais heróico e é a fusão destes dois elementos que faz com que cada acontecimento tenha um impacto mais forte no espectador. Depois (obviamente) há toda uma dimensão de fan service, mas a um nível muito superior do que em qualquer outro filme da Marvel. Em “Endgame” os irmãos Russo quebram todas as barreiras para oferecer aos fãs momentos espectaculares que deixam uma sala inteira de queixo caído e a bater palmas. É verdade que para ser possível proporcionar vários destes grandes momentos, o argumento acaba por recorrer a soluções de bricolage que numa análise mais profunda são uma opção menos original e com algumas falhas estruturais, mas quem é que se importa quando se pode ver …….. a lutar contra …….. e …….. a juntar-se a …….. e outra versão de …….. … Enfim, quem vir o filme vai perceber.

Robert Downey Jr. (Iron Man), Chris Evans (Captain America) e Chris Hemsworth (Thor) são quem tira mais proveito da estrutura do filme, sendo que também há lugar para um maior desenvolvimento das personagens de Mark Ruffalo (Hulk), Jeremy Renner (Hawkeye) e Karen Gillan (Nebula). A equipa de efeitos visuais concretiza algumas telas dignas da mitologia grega e outras que parecem uma cópia minuciosa das tiras da banda-desenhada, tudo ao som da orquestra épica a tocar o tema dos Vingadores, numa construção coesa que não desilude quem tem vindo a acompanhar o MCU.

“Endgame” não é para todos. Há uma parte da sociedade que não se identifica com este tipo de filmes e que claramente não tirará grande proveito deste fantasioso confronto de titãs. Mas é inegável que é o filme mais representativo da corrente de cultura pop super-heróica que marcou a sétima arte na última década.