Realizado por Peter Hutchings, Departures é mais uma ”dramédia” by the book, mas que ainda assim tem os seus pontos positivos.

Departures segue a história de Skye, uma rapariga que se encontra em fase terminal na sua luta contra o cancro. Skye elabora uma Bucket List, e recruta a ajuda de um jovem hipocondríaco, Calvin, para a ajudar a cumprir estas tarefas. É, à semelhança de outras obras desta década como ”The Fault in Our Stars” ou ”Me and Earl and the Dying Girl”, um filme em que o cancro de determinada personagem, ou personagens, é um grande plot point da história. Não se trata propriamente de um filme que grite inovação, portanto.

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Departures

Não sou da opinião que seguir fórmulas seja inerentemente um ponto negativo. Acredito, no entanto, que certos tipos de história são mais convidativos a essa facilidade, sendo que este não é um deles. De facto, Departures não é apenas um filme formulaico, é também um filme recheado de clichés. Não demora muito até percebermos como o filme vai acabar, e é até fácil de adivinhar como certas cenas se vão se desenrolar enquanto as assistimos.

O argumento não é muito forte, e a própria realização também não é de bradar aos céus. É um filme construído com o propósito de comover os espectadores, mas também de os divertir, aspetos que, em combinação, fazem com que nenhum dos temas seja explorado com especial profundidade. Nunca chegamos a sentir verdadeiramente o impacto do cancro de Skye na sua vida e na dos que a rodeiam. Aliás, ocasionalmente não pude evitar sentir que certos momentos difíceis foram propositadamente ”escondidos” da audiência, que ao longo de quase 100 minutos nunca se deparou com algo verdadeiramente duro de digerir.

Departures

Este é, contudo, um filme seguro da sua identidade, e que nunca tenta apresentar-se como mais do que é. Essa é talvez a sua maior virtude, a par com a dinâmica entre as duas personagens principais. Maisie Williams e Asa Butterfield fazem um trabalho competente, e sabem tomar partido do tipo de filme em que estão inseridos. Há uma química clara entre ambos, que produz alguns momentos divertidos e enternecedores. Nina Dobrev, por outro lado, é pouco mais que um corpo presente.

Apesar de tudo isto, nunca tive a sensação que o filme se estava a arrastar. Tem um ritmo agradável, e é um filme fácil de seguir até ao fim.

Sumariamente, Departures é um filme experimentado que não oferece nada de novo nem no conceito, nem na sua execução, mas que tem ainda assim o seu brilho, em grande parte devido ao trabalho da dupla de atores principais e à sua notória ausência de pretensiosismo.