O canal AMC Portugal estreia esta semana a série “Gigantes”. Realizada por Enrique Urbizu e Jorge Dourado, a série é composta por duas temporadas.

“Gigantes” segue a história da família Guerrero composta pelo patriarca Abraham (José Coronado) e os seus três filhos: Tomás (Daniel Grao), Daniel (Isak Férriz) e Clemente (Carlos Librado “Nene”). Juntos estes controlam metade de Madrid e espalham medo e respeito por todo o bairro.

A série produzida pelo canal Movistar+ aposta no género gangster desta vez com uma família de máfia espanhola. Estão aqui todos os elementos do género, o patriarca “todo o poderoso” e temido por todos personificado por Abraham, cuja cada linha de diálogo cospe toda a essência de um magnata louco pelo poder. Tomás, o filho mais responsável, que conseguiu uma linha de mercado bem sucedida fora da família mas que ainda assim permanece preso à coleira do seu pai. Clemente, que pretende libertar-se da sombra do patriarca e tornar-se um lutador de boxe e por fim Daniel, o típico braço direito cuja verdadeira motivação é destronar o pai.

Assim sendo, “Gigantes” bebe da fonte de clássicos como “The Godfather” ou “Once Upon a Time in America”. A sua banda sonora traduz perfeitamente as batidas de um clássico da máfia italiana, cheia de floreados e tons de mistério. A família a jantar junta em torno da mesa e o senso de uma família forte e poderosa. Esta união familiar apresenta-se como em qualquer filme do género como venenosa, os parentes que julgam fazer o bem por aqueles que pertencem ao seu sangue são capazes de os prejudicar para proveito do negócio. E é neste aspeto que Gigantes triunfa.

A intriga familiar é o que torna este piloto transmitido esta semana pelo canal AMC, numa introdução que me instiga a continuar o o resto da série. A família Guerrero, que no começo do episódio parece entrar em guerra com um povo cigano, parece entrar numa guerra muito mais complexa. Uma guerra dentro do seio familiar.

Aparte uma história cheia de intrigas, a cinematografia de Unaz Mendia traduz ruas rurais e tradicionais e de cores vividas e sucede ao transformá-las num ambiente soturno bastante característico do cinema noir. Isto é presente em especial numa cena noturna na qual Abraham caminha sozinho numa rua calçada e deserta. A sua presença poderosa é desprovida de qualquer poder quando é contrastada numa rua vazia pertencente a uma cidade cheia de residentes que o odeiam. O senso de tensão é muito bem traduzido em cenas como esta que percorrem o ótimo primeiro episódio desta série.

Ainda na personagem de Abraham, a primeira meia hora do episódio demonstra uma representação de um patriarca um tanto ortodoxo. Este grita no topo de uma montanha como uma personagem de um cartoon e confesso que nas suas primeiras cenas a personagem não me prendeu nada. Foi com o decorrer do episódio que a personagem me conquistou ao demonstrar os seus maquinismos dentro da sua família, em especial pela forma como controla cruelmente os seus três filhos.

“Gigantes” já terminou no nosso país vizinho e chegou agora ao nosso país com força. Para todos os que estiverem à procura de uma intrigante história de uma família gangster estilo “Goodfellas”, esta série oferece um bom exercício do género que só promete melhorar em episódios vindouros.