A ameaça de uma greve dos argumentistas tem abanado Hollywood. O sindicato Writers Guild of America votou e 96.3% dos seus associados disseram sim à greve. Caso aconteça, pode começar já dia 2 de Maio.

Comecemos por recordar a última grande greve dos argumentistas, em 07/08. Esta greve durou quase 4 meses, tendo começado em 5 de Novembro de 20017 e terminado a 12 de Fevereiro de 2008. 100 dias. Os efeitos desta longa paragem foram graves para muitas séries, filmes e programas de rádio. Com 12000, sim, 12000 profissionais em greve.

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 Mas quais são as razões desta greve?

O objectivo da greve era, e continua a ser, estabelecer melhores condições a nível salarial (também inclui serem pagos à hora e não por episódio), melhores acordos visando seguros de saúde e licenças de maternidade/paternidade, fim dos contractos de exclusividade e revisão do valor pago pelos serviços de streaming aos argumentistas.

Há dez anos, a greve contra a  Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP) que representa os interesses de quase 400 empresas de entretenimento televisivo e cinematográfico. Para compreenderem melhor a gravidade da situação, as maiores empresas representadas pela AMPTP são a MGM, a CBS, a NBCUniversal, a Lionsgate, a Paramount Pictures, a Sony Pictures, a Disney, a FOX e a Warner Brothers.

Quais os efeitos da greve no entretenimento?

O sector mais afectado foi sem dúvida o televisivo. 53 séries tiveram temporadas mais curtas. CINQUENTA E TRÊS. 13 foram ADIADAS e outras 13 CANCELADAS. “Ossos”, “Mentes Criminosas”, “A Teoria do Big Bang”, “Prison Break” e “Family Guy são apenas algumas das séries afectadas pela greve.

Os estúdios “taparam o buraco” com reality shows, que não necessitam de guião. Programas como “American Idol” e “Big Brother” não foram, de todo, afectados pela greve. Muito pelo contrário.

Como terminou?

O sindicato Writers Guild of America terá chegado a um acordo com as grandes produtores. Apesar dos argumentistas terem perdido contractos a curto-prazo, conseguiram, na teoria, melhores condições para futuros trabalhos.

Quais serão as consequências de uma nova greve?

Em primeiro lugar, os late-night shows param de imediato. Com os guiões escritos diariamente, “Saturday Night Live” e tantos outros serão os que mais irão sofrer com uma possível greve. Repetições de programas gravados deverão ser a solução para a falta de novo conteúdo. Já no cinema poderá haver um adiamento de alguns blockbusters ou o uso de guiões com menor qualidade numa tentativa de cumprir a data de estreia.

Quantas às séries, muitas estarão em risco de terem temporadas mais curtas (principalmente as que estreiam no Verão) ou de verem a sua estreia adiada, se estrearam no Outono.  Por exemplo, “Fear The Walking Dead” (estreia no Verão) estará apenas em risco de ser afectada se ainda não houver guião para todos os episódios. “The Walking Dead” e “American Horror Story” (estreia no Outono) , caso a greve se estenda por meses, verão a sua data de estreia posta em causa.  A boa notícia vai para os fãs de “Guerra dos Tronos” que, apesar de estrear em Julho, a sétima temporada já deverá estar pronta a estrear nessa altura.

Qual é o ponto de situação?

Neste momento várias reuniões entre o sindicato e os estúdios decorrem como tentativa de evitar a greve, que será decerto catastrófica. O contracto do sindicato de escritores com os estúdios termina dia 30 de Abril. Se até lá não chegarem a acordo, a greve poderá mesmo acontecer.

Aguardamos desenvolvimentos.