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“Halloween” – A Sequela 3.0

João Borrega
  • Outubro 24, 2018
  • 4 min read
“Halloween” – A Sequela 3.0

40 anos após a estreia do primeiro filme, “Halloween” consagra-se como a verdadeira sequela do clássico realizado por John Carpenter.

Como que uma espécie de tabula rasa, o espectador que for assistir a este novo “Halloween” poderá esquecer todos os acontecimentos das sequelas já existentes. Este novo filme é visto como uma sequela direta do clássico que estreou em 1978 e tem gerado uma legião de fãs desde então.

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Nesta nova entrada na saga, a história decorre 40 anos depois do sucedido no primeiro filme. Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) tem treinado toda a sua vida, a si e à sua família, para um suposto novo confronto com Michael Myers, o serial killer que a traumatizou para sempre. Todo este trauma levou a que ela fosse separada da sua filha e, por consequência, da sua neta. Contudo, durante uma transferência de hospital, Michael Myers liberta-se. À solta durante o Halloween, vai chacinando pessoas até chegar a quem ele mais deseja – Strode.

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Vamos primeiro àquilo que importa: como está Michael Myers no filme? Pode-se dizer que continua a mostrar o porquê de ser uma presença assídua nos pesadelos de muitas pessoas. Com uma máscara mais suja e desgastada pelo tempo, o serial killer tem uma presença fria que arrepiará a audiência… Mesmo em momentos em que apenas se ouve a sua respiração.

Jamie Lee Curtis regressa ao papel que a catapultou para o estrelato. Aqui, dá-nos uma Laurie Strode traumatizada mas destemida, com um medo e uma garra constante para enfrentar o seu inimigo. É a personagem que consegue gerar mais empatia emocional com a audiência, tornando-se assim o elemento mais forte do filme.

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A realização de David Gordon Green é uma homenagem ao antecessor, ao transferir as suas características do original para os dias de hoje. Isto é percetível seja pela composição de certos frames com a utilização do desfoque ou na banda sonora, que tem como base o DNA da composição do original mas que lhe confere o seu próprio cunho mais moderno. Até mesmo a forma como apresentam a violência no filme, seja esta representada visualmente ou não para o espectador, trará certamente um sorriso aos fãs da saga.

Halloween” tem, como todos os filmes, as suas próprias falhas. E muitas destas falhas ocorrem devido ao facto de ter um argumento pouco focado no seu enredo principal. Entre o humor que está desadequado e deslocado em certas cenas, tal como personagens que servem somente como manequins, que tomam decisões desprovidas de lógica e tornam-se indivíduos descartáveis para o Michael chacinar, o filme patina para chegar ao seu objectivo.

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Contudo, a parte menos interessante do filme é mesmo a família de Laurie Strode. Em especial a sua neta Allyson (Andi Matichak). O filme faz questão de nos guiar por tramas na vida da rapariga, entre uma mãe que não quer saber da avó e discussões com o namorado num baile de máscaras. Nada disto é interessante para o espectador e apenas rouba tempo no confronto que queremos ver. Todo este drama adolescente impede a construção duma tensão que se torne num fio condutor ao longo do filme.

Em suma, “Halloween” é uma transfusão do antigo para os tempos modernos, com todos os efeitos e defeitos que isso acarreta. Oferece, no entanto, elementos muito fortes que irão agradar aos fãs da saga. Apesar de ser ascendente na sua qualidade, a viagem até à sua excelente conclusão é um pouco atribulada.

João Borrega
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João Borrega

João, 23 anos. Comunicador nato, com um apetite feroz para cinema e música. Quotes de cinema fazem parte do meu vocabulário diário e grande parte das minhas 24h é a pensar em filmes e cultura

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