“Jojo Rabbit” é protagonizado por Roman Griffin Davis, na pele de um rapaz de dez anos que tem como amigo imaginário o maníaco Adolf Hitler.

Taika Waititi é um realizador que ainda não me tinha surpreendido a cem por cento. Filmes como “Thor: Ragnarok” e “What we do in the Shadows” demonstram certamente que o realizador possui um tipo de humor e realização cheios de personalidade. Contudo, ambos os filmes não me agarraram no nível emocional. Desta vez, posso dizer que o realizador acertou em cheio. Em “Jojo Rabbit” Taika Waititi vai além da sátira para entregar um filme não só hilariante como também emocionante.

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 O elenco do qual o realizador também faz parte como Adolf Hitler é simplesmente fenomenal. Roman Griffin Davis interpreta Jojo de forma impecável. A sua personagem é uma criança moldada pelos arquétipos da filosofia nazi, desprezando os judeus e desejando acima de tudo ir para a guerra. Em Jojo está refletido o ideal nazi submetido à população que acreditava nestes valores. As suas conversas com o seu amigo imaginário Hitler, são simplesmente hilariantes, e precisamente o tipo de humor negro a que o realizador já nos habituou.

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 A beleza do filme, contudo está na relação de Jojo com Rosie, a sua mãe e Elsa, uma judia que vive escondida em sua casa. Estas personagens desafiam o Jojo e os seus valores, levando a personagem a questionar o que é certo e errado em cenas extremamente hilariantes mas muitas vezes reconfortantes.

Scarlett Johansson entrega mais uma performance digna de um Oscar. Que ano para atriz, que já brilhou em filmes como “Marriage Story” e “Avengers: Endgame”! Aqui a atriz interpreta uma alemã cujo maior desejo é a paz para que o filho não tenha de viver num ambiente de guerra. Outra grande performance do filme é sem duvida a de Thomasin Mckenzie que interpreta Elsa, a judia que foi acolhida pela mãe de Jojo. A atriz entrega um sarcasmo afiado quando posta em confronto com Jojo, e é na amizade que surge entre ambos que o filme se transforma em mais do que uma sátira.

 Em certos aspetos esta produção lembrou-me de “A Vida É Bela”, de Roberto Benigni, que começa extremamente hilariante e termina extremamente triste. “Jojo Rabbit” não chega a ficar extremamente dramático, contudo o terceiro ato do filme entrega uma das jornadas emocionais mais bem conseguidas do ano a par de uma virada no argumento simplesmente inesperada.

 “Jojo Rabbit” é na minha opinião o melhor filme deste realizador. Cheio de boas performances, altas gargalhadas, mas acima de tudo, um grande coração.