CinemaCríticas de CinemaJudy | Zellweger brilha na pele de uma personagem da Fábrica Hollywood

Renée Zellweger continua a surpreender os fãs, dando uma performance incrível como Judy Garland, uma das muitas crianças “Made in Hollywood”. Judy Garland era considerada por muitos uma das principais atrizes/cantoras da “Era de Ouro” de Hollywood dos filmes musicais. Ao imortalizar a canção “Over the rainbow” no filme “O Feiticeiro de Oz”, Garland atingiu um estatuto invejável no mundo do cinema… Mas a que custo? “Judy” dá-nos uma visão global do que é crescer...
Sara Resende Sara ResendeJan 7, 202078/100
Overall Score
Rating Overview
Realização
70%
Representação
85%
Argumento
70%
Maquilhagem e Guarda-Roupa
85%
Banda Sonora
80%
Rating Summary
"Judy" deixa os espectadores com pena e compaixão, depois de ter uma pequena visão sobre os sacrifícios de uma criança para ser tornar uma estrela e as consequências disso na vida adulta.

Renée Zellweger continua a surpreender os fãs, dando uma performance incrível como Judy Garland, uma das muitas crianças “Made in Hollywood”.

Judy Garland era considerada por muitos uma das principais atrizes/cantoras da “Era de Ouro” de Hollywood dos filmes musicais. Ao imortalizar a canção “Over the rainbow” no filme “O Feiticeiro de Oz”, Garland atingiu um estatuto invejável no mundo do cinema… Mas a que custo?

“Judy” dá-nos uma visão global do que é crescer em Hollywood, o que deixa o espectador triste e com pena de uma criança assim. Garland foi muito massacrada, desde tenra idade, para perder peso e gravar por vezes 18 horas por dia. Consequentemente, Garland estava sempre cansada, irritada por nunca puder comer o que queria e a medicação trouxe problemas de sono. Alguns produtores de filmes chegaram mesmo a dizer que ela era “um patinho feio” e fisicamente demasiado robusta. E a dor desta Judy é perfeitamente transmitida pela jovem atriz Darci Shaw.

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O filme começa com Garland já adulta, na sua aventura pelos clubes nocturnos de Londres em 1969, que aceitou fazer por problemas financeiros. O filme vai para a frente e para trás na vida desta artista, para fazer o espectador compreender o seu comportamento, desde os abusos ao qual foi sujeita por parte da MGM e da sua própria mãe, à solidão e aos seus problemas com o álcool e medicamentos. Curiosamente, começamos a ver aqui também um pouco a razão do movimento “Me Too“. A própria Judy Garland foi uma das vitimas de Louis B. Mayer, o co-fundador da MGM. Mayer era uma espécie de Harvey Weinstein da altura.

 Nos seus concertos em Londres, Judy nem sempre foi bem-sucedida. Por vezes aparecia no palco um pouco alcoolizada, insultando os fãs e a ser constantemente uma dor de cabeça para o gerente do clube. No fundo, Judy só queria o que todas as mães querem: ir para casa e passar tempo com os filhos.

O filme falha um pouco ao explorar a relação de Judy com a sua filha Liza Minnelli. Talvez fique para outro filme, visto que esta relação mãe e filha também merece a sua atenção.

“Judy” tem o argumento de Tom Edge e realização de Rupert Goold. Em suma, o que torna este filme especial é a prestação de Zellweger que dá alma e coração a este papel. Consegue assim,  trazer novamente Judy Garland para o ecrã, ao falar, dançar e cantar como ela. O Guarda-Roupa e maquilhagem do filme trazem cor a um filme tão melancólico. Zellweger volta assim aos papéis dignos de nomeação para Óscar e vencedor de um Globo de Ouro!