Num género que, comummente, segue sempre a mesma fórmula, chega-nos Juliet, Nua, um romance que se preza por oferecer uma ruptura aos padrões românticos a que estamos habituados.

Adaptação do livro escrito por Nick Hornby, Juliet, Nua relata a história de Annie (Rose Byrne), uma mulher a aproximar-se dos 40 anos e que se encontra saturada da vida que leva numa pacata vila e numa relação estagnada com Duncan (Chris O´Dowd), um professor fanático por um músico chamado Tucker Crowe (Ethan Hawke). Ao realizar, num website do namorado, uma crítica menos positiva do álbum do músico, Tucker entra em contacto com ela e os dois encontram-se como um refúgio um do outro, enquanto a vida de ambos descamba.

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A um primeiro contacto com o filme, qualquer pessoa seria perdoar por calcular que o mesmo não passaria de uma simples comédia romântica, mais uma de tantas que assaltam de rompante o entretenimento. Porém, ao ficarmos mais familiarizados com ele, Juliet, Nua demonstra ser mais do que aquilo que apresenta à superfície.

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Jesse Peretz realiza de uma forma natural, sem artifícios nem artimanhas, uma história simples e bem escrita que esmiúça e desconstrói a fase de “crise de meia-idade” que as personagens estão a ultrapassar. Seja a falar sobre a obsessão para com artistas que não conhecemos, a estagnação na vida que acinzenta os dias ou a dúvida constante do que fizemos/faremos e suas consequências, tudo isto são assuntos debatidos durante o decorrer do filme que, seja de modo divertido ou dramático, consegue criar uma ligação forte com a audiência e empatia com as personagens.

Aqui, é deveras importante destacar o desempenho dos actores, em especial Rose Byrne e Ethan Hawke. Estes oferecem-nos um par romântico realista e com personalidades intensas, sendo visível a cada momento a bagagem emocional das personagens. Quase como que sem esforço, cada actor consegue convencer tanto nos momentos divertidos como nos mais dramáticos, com uma subtileza que conseguirá encantar o espectador.

A única falha mais evidente de Juliet, Nua será mesmo a forma como conclui a sua história, seja isto no sentido do argumento ou da edição do próprio filme. Depois de passarmos um bom bocado com estas personagens, de nos envolvermos com as mesmas de torcermos para que as mesmas tomem o rumo certo às suas vidas, a forma como o filme termina é um pouco abrupta. Especialmente no que diz respeito à personagem principal, Annie toma decisões e executa essas mesmas decisões fora do ecrã, sem nos dar a oportunidade de vermos a mudança na personagem e não nos dar a satisfação de a acompanharmos nessas mesmas decisões fundamentais para a sua vida.

Em conclusão, Juliet, Nua é um filme muito doce e charmoso, que oferece comédia sóbria e natural, com marcas características do estilo britânico. A sua desconstrução das tormentas das personagens irá, certamente, ser como um espelho para muitos dos espectadores e poderá servir como uma catarse para muitas pessoas.