“The Last Days of American Crime”, realizado por Olivier Megaton, vem-nos ensinar que ter uma boa ideia como base não é suficiente para se ter um bom filme como produto final.

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A Netflixna verdade, todos os serviços de streaming disponíveis, têm vindo a ser os salvadores da Pátria neste ano. Fiéis companheiros a todo o momento, nunca nos deixando ficar sós nos momentos que mais precisamos deles. 

Elogios e agradecimentos é tudo o que podemos dizer sobre estes serviços, que disponibilizam intermináveis horas de conteúdo, impossíveis de consumir na sua totalidade numa só vida, sendo actualizados semanalmente. 

Porém, nem todo o conteúdo merece ser consumido. Nem todo o conteúdo disponibilizado merece a nossa atenção. “The Last Days of American Crime” é um destes conteúdos. 

Num futuro pouco distante, de forma a conseguir pôr um travão no terrorismo e crime, o governo americano irá recorrer de um dispositivo de travará qualquer acto malicioso por parte de criminosos. Porém, antes da activação deste dispositivo, um grupo irá tentar um último assalto que ficará a ser conhecido como o último crime realizado na América. 

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Como se pode verificar, “The Last Days of American Crime” tem um conceito interessante na sua base. Mas, com uma morosa duração de 148 minutos, rapidamente perde o Norte e caí sobre o peso do seu próprio ego. 

A verdade é que “The Last Days of American Crime” quer fazer mais do que aquilo que é capaz. Para além do seu núcleo interessante, tem de equilibrar uma grande variedade de histórias ao mesmo tempo, nunca conseguindo dar a devida atenção a nenhuma para esta conseguir desabrochar. Porém, tem em si uma falsa sensação de epicidade, tentando dissimular todas as falhas ao longo da narrativa.

E são mais que muitas as falhas. O filme é pejado de momentos ilógicos, diálogos ocos de sentido ou personagens a oscilar entre o aborrecidas e o irritantes, sendo meras caricaturas do que pretendem ser – não por culpa dos actores, mas mesmo pela direcção que o argumento e o realizador tentam fazer deles. 

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Entre narração em voz off que não chega a meio do filme, a acontecimentos importantes para  a história  que apenas ocorrem por mera casualidade ou actos de personagens que apenas ocorrem para poder prosseguir a narrativa, tudo neste filme é demasiado plastificado, contendo todos os lugares comuns de filme de acção sem qualquer sabor característico. 

Toda a ideia central do filme se perde em histórias paralelas, nunca conseguindo voltar a encontrar o caminho certo para o sucesso. Com um ritmo acelerado mas demasiado extenso e pouco interessante, “The Last Days of American Crime” depressa se torna bastante aborrecido para um filme de acção.

E, por falar em acção, esta tem pouco brilho e pouco aparato, recheados por uma edição pobre e coreografias desinspiradas. Devido ao facto de não nos interessarmos pela história, as sequências de acção perdem qualquer clima de adrenalina ou de tensão, tornando-se apenas ruído visual para tentar manter o espectador acordado até aos créditos finais. 

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Feitas as contas, “The Last Days of American Crime” não é mais do que uma perda de tempo. Pouco focado e sem qualquer interesse em fazer sentido, ilógico e rudemente extravagante, Olivier Megaton realizou um filme descabido e com a mania das grandezas.

REVER GERAL
Realização
35 %
Representação
30 %
Argumento
30 %
Montagem
35 %
Efeitos Visuais
40 %
Banda-sonora
30 %
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João, 23 anos. Comunicador nato, com um apetite feroz para cinema e música. Quotes de cinema fazem parte do meu vocabulário diário e grande parte das minhas 24h é a pensar em filmes e cultura
last-days-american-crime“The Last Days of American Crime” não é mais do que uma perda de tempo. Pouco focado e sem qualquer interesse em fazer sentido, ilógico e rudemente extravagante, Olivier Megaton realizou um filme descabido e com a mania das grandezas.

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