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A WGN America resolveu renovar Salem, a sua visão cruel, dura e fantasticamente perturbadora do convento de bruxas que historicamente originou o terror nas ruas da vila de Salem. A primeira temporada, repleta de magia negra e do verdadeiro conceito de caça às bruxas, lançou um novo conceito que tirará o sono a muito boa gente que gosta do universo oculto. Mary está apaixonada por John Alden que, quando foi recrutado para combater na Guerra, todos pensavam ter morrido. Completamente destroçada, Mary procura desesperadamente por um consolo do seu coração ferido e, ao conhecer Tituba, lança-se numa carreira muito pouco usual onde lhe é plantada uma semente do mal no ventre. Mary começa, portanto, a desenvolver os poderes que todos acabam por associar com bruxaria e, num registo histórico e aterrador, começa a lançar o pânico na vila de Salem. O objetivo é conseguir realizar um Grande Ritual onde todas as bruxas poderão viver livremente e sem perigos à espreita, que Mary é a escolhida para executar. Nisto, John Alden, sobrevivente da Guerra, está de volta e depara-se com uma Salem amedrontada e envolve num negro véu de tortura, morte e destruição.

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Nenhuma das inúmeras adaptações dos contos macabros de Salem que foram lançadas até hoje consegue ter a violência gráfica que esta versão televisiva proporciona. Já pudemos ver Daniel Day-Lewis a lidar com adolescentes desesperadas por atenção em The Crucible que metaforiza as ditas bruxas sedentas de vingança e trapaceiras aos olhos dos mortais; Stephen King se inspirou para escrever um romance que teve igualmente a sua adaptação televisiva, com o nome ‘Salems Lot e o resultado não foi o esperado e eis que a WGN perdeu qualquer receio de chocar os seus espectadores. Na verdade, o argumento de Salem não é totalmente original e criativo, mas os elementos que compõem a simplicidade da sua narrativa elevam-na a um patamar acima, com destaque para o design de produção e guarda-roupa magníficos, bem como um trabalho de maquilhagem e fotografia. A nível técnico, Salem é um triunfo visual que consegue aproximar-se da fórmula horrenda com que construímos os nossos piores pesadelos. É uma série que camufla as suas falhas dentro de um festim gráfico que termina por ser um sucesso para chocar os seus fãs. Janet Montgomery como Mary Sibley parece conseguir lidar com as ambiguidades da sua personagem, bem como Shane West (John Alden) assenta que nem uma luva num cliché masculino de “poucas palavras e mais ação”. Contudo, o forte do elenco reside nas suas personagens secundárias que incluem vilões impiedosos (tanto bruxas como outros) e humanos indefesos que funcionam como meros peões e adornos aos caprichos e prazeres destas entidades, diga-se, superiores. Stephen Lang, ainda que com um participação curta, possui um dos melhores papéis da sua carreira, aliando o seu rosto sisudo a um incansável caçador de bruxas; temos, agora neste regresso, Lucy Lawless (que já se conhece de Xena, The Warrior Princess) e que promete ser uma vilã à altura e Stuart Townsend que regressa no seu esplendor à televisão.

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Neste episódio de regresso, Salem procura dar continuidade a determinados aspetos inconclusivos da temporada anterior e fá-lo competentemente e sem grandes empates. Alden, gravemente ferido e às portas da morte, foi salvo pelos índios que habitam os bosques nas imediações de Salem; Mary tenta desafiar o Grande Convento para poder ficar com o seu filho (fruto do seu amor com Alden) e Cotton Mather está em Boston, exilado das suas ocupações de padre, depois de ter assassinado o seu próprio pai. Marcy Lewis está fora de controlo e a sua ânsia em querer liderar o Grande Ritual coloca em perigo todo o legado que Mary deixou até então.

Mais uma vez, Salem proporciona-nos uma história simples que, com algumas falhas já características (como algumas linhas narrativas que não chegam a ser desenvolvidas convenientemente), se escondem por trás de uma violência visual que é tecnicamente infalível. Para já, os horrores ainda estão condicionados a um início precoce, mas não tarda nada aumentam de intensidade e tenho, então, que aproveitar para descansar o suficiente até ficar noites sem dormir.

 

Texto escrito por: JORGE LESTRE // Cine Addiction