Subtilezas (Des)Medidas – Os filmes que marcaram a carreira de Natalie Portman

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Talento, dedicação, entrega e excelentes personagens e(m) filmes magistrais ajudam a definir o percurso realizado pela atriz Natalie Portman.

A atriz israelita, nascida no dia 9 de junho de 1981, na cidade de Jerusalém, começou a sua carreira de atriz com a presença em “Léon, O Profissional”, em 1994. Papel esse que continua a ser um dos melhores da sua carreira. Na altura, deu um impulso gigantesco para aquela que viria a ser uma carreira recheada de sucessos.

Ver também: Subtilezas (Des)Medidas – Os filmes que marcaram a carreira de Harrison Ford
Natalie Portman
Mathilda.

Seguiu-se então uma presença no ano seguinte no filme “Heat – Cidade sob Pressão”. Enveredou, posteriormente, pela ficção científica, com a participação na segunda trilogia da saga “Star Wars” com a personagem Padmé Amidala.

Desde então, Portman tem sabido escolher os seus papéis tendo conseguido excelentes performances, mesmo em filmes não tão conhecidos, como são os casos de Sam em “Garden State”, em 2004, Grace Cahill em “Entre Irmãos”, em 2009, e Lena, em “Aniquilação”, em 2018.

Mathilda em “Léon, O Profissional” (1994)

Personagem: Uma rapariga de 12 anos começa a viver com um assassino profissional, após a sua família ter sido assassinada. A partir daí começa, pouco a pouco, a interessar-se e a querer conhecer melhor a “profissão” do seu tutor.

Mathilda é uma das melhores personagens jovens já criadas. Todavia, muito se deve á interpretação de Natalie Portman. Embora seja o seu primeiro filme, a atriz revelava já algum engenho e uma tremenda dedicação que deu frutos, e que prometia continuar a dar, como acabou por acontecer.

Apreciado por pessoas de diferentes gerações, “Léon, O Profissional” deve ser encarado como uma peça de arte, que se revela por ser uma história de amor, superação e perseverança.

“This is from Mathilda”. “Isto é da Mathilda”. As últimas palavras de Leon, personagem interpretada por Jean Reno, finalizam assim, de uma forma estonteante, um filme que tem atinge em todas as suas partes, (até nas categorias técnicas), um patamar de excelência. Estas palavras serviram também de inspiração para a banda britânica de rock Alt-J, que lançou em 2012 “Mathilda”. Uma canção dedicada ao filme, mas também à personagem de Portman.

Realizador: Luc Besson

Natalie Portman
Mathilda

Alice em “Perto Demais” (2004)

Personagem: Uma misteriosa stripper que se relaciona com Dan (personagem interpretada por Jude Law), funcionando como musa inspiradora para ele.

Tendo como foco o desejo, a penúltima longa-metragem realizada por Mike Nichols, está de mãos dadas com o encanto que está presente no desconhecido. Não sendo apenas mais um filme sobre relacionamentos amorosos, que evidenciam as  suas melhores fases e as suas fases menos boas, “Perto Demais” define-se por algo que vai muito para além disso. Cada personagem é esmiuçada ao máximo, conseguindo o filme evidenciar todos os seus traços e as suas características.

Cheio de ritmo, “Perto Demais” tem no argumento e nas suas personagens as suas melhores atrações. O filme fica assim muito mais rico com Natalie Portman do que muito dificilmente ficaria se a escolha para interpretar Alice fosse outra. Subtil, leve e delicada, Alice revela-se uma personagem refrescante em relação a outras com o mesmo registo.

Natalie recebeu a sua primeira nomeação ao prémio máximo do cinema, na categoria de atriz secundária.

Realizador: Mike Nichols

Natalie Portman
Alice

Evey em “V de Vingança” (2005)

Personagem: Uma jovem que se envolve na vida de um anarquista que pretende derrubar o Estado, funcionando como aprendiz de V, enquanto se vai entranhado no seu mundo.

V for Vendetta” ou, em português, “V de Vingança”, é, para além de uma adaptação da série de banda desenhada com o mesmo nome de Alan Moore e David Lloyd, publicada pela DC Comics, um filme belo, recheado de dilemas éticos e morais, onde se provoca o questionamento a quem vê.

Apesar das inúmeras questões políticas que são realçadas no filme, o centro da história e dos dilemas levantados por ele relacionam-se com a liberdade ou a falta dela. No cômputo geral, o filme tem com objetivo convidar os espectadores a descodificar a personagem central, V, o enredo e a mensagem do seu maestro.

Segundo Portman, existe um paralelismo entre o seu papel em “V de Vingança”Mathilda, em “Léon, O Profissional”. A relação criada com os seus “mestres”.

Realizador: James McTeigue

Natalie Portman
Evey

Nina Sayers / The Swan Queen em “O Cisne Negro” (2010)

Personagem: Uma bailarina que recebe o papel principal numa peça de “O Lago dos Cisnes”, que almeja, mais que tudo, atingir a perfeição, não importando o que tiver de fazer para o conseguir.

O filme que custou cerca de 13 milhões de dólares teve o seu argumento tratado por Darren Aronofsky durante 10 anos. E a sua protagonista teve pouco menos do que isso para se preparar para o papel. Acontece que Natalie Portman começou, inclusive, a ter aulas de balé antes de receber o guião oficial, porque acreditava que o filme seria feito.

Segundo Aronofsky, a atriz pagou do seu próprio bolso até que o filme ganhasse os seus investidores. O realizador afirmou que o filme foi feito em nome da dedicação e do entusiasmo de Portman.

Um dos maiores desafios para Portman foi modificar sua voz. O papel de Nina exigia que Portman regredisse e tornasse a sua voz mais infantil… Coisa que a própria foi combatendo ao longo dos anos. Forte, intenso e visceral, é assim que pode (ou deve) ser descrita a atuação de Portman. A atriz conseguiu, com este desempenho, o seu primeiro Óscar da carreira, o de melhor atriz principal.

Realizador: Darren Aronofsky

Natalie Portman
Nina Sayers

Jackie Kennedy em “Jackie” (2016)

Personagem: Jacqueline Kennedy, Primeira Dama dos Estados Unidos da América, que trava uma das maiores batalhas da sua vida após a morte do seu marido e presidente do país, John F. Kennedy.

A simplicidade com que Natalie Portman interpreta Jackie Kennedy é tremenda. A isto junta-se a enorme credibilidade que confere à sua personagem. Muito seguro e competente, o desempenho da atriz revelou-se bastante eficaz no propósito do filme.  Isto é, retratar a realidade sem querer cair no exagero, sem querer chocar em demasia.

O vestido rosa de Jackie é extremamente conhecido, mas quando se vê Natalie Portman tirar o vestido, de repente sofre-se um forte abanão ao perceber como Jacqueline Kennedy passou todas aquelas horas, que pareciam não ter fim, em roupas encharcadas com o sangue do marido. Isso dá-nos uma visão visceral de tudo o que ela passou. Por isto, e não só, a atriz nascida em Israel não foi poupada aos elogios pelos seus pares. Viu nas palavras de Billy Crudup algum reconhecimento e contemplação:

A proficiência da sua arte é incomum. Quando alguém está tão obcecado pela sua personagem, e o seu trabalho é tão refinado, é-se literalmente transportado e levado por ele, isso é algo incomum.

Com este desempenho, Portman recebeu mais uma nomeação ao Óscar de melhor atriz principal.

Realizador: Pablo Larraín

Natalie Portman
Jackie Kennedy

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