“The End of the F***ing World” e “I Am Not Okay with This” são duas curtas séries da Netflix que partiram demasiado cedo.

Uma atingiu a sua conclusão natural, mas a outra foi-nos abruptamente arrancada pela pandemia.

“The End of the F***ing World”

Baseada na novela gráfica de Charles S. Forsman, “The End of the F***ing World” é uma série de televisão britânica com um humor negro absurdamente dramático, realizada por Jonathan Entwistle, em colaboração com Lucy Tcherniak, Destiny Ekaragha e Lucy Forbes. Contém 2 temporadas de 8 episódios com cerca de 20 minutos.

A série conta a história de dois adolescentes, James, interpretado por Alex Lawther (“Black Mirror’s Shut Up and Dance”), que pensa ser um psicopata e Alyssa, interpretada por Jessica Barden (“Penny Dreadful”), uma adolescente ninfomaníaca e que está sempre pronta para viver uma aventura.

Ambos têm algo em comum, o facto de acharem as suas vidas uma porcaria e de viverem melhor sozinhos, por isso embarcam juntos numa viagem de fuga que tem tudo para correr mal.

A primeira temporada foca-se essencialmente em mostrar como o tema da família é bastante complicado tanto para James e como para Alyssa. No caso de James é pelo facto de ter perdido a sua mãe muito cedo e desde aí o seu pai não lhe dá a atenção desejada. Já no caso de Alyssa, o seu pai vive à margem da lei e a sua mãe encontra-se num relacionamento complicado, o que leva os dois adolescentes a viverem infelizes e decidirem por isso fugir.

Ao longo desta fuga os dois adolescentes, metem-se nas mais variadas confusões, até que algo trágico acontece e esta fuga torna-se numa fuga à polícia. Os dois atores merecem assim destaque pela maneira como conseguiram encarnar as personagens do livro e a sua evolução constante, interpretando-as de forma excecional na série.

A 2ª temporada foca-se em contar a história de Bonnie, interpretada por Naomi Ackie (brevemente em “Small Axe”, de Steve McQueen), que se apaixona por um professor da faculdade que depois acaba morto e ela vai tentar descobrir quem lhe fez isso para depois se vingar.

Nesta série eu destacaria a maneira como são tratados vários assuntos da atualidade que deveriam ser abordados mais abertamente e sem taboos, como a exploração da sexualidade e da rebeldia na adolescência, no caso de James e Alyssa, mas também a temática LGBTI, que neste caso é passada para a série através de duas agentes da polícia.

Na minha opinião, até criaria uma temporada intermédia, um spin-off entre a 1ª e a 2ª, só sobre as duas agentes lésbicas, pois sabemos tão pouco delas, que seria muito interessante explorar um pouco mais a vida delas, desde como se conheceram até às peripécias e investigações que tiveram. Assim talvez desse para perceber porque Eunice tanto queria proteger Alyssa e James e porque Teri os tratava como criminosos normais, sem tentar entender os motivos que o levaram a fazer aquilo.

Avaliação: 10/10

Ver também: 7 filmes e séries a não perder para os amantes de Formula 1

“I Am Not Okay with This”

“I Am Not Okay with This” é uma série do mesmo realizador de “The End of the F***ing World” e também baseada na novela gráfica de Charles S. Forsman, contendo apenas 1 temporada com 7 episódios a rondar os 30 minutos cada.

A série aborda os dramas do mundo adolescente com um pouco de sobrenatural. A protagonista, Sydney Novak, de 17 anos, é uma jovem desajustada que não está dentro dos padrões aceites para uma jovem do ensino secundário.

A personagem interpretada por Sophia Lillis (“IT”) consegue transpor na perfeição todas as características de uma adolescente deste tipo, usando roupas simples, sem maquilhagem, nem se preocupando com o cabelo e contando com poucos amigos.

Ao longo da série Sidney descobre que tem algo de estranho a acontecer com ela que vai evoluindo lentamente, deixando-a um pouco assustada. Até que chega ao último episódio e a evolução chega ao fim provocando um incidente que a vai marcar para o resto da vida.

Na minha opinião esta série é bastante boa e consegue abordar vários temas da adolescência de maneira perfeita talvez exagerando um pouco em alguns aspetos mas nada que choque ou desprenda o espectador. Porém é uma daquelas séries que só começa mesmo a cativar à medida que vai chegando ao fim.

Fico triste pela Netflix ter voltado atrás na sua decisão devido à pandemia e não ter avançado para a segunda temporada da série, pois a maneira como a primeira temporada terminou pedia isso e tornaria a história certamente ainda mais interessante.

Nesta série também gostei bastante da sua banda-sonora, apesar de não ter nascido nessa era. Acho que trazer para uma série atual música dos anos ’80 e ’90, é um sinal de que essa era ainda não está morta e que pode conviver muito bem com os espectadores mais jovens. Não é só nos dias de hoje que existe boa música.

Avaliação: 8,5/10