“The Matrix Resurrections”, um pequeno passo na história do cinema, mas um grande passo na felicidade dos fãs.

Com estreia a 22 de dezembro, o mais recente filme de “Matrix” não surpreendeu em conteúdo, mas mostrou-se decidido a fechar 2021 com um regresso épico, numa saga que muitos já tinham dado como terminada.

“The Matrix Ressurections” tem um tom completamente diferente dos seus antecessores – mais leve, cómico e despreocupado. Lana Wachowski (apresentando-se pela primeira vez sem a sua irmã Lilly, co-realizadora dos restantes filmes) foi muito inteligente na forma como abordou o filme – soube brincar com a nostalgia da saga e mostrar que o caminho é mais importante que a chegada. No final do dia, a “escolha já foi feita, só temos de a compreender“.

Keanu Reeves volta a viver numa simulação como Thomas A. Anderson, o engenheiro de software que nos apresentou no primeiro filme. Nesta nova realidade, Anderson continuou a sua carreira e a saga Matrix existiu “na realidade” enquanto coleção de videojogos, desenhados e programados pelo próprio.

Novas e velhas caras continuam a atrapalhar o percurso de Neo.

A primeira parte deste filme remete à primeira parte do “The Matrix”, onde temos a revelação de Neo, as suas escolhas e o seu treino para se tornar “The One”. Na segunda parte, temos a jornada de Neo na busca do seu amor de sempre, Trinity (Carrie-Anne Moss). Morpheus regressa também com os seus sábios enigmas e fatos exuberantes, sendo o legado de Lawrence Fishburne ocupado por Yahya Abdul-Mateen II.

Os vilões foram, mais do que nunca, uma peça fundamental para o sucesso do filme. O Agent Smith (interpretado por Hugo Weaving na triologia, e agora com a representação brilhante de Jonathan Groff) e Merovingian (mantendo o seu actor original, Lambert Wilson) foram dois retornos bem conseguidos e muito engraçados. O “novo” antagonista, “O Analista” interpretado por Neil Patrick Harris, foi a cola nesta trama entre ser humanos e máquinas.

Balas suspensas, lutas de kung-fu e slow motion voltam a fazer parte deste universo em “The Matrix Resurrections”

Ainda assim, não ultrapassam a qualidade das lutas de 1999. Várias referências foram feitas a todos os outros filmes em “The Matrix Resurrections”, havendo uma boa ponte entre “Revolutions” (2003) e “Ressurections” – não só com a continuação da história (embora continue 60 anos depois), como também com o acompanhamento da personagem Sati (agora interpretada por Priyanka Chopra Jones).

Se nos filmes anteriores tínhamos uma reflexão profunda sobre a existência humana, a causalidade e o livre arbítrio; neste temos uma sátira à saga e uma meta-análise sobre a necessidade da própria existência de “Ressurections”.

A filosofia, os limites da realidade e do ser humano são temas que não deixam de estar presentes, mas este é um filme sobre amor – o que estamos dispostos a abdicar por ele e o que estamos dispostos a pedir à nossa cara metade.

Já dizia Merovingian em “Matrix Reloaded” (2003) “There is the only real truth: causality. Action. Reaction.” A reacção a “The Matrix Ressurrections” foi positiva. E a vossa?

REVER GERAL
The Matrix Resurrections
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Nerd desde 1990. Nos intervalos entre a ver séries e ler Stephen King, trabalho em Marketing numa empresa de Tecnologia.
the-matrix-resurrections-um-bom-servico-aos-fas-da-sagaEste filme foi uma ode aos fãs de Matrix. Qualquer pessoa que tenha vivido esta trilogia nos anos 2000, vai ficar deliciado com todas as referências aos filmes anteriores. Tanto Keanu Reeves como Carrie Anne-Moss voltaram a encarnar perfeitamente nos personagens, de forma que quase nos esquecemos que passaram 20 anos desde a última vez que os vimos. Bom filme de acção, que cumpre tudo o que prometeu no trailer, realçando o tom de comédia extraordinário que conferiu alguma leveza a esta história filosófica sobre a natureza humana.

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