CinemaDestaquesMatérias EspeciaisLogan: O último X-Men não desilude

Chegou a nostalgia, de braço dado com o último dos filmes X-Men. Logan, porventura o mais famoso deles, é o título e capa de mais um trabalho de James Mangold, e mais uma vez Hugh Jackman interpretou-o brilhantemente. Cuidado com os spoilers. Consigo dizer que um verdadeiro fã da Marvel conseguiu exceder as expetativas neste filme, porque algo como imaginar Charles Xavier e o mítico Wolverine velhos e no limite das suas forças, dos seus...
Redacção RedacçãoMar 14, 2017

Chegou a nostalgia, de braço dado com o último dos filmes X-Men. Logan, porventura o mais famoso deles, é o título e capa de mais um trabalho de James Mangold, e mais uma vez Hugh Jackman interpretou-o brilhantemente. Cuidado com os spoilers.

Consigo dizer que um verdadeiro fã da Marvel conseguiu exceder as expetativas neste filme, porque algo como imaginar Charles Xavier e o mítico Wolverine velhos e no limite das suas forças, dos seus poderes mutantes, desgastados e escondidos no quotidiano, é demolidor para qualquer um que tenha seguido toda a saga X-Men. Um Wolverine cujo Adamantium o mata por dentro? Ou os ataques sufocantes do Professor X, balanceados com a leveza e pacificidade em casa dos Munsons. Para quem nunca leu os mangas (talvez uma maioria, pelo menos até ao fim), é surpreendente e desolador.

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O filme contém pormenores de suster a respiração. Tanto em piadas bem encaixadas, ao longo de todo o filme, como o crescimento gradual da relação entre Logan e a filha, com momentos de luta e revelação pelo meio (e início). O processo da viagem presente também dá uma maior dinâmica à história, já que oferece também ao espetador um limite de tempo entre capítulos. A introdução aos poderes de Lauren, com a cabeça a rolar pelo chão, à explosão de Caliban com uma verdadeira catchphrase, e o olhar de Pierce. Um bom filme tem, no fundo, de ter um bom vilão. E o Reaver, sem se revelar muito ao público, provocou um riso tépido na sala, aquela ironia que caracteriza o “mau da fita”.  O final é, então, o término de uma geração que cresceu com os X-Men, e o fim dos X-Men em si enquanto filme. A cruz religiosa é substituída pelo X, que significa muito por si só. E ter sido a filha a protagonizar o momento só eleva as expetativas para o que virá a seguir, com a nova geração de mutantes “impuros”.

O filme é Wolverine sendo Wolverine. Domado pelo tempo, uma fera com um espírito cansado e marcado pelo passado, que se liberta no final. É a prova que é o mutante com maior carisma, e que nem a ele próprio consegue vencer. A sua morte é a reconciliação com o mundo, atingindo a paz ao proteger a filha e, consequentemente, toda a futura geração da sua espécie. Tal como a morte do seu mais antigo companheiro, o eterno Professor X, finalmente em sossego com o mundo. Adulto, maturo e profundo, é o que melhor descreve o que passou a ser um dos melhores filmes da Marvel de sempre.