Beyond The Title ArtCinemaDestaquesBeyond the Title Art: Filipe Carvalho

Portuguese version (If you want to see in English, you have to scroll down) O Beyond The Title Art é um espaço dedicado a todo um mundo por detrás desta arte que são os genéricos de séries e cinema. Para mim, o genérico é algo que, quando vou ver um filme ou uma série, não posso passar à frente (é regra). Toda a imagética e a música evidenciam imediatamente o tom da narrativa e sou mais...
Eduardo Teixeira Eduardo TeixeiraMar 28, 2017

Portuguese version (If you want to see in English, you have to scroll down)

O Beyond The Title Art é um espaço dedicado a todo um mundo por detrás desta arte que são os genéricos de séries e cinema.

Para mim, o genérico é algo que, quando vou ver um filme ou uma série, não posso passar à frente (é regra). Toda a imagética e a música evidenciam imediatamente o tom da narrativa e sou mais facilmente transportado para aquele mundo, para aquela história. Na minha opinião, os genéricos são necessários para nos ambientarmos à série ou filme em questão.

O meu terceiro convidado neste espaço é o português Filipe Carvalho, um português com um pé em Lisboa e outro em Hollywood. O melhor é leres a entrevista para ficares a conhecer mais sobre o Filipe.

Tu começaste como webdesigner, o que te levou a mudar de área?

Quando percebi que o web design se estava a tornar completamente utilitário. A dada altura já não interessava tanto o design e o look dos sites mas sim a rapidez e facilidade de acesso. E depois deixaram mesmo de ser importantes quando apareceram as redes sociais. Foi quando percebi que tinha de mudar.

Como é que é dado este passo de Portugal para Hollywood?

Sempre tive o sonho de trabalhar no cinema e nas series americanas. Cresci a ver o Knight Rider e o Macgyver e essas maravilhas todas – eram as nossas tardes de diversão, para a minha geração. Foi assim aliás que comecei a aprender inglês.
Por volta de 2009 comecei a fazer portefólio de motion e passado pouco tempo decidi tentar. E consegui. 
Mas atenção que não entrei em Hollywood. Isso só veio bastante mais tarde, com o The Architect.

(Filipe Carvalho – Reel 2017)

Tu tens um estilo muito cinemático, muito característico, concordas com esta minha afirmação?

Sim, acho que é bastante visivel. São as minha influencias, e é o que gosto de fazer. Isso ajudou-me muito a ser reconhecido nos EUA, por ter um estilo muito particular.

Tu estás em Portugal, e trabalhas muito com os Estados Unidos, como é feito esse trabalho e como lidas com a diferença de horários?

Emails, emails, emails. É a base do meu trabalho. E skype calls. Com a diferença horária de 8 ou 6 horas (dependendo da zona dos EUA), trabalho quase sempre quando eles estão a dormir. Para isso têm de confiar que no dia a seguir têm qualquer coisa para ver no email. E desde que nao falhes, eles confiam em ti. E tem sido sempre assim.

Tu trabalhas só com o design dos styleframes, ou também trabalhas com todo o processo desde a ideia à animação?

Na maioria dos casos faço concept design e styleframes. Concept design é um bocadinho mais envolvente, porque crio um conceito para o projecto e desenvolvo-o. Um pouco como um realizador faz “treatments”.

Styleboards muitas vezes passa por apenas desenvolver visualmente uma ideia que alguém já criou. Mas nalguns casos pontuais executo o projecto todo enquanto director criativo, trabalhando com equipas.

Podes nos contar um pouco o teu processo criativo?

Faço muita pesquisa. Antes de fazer seja o que for pesquiso tudo o que puder sobre o tema. Algumas pessoas desenham sketches, outros vão dar longos passeios – eu pesquiso. Quanto mais informado estiver, quantas mais referencias tiver, melhor.
Depois cruza-se essa informação toda, digere-se, e surgem sempre ideias. Mais do que uma.
E quando se tem uma ideia, o resto é mais facil.

É essa a minha receita!

Qual é o software ou equipamento necessário para to poderes trabalhar?

Só preciso do Photoshop e email. Para filmar gosto da Sony F5 (ou Alexa) e as minhas lentes favoritas são a 24mm e 50mm, de preferencia Zeiss.

Não podiamos fazer esta entrevista sem falarmos do teu genérico “The Architect”, fala-nos como é que nasceu a ideia de fazer algo pessoal e com um estilo tão cinemático.

Queria fazer uma title sequence de principio ao fim, sozinho. Sabia que se fizesses algo que fosse a minha cara, e me dedicasse, podia ser a minha porta de entrada em Los Angeles. E foi.
O Angus Wall, editor do Fincher, gostou e comecei a trabalhar com a Elastic (isto ja foi à uns anos) e com a Blur.

Mas acima de tudo, ainda é o trabalho que melhor me representa enquando designer e realizador.

De todos os trabalhos que estiveste envolvido, qual é o teu favorito?

Tenho um soft spot pelo The Architect claro. Mas acho que o meu melhor trabalho foi feito à pouco tempo para a Imaginary Forces, mas não o posso mostrar para já (deverá sair no final do ano). Esse deu-me muito gozo e é muito a minha cena.

Sentes que em Portugal estamos a evoluir nesta área? OU ainda há muito caminho a percorrer?

Estamos claramente a evoluir. Temos bom trabalho, mesmo a nível de TV nacional. Mas somos poucos e por isso demora mais um bocado.

Continuo a dizer para não se focarem só no nosso mercado – podemos trabalhar à escala mundial, basta querer.

Que conselho podes dar aos designers que se estão a iniciar na sua carreira?

Já respondi a esta pergunta muita vez, e hoje vou falar de uma coisa que me chateia – porque é que a malta não tem portefólio online? Ou Reel?

Se não tens nada para mostrar, ninguém sabe que existes.

Já perdi a conta as vezes que alguém me pede ajuda ou um conselho e quando pergunto para ver o trabalho deles não têm nada para mostrar.

Antes de qualquer outra coisa, mostrem o trabalho. As conversas começam sempre assim!


English Version

Beyond The Title Art is a space dedicated to a whole world behind this art, which is the intro of movies and TV series.

To me, the intro is something that I cannot get ahead when I go to see a movie or a TV series (it’s the rule). All the imagery and music point out immediately the tone of all the narrative, and due to that I a more easily transported to that world, to that story. In my opinion, intros are necessary for us to get the feel of the series of movie in question.

My third guest in this space is the Portuguese Filipe Carvalho, a Portuguese with a foot in Lisbon and other in Hollywood. Maybe it’s best for you to read the interview and to get to know a little more about Filipe.

You started as a webdesigner. What made you change your area?

It was when I realized that web design was becoming completely utilitarian. At a certain point, the design and look of the websites was not so important, but rather the speed and ease of access. And then, they really stopped being important, when social networks appeared. It was when I realized I had to change.

How is this this move from Portugal to Hollywood?

I always had the dream to work in cinema and american TV series. I grew up watching Knight Rider and Macgyver and all those marvels – those were our afternoon entertainment, to my generation. I learned English this way. Around 2009 I started to make motion portfolio and after a while I decided to try it. And I made it. But I didn’t go into Hollywood. That only came a lot later, with The Architect.

(Filipe Carvalho – Reel 2017)

You have a very cinematic style, a very characteristic one. Do you agree with my statement?

Yes, I think it’s quite visible. Those are my influences, and it’s what I like to do. That helped my recognition in the USA a lot, for having a very particular style.

You are in Portugal, and you work a lot with the United States. How is that work made and how do you deal with the time difference?

E-mails, e-mails, e-mails. I tis the base of my work. And skype calls. With 8 or 6 hours of defference (depending on the zone in the USA), I almost always work when they are sleeping. For that they have to trust that in the next day they always have something to see in the e-mail. And as long as you don’t fail, they trust you. And it has always been like that.

Do you only work with styleframe design or you also work with all the process, from the idea to the animation?

In most cases I make concept design and styleframes. Concept design is a little more involving because I create a concept to the project and develop it. It’s a little like when a director makes “treatments”.

Styleboards often go through just visually developing an idea that someone else has already created. But in some cases, I execute the whole project as a creative director, working with teams.

Can you tell us a little about your creative process?

I do a lot of research. Before doing anything, I research all I can about the theme. Some people draw sketches, others go for long walks – and I research. The more informed I am, the more references I have, the better. Then, all that information is crossed, digested, and ideas come up. More than one. And when there is an idea, the rest is easier.

That is my recipe!

What is the necessary software or equipment for you to work with?

I only need Photoshop and e-mail. To film, I like Sony F5 (or Alexa) and my favorite lenses are the 24mm and 50mm, preferably Zeiss.

We couldn’t make this interview without talking about your “The Architect” intro. Tell us how the idea to create something personal and with a cinematic style was born.

I wanted to make a title sequence from beginning to end, by myself. I knew that if I had done something that was my own, and dedicate myself to it, it could be my entrance to Los Angeles. And it was. Angus Wall, Fincher’s editor, liked it and I started to work with Elastic (this was some years ago) and with Blur.

But above all, it still is the work that better represents me as a designer and director.

Of all works which you were involved, which one is your favorite?

I have a soft spot for The Architect of course. But I think that my best work was made a little time ago by Imaginary Forces, but I cannot show it for now (it should come out in the end of the year). This was a lot of fun and it’s what I like.

Do you feel that in Portugal we are evolving in this area or do you think there is still a long way to go?

We are clearly evolving. We have good works, even in a national TV level. But we are so few and it takes a little longer because of that.

I’m still saying not to just focus in our market – we can work at a global scale, all it takes is wanting it.

What advices can you give the designers that are beginning their careers?

I have answered that question lots of times, and today I will talk about something that annoys me – why does no one have an online portfolio? Or Reel?

If you have nothing to show, no one will know you exist.

I have lost count of the number of times someone asks me for help or an advice, and when I ask them to see their work, they don’t have anything to show.

Before anything else, show the work. Conversations always start that way!