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COVID-19 fecha cinemas pelo mundo e poderá adiar Mulan e 007

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China, Itália e Coreia do Sul têm quase todos os cinemas fechados. “Missão: Impossível 7” e “Red Notice” tiveram as filmagens canceladas.

Desde o início do surto de COVID-19 a China perdeu quase 2 mil milhões de dólares em receitas de bilheteira, com os cinemas fechados e as estreias dos grandes blockbusters adiados (incluindo “Sonic – O Filme”, “1917”, “Jojo Rabbit” e “As Aventuras do Dr. Dolittle”). Ao contrário dos 2,1 mil milhões $ de 2019, em 2020, o valor acumulado até agora nem chega aos 240 milhões $, praticamente todos alcançados antes do pico do vírus na China. Segundo declarações de Chen Bei à Variety:

A julgar pela situação atual, a indústria cinematográfica ainda não está equipada para retomar os negócios, e não aprovámos as exigências da indústria para retomar os negócios até agora.

Por outro lado, na Coreia do Sul já a meio de Fevereiro foram registadas quebras superiores a 65% na frequentação, não existindo novos dados desde então. “Bora Lá”, a nova animação da Pixar e “Parasite Black and White”, a edição especial do vencedor dos Óscares, foram ambos adiados. Hwang Jaehyeon admitiu em declarações ao Screen Daily:

Os cinemas estão a levar uma grande pancada. O ambiente na sociedade é de extrema relutância em participar em atividades externas e isso inclui a ida ao cinema. (…) A 25 de fevereiro foi registado o pior valor de entradas desde 2004, quando a Coreia do Sul tinha muito menos cinemas, infra-estrutura e contabilização. O que é ainda mais preocupante é que no próximo fim de semana parece que as dificuldades só vão piorar”.

Com uma quebra de 75% na frequentação e o encerramento, até agora, de mais de metade das salas de cinemas italianas, o aumento de casos de COVID-19 levou ao adiamento de “O Homem Invisível”, mas também ao adiamento das filmagens de “Missão: Impossível 7” em Veneza e ao cancelamento das filmagens de “Red Notice” (com Dwayne Johnson, Ryan Reynolds e Gal Gadot”). Aquela que já era a produção mais cara de sempre da Netflix (perto de 200M$), deve aumentar ainda mais orçamento agora que uma parte da ação terá de ser reescrita e deslocada para outro país em data incerta.

O remake live-action de “Mulan” que custou entre 200M$ e 300M$ e que já por si era considerado pela Disney como uma aposta arriscada, vê agora a sua estreia definitivamente adiada na China e Coreia do Sul, mas começou a ser equacionado o adiamento em território europeu agora que o número de casos de COVID-19 aumenta significativamente de dia para dia em Itália, Alemanha, França e Espanha.

Outro filme que pode vir a ser adiado para o verão é um dos blockbusters mais antecipados de 2020, “007 – Sem Tempo para Morrer”. Em 2015, China, Reino Unido, Itália, França, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Hong Kong e Suíça contabilizaram 70% das receitas de “007 – SPECTRE”, um impacto demasiado grande se a estreia do novo filme de James Bond se mantiver para 8 de Abril, período em que se prevê ainda um número considerável de novos casos em quase todos os países acima mencionados. Uma petição dos fãs da saga pede aos produtores o adiamento:

Com o coronavírus a atingir o estatuto de pandemia, é hora de colocar a saúde pública acima do marketing e do custo de cancelar eventos… Deviam adiar a estreia de ‘007 – Sem Tempo para Morrer’ até o verão, quando os especialistas esperam que a epidemia tenha atingido o auge e esteja sob controlo. É apenas um filme. A saúde e o bem-estar dos fãs em todo o mundo, e das suas famílias, é mais importante. Todos nós esperámos mais de quatro anos por este filme. Mais alguns meses não vão prejudicar a qualidade do filme e só vão ajudar as bilheteiras para a grande despedida de Daniel Craig.

Temos de aguardar para descobrir o que irá acontecer em Portugal. Até agora não há encerramento de espaços públicos nem de eventos. O país tem 2 casos confirmados. A nível mundial mais de 90 mil pessoas foram infetadas, mais de 3 mil faleceram e 45 mil estão recuperadas.

Miguel Revelhttp://www.cinewebmagazine.blogspot.pt/
Apaixonado por cinema desde criança, dos clássicos modernos de Nolan e Fincher às obras intemporais de Hitchcock e Welles. Licenciado em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. Colaborador do Cinema Pla'net desde Agosto de 2015.

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