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“Duna”: Um épico que faz justiça ao livro original

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“Dune / Duna” chegou às sala de cinema portuguesas no passada dia 21 de outubro e é a mais recente adaptação do mítico livro de Frank Herbert.

“Duna” impressiona na maneira como consegue traduzir do livro utilizando cinematografia e banda sonora de outro mundo!

Em 1965, Frank Herbert lançou “Dune”, um livro que viria ser o primeiro de uma das primeiras sagas de sci-fi de sempre. Este livro foi também a fonte de inspiração de muitos clássicos de sci-fi que hoje conheço, como por exemplo Star Wars.

Mais tarde, em 1984 David Lynch realizou a primeira adaptação do livro, não tendo sido bem recebido. Mais tarde, o Syfy voltou a tentar adaptar a saga, mas foi esta nova adaptação de Denis Villeneuve que está a captar a atenção de fãs do livro original e do público em geral!

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Com o início do filme, acompanhamos Paul Atreides (interpretado por Timothée Chalamet) no seu planeta natal de Caladan. Conhecemos aos seus pais, Duke Leto Atreides (interpretado por Oscar Isaac) e a Dama Jessica Atreides (interpretada por Rebecca Ferguson), bem como membros da sua corte real. Ao mesmo tempo, Paul percebe que tem um papel na missão das Bene Gesserit, um grupo de mulheres da qual a mãe faz parte.

É ainda introduzida a mudança da casa Atreides para o planeta deserto de Arrakis, onde os Harkonnen, a casa rival dos Atreides, parecem estar envolvidos. Assim, e como todas estas envolventes, Paul e a sua família mudam-se para Arrakis tentando reforçar a sua posição no império espacial e criar uma aliança com o povo nativo de Arrakis, os Fremen, enquanto ao mesmo tempo têm de evitar os planos dos Harkonnen.

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A juntar a esta grande história, Denis Villeneuve juntou uma cinematografia cativante e imersiva. Uma das questões que o realizador levantou foi o seu desejo de filmar em desertos reais pois tal como referiu “Jaws não foi filmado numa piscina”. Este esforço é notável e faz a diferença no produto final, captando as interações entre os atores, o deserto e a luz, conseguindo captar imagens marcantes. De facto, este é sem dúvida um dos filmes onde é recomendado que seja visto no maior ecrã possível, se possível em IMAX!

Adicionalmente, e para completar a sensação de imersividade na história e mundo de “Duna”, não podemos ignorar a banda sonora de Hans Zimmer. Em filmes anteriores já nos temos habituado à qualidade do seu trabalho, no entanto, e talvez por ser um dos seus projetos de sonho, o seu trabalho em “Duna” é arrebatador, nos pequenos detalhes sonoros que cria, como na cena do Gom Jabbar, à forma como consegue captar a essência das personagens, como no tema das Bene Gesserit.

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É também importante mencionar o elenco impressionante do filme, começando por Timothée Chalamet e Zendaya, dois dos mais promissores jovens atores, a atores de renome, como Stellan Skarsgård, Charlotte Rampling e Javier Bardem. Embora todos desempenhem bastante bem os seus papeis, os grandes destaques são Timothée Chalamet e Rebeca Fergurson.

Ambos conseguem transmitir as nuances e conflitos interiores das personagens. Por um lado, Paul a tentar sobreviver enquanto tenta perceber as suas visões e tenta lidar com a possibilidade de ser “O Escolhido”. Por outro, a dualidade de Jessica ao balançar o seu dever como mãe e como Bene Gesserit.

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Uma questão que tem gerado bastante discussão é a divisão da história em 2 filmes, tendo sido esta uma exigência do realizador. Para aqueles que conhecem o livro e a densidade da história, esta divisão é bem-vinda permitindo a apresentação da história, as personagens e o mundo com mais tempo. Mesmo assim, existam ainda alguns detalhes que não chegaram ao filme final.

Por outro lado, penso que esta divisão possa desiludir aqueles que não conhecem o livro uma vez que o filme acaba sem uma clara finalização da história. Isto é ainda mais relevante quando considerados que a 2ª parte, embora já confirmada, ainda está em fases iniciais de desenvolvimento, significando uma espera de anos até que esteja disponível. Assim, concordo com a escolha criativa do realizador, mas gostava que tivessem conseguido arranjar maneira de suavizar esta divisão, sem deixar a história “pendurada”.

Em suma, “Duna” é um filme que, embora apenas apresente parte da história, consegue captar bastante bem a o mundo criado por Frank Herbert, juntando a um grande elenco uma cinematografia e banda sonora de excelência!

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Filipe Jesus
Nutricionista e investigador. Para além do interesse pela arte do cinema, também gosto do negócio que é a indústria cinematográfica.

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