More

    Let’s Talk #54 – Cacá Diegues, um veterano do cinema brasileiro

    “O Grande Circo Místico”, candidato do Brasil ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, chega aos cinemas esta semana. O Cinema Pla’net entrevistou o realizador do filme Cacá Diegues.

    Cacá Diegues
    Carlos ‘Cacá’ Diegues

    O que o fez querer tornar-se realizador?

    Um grande amor pelo cinema, que cultivo desde criança. Tudo que sei, aprendi primeiro vendo filmes. Depois, com o movimento de cineclubes, aos 17 anos de idade encontrei minha geração que tinha os mesmos sonhos que eu. Aí você fica mais forte e disposto a vencer todas as dificuldades.

    O que gosta mais em todo o processo da criação de um filme?

    Não há nada que eu não goste na criação de um filme.

    Cacá Diegues
    O Maior Amor do Mundo, 2006

    Mais de 10 anos separam “O Maior Amor do Mundo” de “O Grande Circo Místico”, mas foi produzindo vários filmes todos os anos, o que levou a esta década entre um filme e outro?

    Quando terminei “O Maior Amor do Mundo”, eu estava em crise profunda, deprimido e triste. Enquanto pensava em como fazer alguma coisa inspirado em Jorge de Lima, escrevi um livro sobre o cinema de minha geração, fiz dois documentários de longa-metragem e produzi dois filmes de outros realizadores..

    Como se deu a passagem do poema de Jorge de Lima para o cinema, que principais desafios apresentou?

    O principal desafio era o de como fazer um filme de um poema. A música de Chico Buarque e Edu Lobo me ajudou a superar essa dúvida. E o trabalho com o co-roteirista George Moura e a produtora Renata Magalhães foi decisivo.

    Cacá Diegues
    O Grande Circo Místico, 2018

    Qual a sua relação com a arte circense?

    Onde nasci, em Alagoas, no nordeste do Brasil, fui muito ao circo em minha infância. Mas não sou um especialista no assunto, estudei-o muito para fazer o filme.

    Como foi feita a escolha do elenco do filme, que junta atores brasileiros e internacionais ao longo das gerações do circo?

    Um circo é sempre muito internacional, há sempre artistas de todo o mundo trabalhando nele. Aí, com a ajuda dos produtores locais (o filme é uma coprodução Brasil, França e Portugal), fui escolhendo um elenco sem me preocupar com a nacionalidade dos atores.

    Cacá Diegues
    O Grande Circo Místico, 2018

    A personagem de Jesuíta Barbosa é fulcral para o filme e no entanto não aparece no poema. Como surgiu Celavi?

    Eu precisava de um personagem que me ajudasse a contar a história do filme. Se eu não o tivesse, seria um filme de episódios, sem unidade, coisa que eu não queria. Aí me surgiu a ideia do Mestre de Cerimónia que não envelhece, e acompanha o circo durante todo o século.

    Cacá Diegues
    Xica da Silva, 1976

    O que sente que mais mudou no cinema desde que realizava filmes como “Xica da Silva” e “Os Herdeiros” nos anos ’70?

    O cinema muda constantemente, e isso é bom. Essas mudanças podem ser tecnológicas ou culturais, o importante é não perdermos tempo demonizando-as. Mas também não devemos acompanhá-las mecanicamente. É preciso atropelar as mudanças, bem como inventá-las também.

    Que memórias guarda de dirigir a icónica Jeanne Moreau em “Joanna Francesa”?

    Jeanne Moreau foi a maior atriz da história do cinema em todos os tempos. Me sinto muito orgulhoso e honrado por ter feito um filme com ela. O trabalho com ela e a amizade que cultivámos até sua morte são, para mim, inesquecíveis.

    Cacá Diegues
    Joanna Francesa, 1973

    Qual é a sua opinião sobre a situação atual do cinema brasileiro?

    O cinema brasileiro vive um momento que talvez seja o melhor de sua história. Estamos fazendo cerca de 150 filmes por ano, sempre com uma diversidade regional, geracional, política, estética, etc, muito grande, graças à nova geração de jovens cineastas que está reinventando o cinema brasileiro. O que não vai bem é a regulação do cinema no país e a própria economia do Brasil, que não permitem os resultados que merecíamos melhores.

    “O Grande Circo Místico” é uma co-produção entre Brasil, Portugal e França e encontra-se em exibição nos cinemas portugueses. O filme conta com um elenco que inclui Vincent Cassel, Nuno Lopes, Albano Jerónimo e Antônio Fagundes.

    Miguel Revel
    Miguel Revelhttp://www.cinewebmagazine.blogspot.pt/
    Apaixonado por cinema desde criança, dos clássicos modernos de Nolan e Fincher às obras intemporais de Hitchcock e Welles. Licenciado em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. Colaborador do Cinema Pla'net desde Agosto de 2015.

    Queres estar a par de todas as novidades? Calma!

    Prometemos que não te vamos chatear a toda a hora. Garantimos que te vamos enviar conteúdo de qualidade.

    Últimos Artigos

    Artigos Relacionados