Juliette Binoche é a protagonista do novo filme de Martin Provost, “Manual da Boa Esposa”, já em exibição nos cinemas.

Publicidade

Esta comédia foi nomeada a 5 Prémios César da Academia Francesa de Cinema.

Exibido em Portugal durante a Festa do Cinema Francês em 2020, em presença do realizador, “Manual da Boa Esposa” deveria ter estreado a 29 de Outubro, depois a 12 de Novembro, depois a 14 de Janeiro… A pandemia impediu-o de chegar mais cedo, mas está finalmente em sala desde o final de Abril.

Baseado na tradição das Escolas de Boas Maneiras, para onde os pais enviavam as suas jovens filhas, de modo a estas estarem preparadas para a lida da casa quando chegasse a hora de contrair matrimónio, “Manual da Boa Esposa” é no entanto, passado no início de 1968.

Ora a história passa-se assim nos meses que precederam a famosa revolução social e cultural de Maio de ’68, em que ocorreram inúmeras manifestações e ocupações estudantis que mudaram o rumo de França para sempre. A partir daí, acabou a “boa esposa”. Seja bem-vinda a mulher livre e independente.

Mas regressando ao filme, o realizador Martin Provost posicionou-o assim no fim de uma era, mostrando-nos os ventos de mudança feminista que já sopravam, por sussurros entre as jovens mulheres. Um período em que a população dividia-se entre os que se tentavam agarrar aos velhos costumes já praticamente ultrapassados e os que pretendiam mudar definitivamente os hábitos em casa e no trabalho.

Em “Manual da Boa Esposa”, Juliette Binoche é a mulher do diretor de uma escola de boas maneiras, que após a morte acidental do marido, descobre as trafulhices e dívidas em que este se tinha metido. Fica assim com a responsabilidade de continuar o bom nome da instituição, mas ela própria começa a duvidar dos ideais que incute às suas alunas.

A acompanhar Binoche, encontram-se Yolande Moreau e Noémie Lvovsky, em dois papéis secundários bem cómicos que valeram às duas atrizes nomeações aos prémios César. As três formam o coração do filme, numa metáfora para as posições da sociedade da época.

Para além do elenco, a realização e os níveis de produção são de muito boa qualidade, em especial o guarda-roupa e a direção artística. O único problema surge no tom inconstante do filme, que varia bruscamente entre a comédia dramática, a comédia física, a comédia romântica, o romance melodramático, o puro drama e até mesmo no final… um inesperado número musical.

Essa mudança constante provoca um afastamento entre o espectador e as personagens em diversos momentos do filme, o que é uma pena para o que o tema em causa prometia. No geral é uma viagem com bom coração, mas que necessitava de um rumo mais conciso.

“Manual da Boa Esposa” estreou a 29 de Abril.

Ver também: O Pai | Uma mente desconcertante, com Anthony Hopkins