Inspirado num jogo da Nintendo 3DS com o mesmo título, Pokémon: Detetive Pikachu, de Rob Letterman, chegou às salas de cinema portuguesas. O filme encanta por entreter, mas também desencanta, devido aos problemas no argumento de Nicole Perlman.

Não é preciso sermos muito fãs da franquia para conhecer a personagem do Pikachu. No filme, tal como o título antecipa, é ele a estrela da narrativa. Somos levados para uma aventura fantástica pelo pequeno guia amarelo e cheio de electricidade que a maioria conhece da infância. Perante o desaparecimento do seu dono, junta-se a Tim (Justice Smith), o filho do mesmo, que é um rapaz que não gosta muito de Pokémons. Este sentimento surge, sobretudo, porque sempre sentiu que o pai (que não via à anos), sempre deu mais atenção e amor a esses seres do que a ele, ao próprio filho.

Nesta investigação, Tim conhece Lucy (Kathryn Newton), uma estagiária repórter que também se junta à equipa, quando percebe que dali conseguirá uma história que ninguém está à espera.

A narrativa trata, assim, de uma tripla viagem. A investigação e o crescimento pessoal de Tim que vemos no filme e a própria do espectador que sente uma grande emoção e nostalgia. A isto deve-se, em grande parte, ao elenco que está bastante competente. Destaque para Ryan Reynolds que dá vida ao Pikachu, trazendo muita diversão para o enredo.

O argumento não é nada de novo e até bebe de alguns clichés de filmes de investigação. Além disso, é bastante previsível, rapidamente percebemos o desfecho e ficamos à espera de o ver. Apesar do filme terminar com um “plotwist” – tenho as minhas dúvidas em caracterizá-lo como tal-, este não é surpreendente, é algo que tem a sua lógica dentro da narrativa e que facilmente é antecipado pelos espectadores atentos.

Apesar disso, algo que me agradou bastante na narrativa, foi a forma como existe uma crítica à Humanidade que ambiciona sempre mais e mais – tenta constantemente alcançar a perfeição como um fim, recorrendo a todos os meios possíveis – é uma reflexão relevante a tirar-se da longa.

Os efeitos visuais enriquecem muito a obra. Apesar de algumas críticas feitas ao visual dos Pokémons, considero que perante a dificuldade de inseri-los numa sociedade com humanos como se dali fossem naturais, até estão bastante bem, apesar dos movimentos se repetirem. O Pikachu é claramente o mais trabalhado e o resultado é bastante bom. Todos ficamos com vontade de ter o nosso próprio companheiro amarelo.

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Em suma, o grande forte do filme está na fotografia, nos belos efeitos visuais e na representação. De qualquer modo, o divertimento é temporário, sendo a longa-metragem facilmente esquecível. Os maiores problemas encontram-se no argumento, o que acaba por nos fazer não sair tão satisfeitos do filme como gostaríamos. As resoluções são demasiados fáceis e rápidas.

Apesar das falhas, Pokémon: Detetive Pikachu cumpre a sua proposta, sendo uma verdadeira prenda para os seus fãs. O entretenimento e os efeitos visuais, dignos de ver na grande tela, estão garantidos para todo o público.