Velocidade Furiosa 9 | Tão ridiculamente divertido quanto inverosímil

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Deixem o cérebro no parque de estacionamento e entrem no cinema com a mente aberta ao divertimento puro e sem sentido.

“Velocidade Furiosa 9” tenta ir mais longe e ser mais explosivo, sem se importar com a inverosimilhança dos acontecimentos.

Tendo assistido a todos os filmes da Saga Furiosa, “Velocidade Furiosa 9” fica a meio da minha tabela, que tem no topo “Velocidade Furiosa 5” (que funciona perfeitamente como um bom filme de ação fora da saga), seguido de “Velocidade Furiosa 7” (aquele que deveria ter sido o último filme) e o original “Velocidade Furiosa” (quando tudo se resumia a ‘tuning’, corridas ilegais e pequenos roubos).

Ver também: Invincible | A reinvenção do género de super-heróis

Justin Lin, que realizou tudo do terceiro ao sexto filmes, regressa ao leme da realização da saga, depois de capítulos por James Wan (“The Conjuring”), F. Gary Gray (“Straight Outta Compton”) e David Leitch (“Atomic Blonde”).

No entanto, se as pessoas se queixavam da pista interminável de aeroporto no final de “Velocidade Furiosa 6” de Justin Lin ou do salto entre arranha-céus no “Velocidade Furiosa 7” ou de Dwayne Johnson a desviar um míssil nuclear com as mãos em “Velocidade Furiosa 8”, agora vão ter razões para se queixar de cada uma das grandes cenas de ação deste filme, pois todas elas ultrapassam qualquer limite de verosimilhança: aqui temos carros a saltar de pontes como lianas, camiões com ímans que atraem e repelem metais (e o que quer que convenha) através de edifícios, a uma ida ao espaço com um motor de foguetão preso com fitas no tejadilho de um carro…

Quanto ao argumento, como sempre acaba por ser a parte mais fraca, mas enquanto em certos filmes anteriores havia uma preocupação em dar relevo a certas personagens e em justificar escolhas e viagens pelo mundo, neste momento, já tudo se resume a um “MacGuffin” que saltita pelo mundo, ao mesmo tempo que personagens mortas afinal estão vivas e familiares próximos dos quais nunca se ouviu falar, afinal sempre foram uma componente intrínseca do historial da família.

John Cena não é o ator certo para o papel de irmão de Vin Diesel, pelo menos na maneira como é apresentado no filme ou nos diálogos a que teve direito, algo que nem é salvo por uma boa sequência inicial de flashback. Toda a sequência do regresso de Han, interpretado por Sung Kang, é meio atabalhoada e precisará de ser melhor explorada num potencial “Tokyo Drift 2”, com Jason Statham. Quanto a Charlize Theron, precisa desesperadamente que a sua personagem tenha algum desenvolvimento nos próximos dois filmes para justificar uma presença prolongada ao longo de quatro filmes. Para além de que um possível regresso de Paul Walker (provavelmente interpretado pelo irmão Cory Walker) poderá estragar o grande adeus à personagem em VF7.

Enfim, isto podem parecer muitas críticas, mas a situação resume-se a algo muito simples: se for o tipo de espectador a quem tudo isto faz perder o interesse no filme e nas personagens, então “Velocidade Furiosa 9” não é certamente para si. Se, por outro lado, não se importar com toda a ação espalhafatosa e for pela pura diversão sem sentido e sem grande argumento, então deve ficar minimamente contente com o resultado final.

“Velocidade Furiosa 9” encontra-se em exibição nos cinemas e em apenas uma semana tornou-se no filme mais visto do ano em Portugal.